É tarde demais?

Se tem uma coisa que venho desconstruindo diariamente é a ideia de que é “tarde demais” pra fazer algo. No livro “Talvez você deva conversa com alguém“, a autora, Lori, compartilhou que fez várias transições de carreira ao longo da vida e que foi trabalhar como psicóloga aos 40. Sinto que nós temos uma concepção muito errada de que quando chegamos em uma “determinada idade” já está tarde demais pra recomeçar ou mudar algo na nossa vida. Hoje, ao 32, querendo fazer muitas coisas ainda, percebo que enquanto existe energia, oportunidade e vontade é tempo de nos refazermos.

É muito louco pensar que ainda jovens temos que tomar uma decisão “pro resto da vida”. Aos 20 eu não sabia ainda o que queria (e hoje ainda não sei muito bem), mas sei que ao longo desses 12 anos me transformei muito: amadureci, errei, acertei… E todas as minhas experiências foram me convidando a me refazer, a mudar aspectos que sinto que necessitem de mudança e a trilhar um caminho que seja cada vez mais meu.

Por aqui tem sido difícil fazer planos em meio a situação que estamos vivenciando com a pandemia. Muitas vezes me pego olhando fotos antigas, me agarrando nas lembranças de momentos especiais e lembrando que a vida já foi menos dura. Me recordo de andar muito de patins quando era criança. Eu tinha um modelo in-line, verde limão, que era imenso para os meus pés (diziam que tínhamos que comprar x números a mais do que calçávamos, que na real acho que era pra fazer o brinquedo durar!) e que me proporcionou muitos momentos de diversão com meus amigos. Quando eu era criança, a maioria das ruas aqui da minha cidade eram de paralelepípedo, então nós tínhamos a única avenida da cidade pra poder brincar. E a gente pirava! Lembro de descer morros que hoje, adulta, não teria coragem. E tudo isso sem equipamento de segurança! (nosso anjo da guarda ficava junto 24hs por dia! Rs…)

Há um tempo comecei a ver muita gente de patins e como esse esporte me traz muitas boas lembranças, pensei: “por que não? Até que no começo do ano apareceu um trabalho que deu uma folga nas despesas e lá fui eu me jogar nessa compra.

Esperei ansiosamente e fui acompanhando o rastreamento do correio diariamente até que ele chegasse aqui em casa. Mas ó, fui bem cautelosa e só sai pra dar minha primeira volta depois de o equipamento de segurança certinho (depois de adulto dependendo da queda o bicho pega! Rs), saí devidamente protegida também, com máscara, em um local com espaço amplo e pouco movimento e foi muito gostoso. É interessante como nosso corpo possui uma memória, ne? Foi só subir nos patins que já me recordei e até me arrisquei nas manobras. No dia do vídeo abaixo, saí com uma amiga que filmou um pedacinho do passeio e ficou muito massa!

Andei mais um pouco no local do vídeo acima até que deu-se início a onda roxa aqui em Minas e agora aproveito o quintal de casa pra poder treinar. Lá me sinto segura de arriscar umas manobras e tô sempre me filmando pra acompanhar a melhora dos movimentos. E o que me deixou mais feliz é que muitas pessoas ao verem essa partilha sobre o patins, também se sentiram animadas a retomar ou mesmo começar a patinar.

Essa tem sido uma atividade que tem me motivado bastante nesse momento. No último mês passei por um período pesado, desanimado e que me fez nem ter vontade de escrever, por isso passei tanto tempo sem postar aqui. Hoje aprendi a me respeitar, a dar tempo pra que as coisas se organizem aqui dentro, mas não tempo demais pra que eu desista. É descansar, recuperar as energias e recomeçar. Quantas vezes for preciso, porque nunca é tarde demais.

Ah, tem um episódio sobre esse tema no podcast! Para ouvir é só dar play:

Descansar para prosseguir

Em janeiro tirei férias. Não escrevi nada, li pouco (porque tô saboreando cada palavrinha de um livro maravilhoso que tô lendo), assisti pelo menos uns 15 filmes, atualizei minhas séries, tomei banho de cachoeira e pedalei. Estou “só existindo” dentro do possível, fazendo as atividades que já havia me comprometido previamente. Aliás, acho que ainda vivo com a ideia das “férias escolares” no inconsciente, então, janeiro pra mim é um mês pra ir devagar.

É até engraçado como nos sentimos culpadas por fazer isso depois da vida adulta. Direto me pego pensando se eu deveria ter reduzido a velocidade justo agora, afinal, começo de ano é o momento perfeito pra começar as coisas. Mas a gente veio de um ano que virou nossa vida do avesso e em dezembro sempre rolar um acúmulo de tudo o que vivemos, as dores e as alegrias (que em 2020 foram sentidas com ainda mais intensidade), então eu tinha que parar. Mesmo que isso implicasse em “perder oportunidades”.

Essa semana, bem na última do mês e nos preparativos da volta do Podcast e demais atividades, li uma frase em uma ilustração da Isadora que fez todo sentido e que cabe pro nosso ano e pra nossa vida toda:

Quem já viveu no corre e conseguiu reduzir a velocidade, sabe que também pode rolar da gente se acomodar na marcha lenta. Ela é confortável e necessária muitas vezes, mas de vez em quando é preciso dar uma pisadinha no acelerador, sair desse local de conforto que é caminhar devagar, pegar um pouco de velocidade e sentir o vento batendo no cabelo. Não precisa ir do 0 aos 100km em segundos, mas dá pra encontrar o equilíbrio entre os momentos de reduzir e acelerar.

E agora, com o corpo e a cabeça descansados, dando um respiro também pra minha alma se (re)encantar com a vida, tô pronta pra começar 2021, aberta para as possibilidades e experiências que aparecerem. Agora é meu momento de pisar no acelerador, mas ao longo do ano também vou pisar no freio, parar na beira de estrada, descansar um ´cadinho, na sombra, pra depois retomar a viagem. Attraversiamo!

Devagar

Andodevagar_umavidamaissimples

Ensaiei umas mil vezes a escrita desse texto. Apaguei várias palavras por que elas pareciam não fazer muito sentido juntas. Acho que é o efeito do final do ano, das energias usadas pra dedicar ao trabalho, aos projetos, a viver a vida do lado de fora das telas e dentro delas também.

Na época em que comecei a estudar sobre minimalismo e a ler sobre nosso impacto enquanto consumidores, descobri sobre o “dia da sobrecarga” da terra. Usaram esse termo pra explicar que entramos no “cheque especial”, e que a partir de uma data específica teríamos extrapolado o orçamento dos recursos naturais estipulado para o ano. Acho que meu dia de sobrecarga chegou. A sensação que tenho é que tô no cheque especial das minhas energias para 2019.

Sei que a virada do ano é algo simbólico e que na verdade a única coisa que muda mesmo é o calendário, mas mesmo assim a gente tem a sensação de que na meia noite do dia 31/12 algo mágico acontece pra renovar nossa fé e nossa energia pra um novo ano que começa. E mesmo tendo desconstruído essa ideia há algum tempo, nesse 2019 eu tô tendo a esperança que dia 31/12 tudo pode mudar. Rs…

Nesse ano pude entender melhor sobre a importância de estabelecer limites pra tudo: trabalho, relações pessoais, tempo… Com o livro “Essencialismo” aprendi que se a gente não coloca os limites pras coisas alguém vai fazer isso por nós e que isso pode não ser muito legal. Que podemos e devemos ajudar as pessoas, claro, mas que também não é egoísmo dizer não quando sabemos que não poderemos ajudar. E quantas vezes a gente diz sim pros outros mesmo sabendo que não vai conseguir ajudar ou que vai comprometer coisas importantes com esse sim, mas se sente desconfortável ao dizer não com medo da pessoa fichar chateada? Esse é o grande desafio: aprender a dizer não sem peso no coração.

Reduzi o ritmo drasticamente nessa reta final de 2019. Sabe aquela sensação de quando as férias escolares iam chegando e a gente meio que ia levando a vida esperando o fim das aulas chegar? Tô bem assim. E por mais que nosso sistema nos cobre essa produtividade 24/7 eu me recuso! Vou devagar, parando, apreciando a paisagem e recarregando as energias.