Nós vamos mudar o mundo?

Quando decidi gravar um episódio sobre esse assunto para o podcast fiquei com receio de ser mal interpretada. Hoje em dia na internet muitas falas são distorcidas e rola cancelamento a toda hora. Mas felizmente acho que a forma como coloquei esse tema ficou clara o suficiente pra ninguém vir me questionar sobre o porquê de eu pensar dessa forma.

Por muito tempo eu achei que eu fosse realmente a responsável por mudar o mundo. Pensava que a minha ação, no meio de tanta coisa que acontece por aí, seria o estopim para o mundo finalmente mudar. Que prepotência da minha parte, né? Inclusive tem uma frase do Alex Castro que gosto muito e que depois de ler, se tornou o lema da minha vida: “Não ser egocêntrico ao ponto de achar que posso mudar o mundo. Não ser egocêntrico ao ponto de nem tentar.”

A partir do momento que tirei das minhas costas o fardo de “salvadora do mundo” senti que de fato consegui agir mais, por mais estranho que isso pareça. Quando compreendi que eu não poderia mudar o macro e as estruturas, cheguei à conclusão de que não só posso como devo agir no micro: minha vida, minha casa, minha família, meu grupo de amigos, minha vizinhança, minha cidade.

Assim ficou mais fácil pensar no que me cabe. A frase que é título desse post de forma alguma é uma maneira de me isentar da responsabilidade que me cabe. É justamente por entender que algumas mudanças não dependem de mim, que me dedico àquilo que posso fazer. Com essa consciência eu converso com meus amigos, estudo, dialogo e penso em como trazer essas ideias para o mundo real, que é onde as coisas realmente acontecem.

A internet tem uma potência imensa em disseminar mensagens. Se não fosse por ela você provavelmente não estaria lendo esse texto nem ouvindo meu podcast. Mas ela traz o conteúdo, a informação, a reflexão, o convite para a mudança. Cabe a nós decidir o que fazer com esse conteúdo e essa informação. Eu tenho decidido agir e espero que você também possa fazer essa escolha. Que consiga alinhar seus ideais e seu discurso com aquilo que faz no dia a dia. É assim, a minha mudança somada com a sua, que poderemos caminhar na construção do que acreditamos ser um mundo justo para todos os que nele habitam.

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Para ouvir o episódio do podcast sobre esse tema clique aqui.

Como reduzir o uso do celular?

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Talvez esse não seja o melhor momento pra fazer esse post, mas já era: eu fiz até um podcast a respeito disso (vou deixar o player pra você ouvi-lo no final dessa publicação). Sei que a pandemia tem feito a gente usar muito mais o nosso celular  – uma pesquisa contou que aumentamos o uso do celular em 88,4% nesse período – e é compreensível. Mas não tô falando só da pandemia. A gente já vem usando o celular indiscriminadamente há muito mais tempo.

Ganhei meu primeiro aparelho em 2003, com 15 anos e ele só mandava sms e fazia ligações. Em 2007, com o lançamento do primeiro iPhone, a indústria dos celulares se transformou e hoje temos um aparelho que, em último caso faz ligação. Nosso telefone é nosso DJ, nossa agenda, nosso banco, nosso jornal, nossa TV e muitas vezes nosso trabalho. Não quero demonizar o celular não, pois reconheço o quanto as tecnologias facilitam as nossas vidas, mas quero propor uma conversa pra gente entender melhor por que passamos horas do nosso dia de olhos grudados nessas telas.

O primeiro ponto é que existe todo um trabalho de engenharia e design nos aplicativos pra fazer com que passemos a maior parte do nosso tempo neles. O livro “Celular, como dar um tempo”, da Catherine Price, explica de forma muito simples todas essas questões que fazem com que nós estejamos cada vez mais viciados. É importante também nos questionarmos sobre os apps (especialmente das redes sociais) serem gratuitos. É que o que é vendido ali é a nossa atenção e quem paga por isso são os anunciantes. Quanto mais tempo a gente passa conectado no nosso telefone, maior a chance de vermos anúncios e de comprarmos algum bem ou serviço oferecido nas redes.

E por que nós ficamos viciados? Por que esses designs e trabalhos de engenharia são feitos pra gerar o “feedback comportamental” que manipula a química do nosso cérebro através da produção de dopamina, nos levando a comportamentos viciantes.  Sabe quando uma publicação sua tem muitas curtidas e comentários e gera aquela sensação gostosa? Então, nosso cérebro armazena essa informação sempre que esse tipo de coisa acontece e, com o passar do tempo, nosso cérebro libera a dopamina só da gente se lembrar dessa sensação. Por isso ficamos sempre atualizando as notificações pra ver se conseguimos sentir cada vez mais essa sensação boa.

Uma questão que também faz com que nós não queiramos largar o telefone é o FOMO (Fear of missing out), que é o medo de perder algo interessante ou importante enquanto estamos longes dos nossos celulares. Ninguém quer ser o último a saber das coisas, ainda mais hoje em dia que temos informação em tempo real. E o contrário do FOMO é o JOMO (Joy of missing out) que nos convida a reencontrar o prazer e alegria longe dos nossos celulares.

Com o FOMO e o nosso medo de perder algo, não damos conta do tempo que passamos conectados nas telinhas dos nosso celulares. Hoje em dia os aparelhos tem essa função de monitoramento de tempo e, sabendo do tempo que ficamos no aparelho existem duas coisas pra gente pensar: Vamos supor que o nosso aparelho mostre que passamos 3 horas por dia usando o telefone. Imagine se a gente usasse esse tempo pra poder aprender algo, ou pra passar tempo fazendo algo que nos trouxesse algum tipo de retorno. Se eu usasse 1 hora que fosse do meu dia, todos os dias, pra me dedicar a estudar um assunto ou aprender um instrumento, eu tenho certeza de que aprenderia razoavelmente rápido.

O segundo ponto é que a gente não passa 3 horas “corridas”no celular. Pegamos o aparelho várias vezes ao longo do dia e a quantidade do monitoramento nos mostra a somatória do tempo. E aqui tem um ponto bem interessante: os nossos celulares estão afetando a forma como aprendemos. Supondo que você esteja escrevendo um texto (como eu tô fazendo agora) e seu celular mostra notificações no whatsapp. Você vai querer ver. Então você para o que está fazendo pra ver a notificação (e muitas vezes não é nada importante). A linha de raciocínio é quebrada e pra você retomar esse fluxo de concentração leva um pouco de tempo.

O que tem me ajudado aqui a melhorar isso foi desativar todas as notificações. Assim não me sinto curiosa pra ver que mensagem eu recebi e consigo melhorar minha concentração. Tirar um dia da semana pra não acessar redes sociais nem internet também tem sido uma experiência muito bacana que tem me feito perceber a passagem do tempo de uma forma diferente. Sinto que consigo ficar mais presente e concentrada no que estou fazendo e me sinto plena e feliz naquele momento.

Se você tem a sensação de que passa tempo demais no telefone e que quando se dá conta seu dia passou, vale a pena repensar esse uso. Se, monitorando o tempo você vê que passa tempo demais em uma rede social, talvez valha a pena pensar no porquê de estar agindo assim. Não estou dizendo que você não deve se entreter nas redes sociais, ver memes e não fazer coisas “improdutivas” por lá. Talvez seja necessário apenas um ajuste pra não sacrificar a vida real (que no final das contas é que importa) passando tempo demais conectado ao celular.

Ouça meu podcast sobre esse assunto:

Temos um Podcast!

PODCAST

É uma alegria muito grande finalmente compartilhar com vocês esse projeto. Desde o ano passado que tinha o desejo de criar conteúdo também no formato de podcasts. Já venho ouvindo alguns há um tempo e acho que é uma forma praticar de consumir assuntos do meu interesse, já que posso ouvir enquanto estou no trânsito ou enquanto lavo louça e preparo uma refeição.

Certa vez li uma frase que dizia que se o conteúdo que a gente gostaria de consumir ainda não existisse, que deveríamos criá-lo. E é isso que fiz. Esse primeiro episódio foi curto, expliquei qual a ideia e assuntos que quero compartilhar e pedi sugestões de temas para serem abordados. Se tiver alguma sugestão, me mande mensagem!

Para acessar:

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E em breve em outras plataformas!