Por aqui…

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Ter um pedacinho de terra pra colocar os pés (e as mãos) nesse momento de isolamento social tem sido um alento. A gente perdeu muito da nossa conexão com a natureza e eu, por muito tempo, também me vi separada dela. Às vezes quando saia pra pedalar com meu amigo Elder nas estradas rurais aqui da cidade, a gente parava lá no meio do nada e comentava sobre como ali não existiam problemas. Por mais que a gente quisesse pensar neles, aqueles estímulos de sons, cores e formas que recebíamos ali, nos impediam. Nessas andanças e pedaladas na natureza percebi o quanto ela tem a nos ensinar se nos permitirmos nos conectar com ela.

Tenho sentido muita falta de poder andar por aí, de correr, ver o nascer do sol com a cabeça tranquila… Tem sido um exercício e tanto essa adaptação: atividades físicas agora são feitas em casa (sorte que tem muita gente ajudando com dicas nesse momento), sem passeios longos com os cães, saídas apenas para atividades essenciais… E assim eu sigo,  mais do que nunca, tentando viver um dia de cada vez. Respirando fundo, ora rindo dos memes, ora chorando de desespero porque ser humano é isso mesmo: ter um emaranhado de sentimentos no peito e de pensamentos na cabeça. 

E que coisa: esse ano tinha me comprometido a ser mais organizada e planejada com as minhas coisas, mas aí veio a vida pra mostrar que por mais que a gente se planeje e se organize, nem sempre dá pra seguir um roteiro. Isso me faz pensar que o que mais precisamos trabalhar em nós mesmas é a nossa capacidade de lidar com as adversidades e de nos adaptarmos às circunstâncias que se apresentarem pra gente. E quando falo em aceitar o que acontece e nos adaptar, não falo de passividade, mas de, a partir dessa aceitação, tentar encontrar alguma solução.

No momento o que nos cabe é tentar fazer o que dá. No último episódio do podcast conversei com minha amiga Yamê, que é psicóloga, sobre como manter a nossa saúde mental nesse momento. Vou deixar o link pra você ouvir e espero que possa te ajudar a lidar com a situação pela qual estamos passando.

Sigamos…

 

Por aqui…

 

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Tenho tentado lidar com o atual momento da maneira que dá: um pouco de informação e um pouco de meme pra não entrar em pânico. Também estou mantendo minha rotina de produção de conteúdo pras minhas redes sociais (e para as quais trabalho), lido, me exercitado aqui no quintal, tentando manter contato com os amigos e ficando na companhia dos doguinhos.

Leituras edificantes (especialmente as espiritualistas) e pensamento elevado também tem sido meus grandes aliados nesse momento, mas ontem a tarde, depois de fazer meus exercícios físicos olhei para o céu e chorei. Fiquei pensando em quando teremos a chance de poder caminhar por aí novamente e contemplar todas as coisas “banais”. Temos percebido que é quando não podemos usufruir de algo que reconhecemos seu valor.

A gente sabe que esse momento vai passar, mas o medo de perder quem amamos e incerteza do que nos aguarda lá na frente tem nos deixado em um estado muitas vezes difícil de administrar. Estamos ansiosos, desanimados, pois ao mesmo tempo em que temos tempo livre pra fazer o que pudermos, a nossa cabeça parece não conseguir focar por muito tempo em uma atividade. Tem havido uma cobrança pra gente fazer coisas, mas não precisamos nos forçar a nada. Faça um curso online, veja um filme e uma série apenas se quiser.

Uma amiga comentou dia desses que as atividades manuais tem ajudado muito nesse momento: pintar alguma coisa, reformar outra (com materiais que temos em casa), mexer na terra, reaproveitar potinhos pra se tornarem recipientes pra plantar, organizar aquela papelada que tá meio bagunçada, fazer uma limpa no guarda roupa… Hoje mesmo me comprometi a dar uma geral no quarto, lavar meus sapatos, pensar em algumas coisas pra cozinhar com os ingredientes que tenho aqui, trabalhar um pouco e descansar também. Aliás, a gente costuma falar que trabalho é só o que é remunerado, mas não é bem por aí: tudo o que demanda tempo e dedicação nossa é trabalho, mesmo que não recebamos nada.

Entre toda essa mistura de sentimentos e sensações, a gente segue mais do que nunca vivendo um dia de cada vez e colaborando para o bem comum fazendo a nossa parte. Nunca foi tão importante (e urgente) a somatória das nossas ações para que, juntos, possamos conseguir o resultado desejado. Sigamos.

 

Por aqui

Decidi retomar os registros do final de semana. Registrar um pouco do que vivencio me permite renovar a percepção do que está ao meu redor, treinar o olhar pra apreciar o que já tenho e a ver beleza nas coisas simples.

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muita chuva por aqui
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Bob fazendo o que mais ama: descansar enquanto eu assisto uma série
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pão de beijo (em breve compartilho a receita) com café…
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um brinde com caldo de cana depois de uma boa caminhada

Talvez valha a pena você também fazer essa experiência. Pode ser em um dia da semana ou no final dele. Tenho certeza de que você passará a ver tudo com um olhar renovado!

Devagar

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Ensaiei umas mil vezes a escrita desse texto. Apaguei várias palavras por que elas pareciam não fazer muito sentido juntas. Acho que é o efeito do final do ano, das energias usadas pra dedicar ao trabalho, aos projetos, a viver a vida do lado de fora das telas e dentro delas também.

Na época em que comecei a estudar sobre minimalismo e a ler sobre nosso impacto enquanto consumidores, descobri sobre o “dia da sobrecarga” da terra. Usaram esse termo pra explicar que entramos no “cheque especial”, e que a partir de uma data específica teríamos extrapolado o orçamento dos recursos naturais estipulado para o ano. Acho que meu dia de sobrecarga chegou. A sensação que tenho é que tô no cheque especial das minhas energias para 2019.

Sei que a virada do ano é algo simbólico e que na verdade a única coisa que muda mesmo é o calendário, mas mesmo assim a gente tem a sensação de que na meia noite do dia 31/12 algo mágico acontece pra renovar nossa fé e nossa energia pra um novo ano que começa. E mesmo tendo desconstruído essa ideia há algum tempo, nesse 2019 eu tô tendo a esperança que dia 31/12 tudo pode mudar. (Na verdade não tô, mas vai que, né?)

Nesse ano pude entender melhor sobre a importância de estabelecer limites pra tudo: trabalho, relações pessoais, tempo… Com o livro “Essencialismo” aprendi que se a gente não coloca os limites pras coisas alguém vai fazer isso por nós e talvez não vai ser tão legal assim. Que podemos e devemos ajudar as pessoas, claro, mas que também não é egoísmo dizer não quando sabemos que não poderemos ajudar. E quantas vezes a gente diz sim pros outros mesmo sabendo que não vai conseguir ajudar ou que vai comprometer coisas importantes com esse sim, mas se sente desconfortável ao dizer não com medo da pessoa fichar chateada? Esse é o grande desafio: aprender a dizer não sem peso no coração.

Reduzi o ritmo drasticamente nessa reta final de 2019. Sabe aquela sensação de quando as férias escolares iam chegando e a gente meio que ia levando a vida esperando o fim das aulas chegar? Tô bem assim. E por mais que nosso sistema nos cobre essa produtividade 24/7 eu me recuso! Vou devagar, parando, apreciando a paisagem e recarregando as energias.