E-book Viva um Ano mais Consciente

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Desde que me entendo por gente gosto de escrever. Já tive muitos diários, vários blogs já escrevi poesias, colunas em jornais… Enfim, foram muitas as coisas sobre as quais falei ao longo de três décadas de vida Ao final do ano passado finalmente realizei algo que tanto queria: lançar meu primeiro e-book!

A ideia de escrevê-lo surgiu de maneira repentina e sua escrita foi um processo ao mesmo tempo intenso e fluido. Esse livro é fruto das minhas experiências vividas e de toda a minha caminhada até aqui, cheia de erros e acertos, como toda vida é. Olhando pra trás consigo perceber o quanto os momentos mais difíceis me proporcionaram aprendizados que me fizeram mudar completamente, me redirecionando, fazendo com que eu me redescobrisse. Não foi fácil, mas não mudaria nada nessa caminhada. Sinto-me feliz com a pessoa que venho me tornando.

Esse livro tem como proposta trabalhar uma aspecto da vida por mês ao longo do ano, nos convidando a realizar pequenas mudanças que nos permitam nos aproximar da vida que desejamos viver! Abordo: autoconhecimento, alimentação, exercícios físicos, finanças, responsabilidade ambiental e social, dentre outros aspectos da nossa vida. São propostas simples e possíveis de serem colocadas em prática pois acredito que pequenos passos nos trazem mudanças menores, porém duradouras.

Sem mais delongas, vou deixar aqui o link para quem desejar adquiri-lo. Seu valor é de R$15,00 e comprando-o você colabora com meu trabalho que já existe nas redes há 7 anos. Espero que gostem e consigam aplicar o que ele propõe. 🙂

Devagar

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Ensaiei umas mil vezes a escrita desse texto. Apaguei várias palavras por que elas pareciam não fazer muito sentido juntas. Acho que é o efeito do final do ano, das energias usadas pra dedicar ao trabalho, aos projetos, a viver a vida do lado de fora das telas e dentro delas também.

Na época em que comecei a estudar sobre minimalismo e a ler sobre nosso impacto enquanto consumidores, descobri sobre o “dia da sobrecarga” da terra. Usaram esse termo pra explicar que entramos no “cheque especial”, e que a partir de uma data específica teríamos extrapolado o orçamento dos recursos naturais estipulado para o ano. Acho que meu dia de sobrecarga chegou. A sensação que tenho é que tô no cheque especial das minhas energias para 2019.

Sei que a virada do ano é algo simbólico e que na verdade a única coisa que muda mesmo é o calendário, mas mesmo assim a gente tem a sensação de que na meia noite do dia 31/12 algo mágico acontece pra renovar nossa fé e nossa energia pra um novo ano que começa. E mesmo tendo desconstruído essa ideia há algum tempo, nesse 2019 eu tô tendo a esperança que dia 31/12 tudo pode mudar. (Na verdade não tô, mas vai que, né?)

Nesse ano pude entender melhor sobre a importância de estabelecer limites pra tudo: trabalho, relações pessoais, tempo… Com o livro “Essencialismo” aprendi que se a gente não coloca os limites pras coisas alguém vai fazer isso por nós e talvez não vai ser tão legal assim. Que podemos e devemos ajudar as pessoas, claro, mas que também não é egoísmo dizer não quando sabemos que não poderemos ajudar. E quantas vezes a gente diz sim pros outros mesmo sabendo que não vai conseguir ajudar ou que vai comprometer coisas importantes com esse sim, mas se sente desconfortável ao dizer não com medo da pessoa fichar chateada? Esse é o grande desafio: aprender a dizer não sem peso no coração.

Reduzi o ritmo drasticamente nessa reta final de 2019. Sabe aquela sensação de quando as férias escolares iam chegando e a gente meio que ia levando a vida esperando o fim das aulas chegar? Tô bem assim. E por mais que nosso sistema nos cobre essa produtividade 24/7 eu me recuso! Vou devagar, parando, apreciando a paisagem e recarregando as energias.

Minha jornada por uma vida mais simples

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Seis anos se passaram desde que iniciei minha jornada por uma vida mais simples. Tudo teve início com a síndrome do pânico que me fez rever a maneira como me relacionava com tudo: pessoas, trabalho, consumo e especialmente comigo mesma. Nessa busca por respostas tive o primeiro contato com o minimalismo e vivenciei a experiência de ficar um ano sem compras, o que me fez repensar a forma como lidava com meu dinheiro, as coisas que eu já tinha e o que eu valorizava. Percebia que muitas vezes comprava coisas para satisfazer uma questão emocional, não por necessidade. Se estava triste, comprava algo. Ansiosa? Bastava entrar numa loja virtual e comprar algo que sabia que não precisava só pelo prazer de comprar e quando o produto chegava pelo correio já não tinha mais graça. Nesse hiato de compras pude perceber que poderia viver muito bem com tudo o que já tinha e que o dinheiro poupado ao deixar de comprar coisas que não precisava poderia ser gasto de outras maneiras.

Comecei a pensar também no impacto ambiental das coisas que compramos: o que vestimos, o que comemos, que empresas apoiamos. Entendi que não bastava pensar apenas no produto ou serviço em si: era preciso olhar também para os valores dessa organização, suas ações em relação aos trabalhadores, ao meio ambiente e a sociedade. Quando compramos algo de uma empresa é como se disséssemos: “ei, eu concordo com o que você faz e por isso te dou meu dinheiro”. (Reconheço que falo do lugar de quem tem o privilégio de poder escolher de quem comprar enquanto muitas outras pessoas não o podem fazer). A partir disso busquei conhecer mais a respeito das empresas das quais comprava e a fazer escolhas que estivessem mais alinhadas com meus valores, o que significou deixar de comprar de muitas delas por diversos fatores.

No meio dessas mudanças conheci o vegetarianismo e, posteriormente o veganismo e compreendi que ser vegana tinha muito a ver com os valores que norteavam minha vida: sempre gostei de animais, sempre me preocupei com o meio ambiente, com minha saúde e com as pessoas e o veganismo me mostrou que todas essas questões estão conectadas. Foi bom encontrar em um movimento social uma maneira de viver que me permitisse praticar o que eu tanto acreditava e valorizava.

A partir dessa busca por uma vida mais simples conheci também os conceitos de “essencialismo” e de “simplicidade voluntária“. O primeiro nos convida a  “fazer menos, porém melhor” e nos estimula a dizer mais “nãos” para coisas que compreendemos não ter tanta importância a fim de que nos sobre tempo e energia para dedicar ao que realmente tem valor e importância seja no nosso trabalho ou na nossa vida pessoal. Sobre o assunto recomendo a leitura do livro Essencialismo, de Greg McKeon. O segundo tem como base cinco pilares:

  1. Simplificação da vida material: menos coisas demandam menos tempo e menos sacrifício financeiro para mantê-las;
  2. Priorização de ambientes e instituições menores estimulando o contato interpessoal e o sentido coletivo;
  3. Autodeterminação: menor dependência de instituições econômicas e políticas e maior controle sobre o próprio destino, ou seja, mais autonomia no viver)
  4. Preocupação ambiental: perceber a conexão e a interdependência entre os seres humanos e o meio ambiente compreendendo a finitude dos recursos naturais e a necessidade de preservá-los;
  5. Crescimento pessoal: todos os 4 aspectos anteriores culminando na evolução pessoal;

Depois de muito estudar sobre, tive a sensação de ter encontrado no conceito de simplicidade voluntária um respaldo para o que experimentei nos últimos anos. Compreendi que através de seus fundamentos somos (e seremos) capazes de viver uma vida que tenha mais valor, onde priorizamos coisas que realmente são importantes não apenas pra nós, mas também para os outros (pessoas, meio ambiente, sociedade). Para quem deseja conhecer mais a respeito dele, tenho duas indicações de leitura: “Simplicidade Voluntária”, de Duane Elgin e “Por uma vida mais simples“, de André Cauduro D’Angelo.

Estando em contato com diversos conceitos e aplicando muitos deles na minha vida, entendo que viver uma vida mais simples é uma experiência muito pessoal e que precisamos levar em consideração a realidade em que estamos inseridos para implementar suas práticas em nossas vidas. Por exemplo: dentro do conceito de minimalismo, existem pessoas que implementam o uso do armário cápsula. Ele pode funcionar bem pra uma pessoa e não funcionar pra outras e tudo bem. Acredito ser mais importante compreender o conceito e aplicá-lo nas áreas que julgarmos necessárias.

Li um livro que contava que um advogado conversava com Mahatma Gandhi sobre sua dificuldade em abrir mão de seus livros, que eram algo muito importante pra ele. Então Gandhi lhe respondeu que: “enquanto você obtiver conforto e ajuda interior de alguma coisa, deve mantê-la. Se abrir mão dela como sacrifício ou como senso de dever, você continuará a desejá-la e essa vontade insatisfeita lhe trará problemas. Só renuncie algo quando isso não exercer mais atração em você”Ao mesmo tempo que entendo que não podemos nos forçar a abrir mão de coisas e sair destralhando tudo pra “cumprir as regras do minimalismo” também é preciso ser muito honesto consigo mesmo para reconhecer o que, de fato ainda tem ou não importância na sua vida. Não é sobre um quantidade x de pertences, mas sobre ser livre, apesar de possuí-los.