Desacostumando o olhar

Sou nascida e criada na mesma cidade, ou seja, são 33 anos morando no mesmo lugar. Quando era bebê morei em um bairro diferente, mas aos 6 meses mudei para o lugar onde moro, numa casa que era só quarto, cozinha e banheiro e só me mudei de novo quando essa casa foi demolida pra que a casa que eu moro hoje fosse construída. Então posso dizer que moro há pelo menos 30 anos aqui, o que me faz ser muitíssimo familiarizada com meu entorno.

Os últimos 9 anos mudaram muito a minha relação com o local onde vivo. Claro que tenho vontade de viajar pra outros lugares, conhecer cidades e países, mas mudei a minha perspectiva no sentido de olhar com carinho para a minha cidade.

O fato de ter começado a pedalar, por exemplo, me permitiu conhecer lugares que por anos me foram desconhecidos: cachoeiras, estradinhas, trilhas. Depois vieram as caminhadas, e por mais que eu esteja andando pelo mesmo trajeto que costumo percorrer de bicicleta, é diferente. Caminhar, correr e pedalar no mesmo lugar, nos traz percepções diferentes do espaço.

Viver a pandemia em uma cidade pequena também tem sido uma experiência diferente do que viver em um grande centro. Aqui, em 2 minutos tenho acesso a uma área verde, com pouco movimento de pessoas. Dá pra sentar ali, ler um livro, levar os cães pra passear… Consigo até ficar sem máscara respirando ar puro.

Aqui consigo correr ao ar livre, tendo uma vista incrivelmente bonita, sem trânsito, tudo isso pertinho da cidade. Ou seja, não preciso gastar tempo ou dinheiro me locomovendo pra um lugar que me permita estabelecer essa conexão com a natureza.

Como vocês podem notar, eu usufruo muito desses espaços. Muita gente daqui não sai por aí como eu pra pedalar, correr ou fazer trilhas. E eu também não fui assim por muito tempo, tanto que só conheci muitos dos lugares que conheço hoje as 24 anos, quando comprei minha bicicleta e comecei a pedalar.

Em um tempo em que parecemos precisar de novos estímulos o tempo todo, é um desafio a gente “desnormalizar” nosso olhar e conseguir apreciar as coisas boas e bonitas que estão ao nosso redor. É um exercício diário nos treinar para ver detalhes que passam despercebidos porque nos acostumamos com que o vemos.

O que costumo fazer é percorrer o mesmo local por trajetos e horários diferentes, observar a posição do sol a cada estação, a mudança da vegetação em cada época do ano, pesquisar novas trilhas, conversar com pessoas que já estão acostumadas nessas andanças pra poder conhecer novos lugares.

Aí que quero compartilhar com vocês um vídeo que gravei para o meu canal no youtube na última semana, mostrando um pouquinho de uma caminhada pelas estradas de Congonhal. Já percorri esse trajeto muitas e muitas vezes ao longo dos anos e estou sempre me encantando com a paisagem. Gravar esse vídeo é uma forma de levar vocês pra um desses rolês comigo. Espero que gostem.

Novidade: Agora tenho um canal no youtube!

É, a era youtuber chega para todxs. Rs…

Bom, depois de resistir por anos a criar conteúdo em vídeo, informo a vocês que criei um canal no youtube. Quer dizer, o canal já existia há um tempo, tanto que é nele que coloquei o documentário que fiz no curso do SESC, mas depois de muito pensar a respeito do futuro do conteúdo que venho criando e de ter lido sobre a importância de diversificar os canais de comunicação, tomei a decisão de começar a criar coisas para o Youtube também.

Muita coisa mudou desde que eu comecei. Primeiro foi esse blog, depois migrei para o instagram, veio o podcast.. Entendo que é importante ir se adaptando às novas tendências e justamente por sentir que o instagram, que é a rede social que mais movimento, tem um algoritmo que boicota a entrega, percebi que estava me desgastando muito e não explorando outras perspectivas. Penso que no youtube consigo sair da minha bolha e chegar até mais pessoas mostrando os assuntos que já costumo abordar: autoconhecimento, vida simples, veganismo, rolês na natureza, animais…

Teve uma época em que eu me planejei bonitinho pra ter um canal, mas era muito insegura e crítica (e infelizmente continuo sendo) com a minha própria imagem, por isso o plano não saiu do papel. Talvez eu precisasse amadurecer outras questões também, junto com o lance da autoimagem, e acho que o momento chegou, de dar as caras, de me mostrar mais. Por mais que não pareça, sou tímida e isso me trava em muitas áreas da vida. Já melhorei muito, e acho que esse canal será uma oportunidade de trabalhar essas questões e, claro, de compartilhar minhas ideias com outras pessoas.

Não falei que os 33 bateram de um jeito diferente? Pois é: de repente 33. De repente youtuber!