Leituras: Talvez você deva conversar com alguém

Nos últimos dias do ano passado peguei esse livro pra ler. Não fiz conta de tudo o que li, mas em 2020 li bastante. Longe de mim querer cobrar produtividade na leitura, mas eu realmente gosto demais de ler. E leio de tudo, sem preconceito. Se vejo uma boa indicação de alguém que gosto, lá vou eu anotar na minha listinha (que nunca tem fim! Rs)

Passei janeiro inteiro lendo esse livro – ele tem 400 páginas – , mas não por isso. Fui saboreando a leitura: as histórias, as percepções, os dilemas… Fiquei naquela mistura de sentimentos de “não ler muito rápido para o livro não acabar” e de “me envolver com as histórias e querer saber como se desenrolariam”. Nesse livro a Lori (autora) conta sobre a sua vida pessoal (sua trajetória de estudos, trabalho, relacionamento, maternidade), compartilha histórias de alguns de seus pacientes e também compartilha como era fazer terapia com outro psicólogo (seus medos, angústias, dificuldades). Gostei muito disso porque muitas vezes vemos os terapeutas como pessoas muito bem resolvidas emocionalmente, quando na verdade antes de serem terapeutas eles também são pessoas, que carregam bagagens com dores e alegrias como qualquer um de nós. Foi muito interessante ver esse lado vulnerável da autora e profissional.

Me envolvi e me emocionei muito acompanhando as histórias, fiz muitas anotações, tive muitos esclarecimentos e sinto que algumas coisas que li e que ressoaram muito com o momento que estou vivendo ainda estão tomando espaço aqui dentro de mim. E espero que tudo isso, mais do que conhecimento, possa se transformar em prática na minha vida, em algum momento.

Costumo dizer que é o livro que me encontra e não o contrário. Então, começar o ano com essa leitura foi muito especial. E se você, assim como eu, busca se conhecer e entender mais sobre as dores e delícias de ser humano, esse livro será uma excelente escolha nessa caminhada.

Por um 2021 (e uma vida) mais consciente


Não tem fórmula mágica que mude a nossa realidade da noite para o dia. E embora a gente saiba que não é no dia 1º de janeiro que os problemas de um ano (e de uma vida) vão acabar, a gente sente que o começo do ano traz uma energia de renovação. Recomeçamos a contagem dos dias na esperança de que dias melhores nos aguardam. Por aqui sigo com muita expectativa pela vacina, pela imunização e para reencontrar meus amigos queridos que só vejo através das telas. Não sei se a gente volta pro “normal” porque o normal trouxe a gente pra esse caos, então talvez precisemos pensar em outras saídas… Só que isso não é simples nem fácil.

Lá no final de 2019 com muita alegria lancei meu primeiro livro digital. A minha ideia foi escolher doze temas (um por mês, sobre uma área da vida) pra poder falar sobre. Trouxe algumas reflexões, algumas partilhas da minha própria experiência e algumas sugestões de mudanças. Se em cada mês a gente refletisse sobre um aspecto da nossa vida e pensássemos nas pequenas mudanças que poderíamos fazer, ao final do ano teríamos conseguido mudanças significativas em vários aspectos.

O que eu percebo que acontece é que talvez façamos resoluções demais. Queremos mudar tantas coisas que criamos metas impraticáveis e nos frustramos ao chegar ao final do ano sem conseguirmos nos manter firmes aos planos iniciais. Eu fiz isso por muito tempo até entender duas coisas que me libertaram:

  • não preciso mudar tudo de uma vez (posso dar pequenos passos nessa direção);
  • não é preciso esperar o começo do ano pra implementar mudanças nas nossas vidas.

Só que justo quando eu entendi tudo isso veio 2020 e colocou por terra as nossas “certezas”. Certeza mesmo a gente não tem de nada, mas de certa forma tínhamos um “certo controle” em relação as coisas, né? Então foi preciso adaptar a uma realidade completamente desconhecida, com muito medo, dúvidas, separações… Esse foi um ano que abalou completamente as nossas estruturas, mexeu com as nossas emoções e aflorou muitos sentimentos com os quais não foi fácil lidar.

Mas a gente chegou até aqui. Aos trancos e barrancos mas chegou. Com medo. Com saudade. Com o coração apertado. Foi preciso parar, dar um tempo, reavaliar as coisas, abandonar alguns planos temporariamente, mas a vida continuou acontecendo mesmo no meio desse caos. E é por isso que e sigo com esperanças e expectativas (só tentei fazer com que elas coubessem dentro da realidade que estou/estamos vivendo).

Nesse livro eu não trago fórmulas mágicas, receitas de sucesso nem nada do tipo. Eu compartilho propostas simples e realistas de mudar algumas questões no nosso dia a dia e na nossa forma de ver a vida. E são coisas que você pode escolher mudar em qualquer momento, independente de quando comece essa leitura. As mudanças mais significativas da minha vida não aconteceram em nenhum dia 1º de janeiro, então, acredito que todo momento é o momento ideal pra gente mudar qualquer aspecto da nossa vida que nos traga insatisfação e desconforto.

Para garantir seu livro basta clicar AQUI.

O primeiro episódio do ano do podcast é sobre esse assunto: expectativas realistas para 2021 (e pra vida). Feliz novo ciclo pra todos nós.

Leituras: Falso Espelho

Sempre quis trazer dicas de livros por aqui e falar da minha percepção a respeito da leitura deles. Não sou crítica, não manjo desses paranauês, mas acho legal dividir partes e reflexões que me tocaram durante uma leitura.

Sei que 2020 ainda não acabou, mas posso afirmar que Falso Espelho, da Jia Tolentino, foi meu livro preferido desse ano. Esse é o tipo de livro que faz com que a gente queira ler tudo de uma vez, porque é uma leitura fluida e interessantíssima, ao mesmo tempo em que não queremos terminar muito rápido pra não ficarmos “órfãos” de algo que mexe tanto com a gente. Eu sou muito assim com os livros que eu gosto, ficou com pena de ler rápido demais e vou intercalando com outras leituras pra poder saborear cada página sem medo de acabar sem eu nem me dar conta. Aconteceu isso enquanto eu assistia a série Queer Eye. Não vi a quantidade de episódios de cada temporada e quando me dei conta, aff, acabou. Como assim?

Eu gosto muito de leituras sobre a sociedade, de análises de comportamento, de linhas do tempo e comparativos e acho maravilhoso quem sabe fazer essa vai e vem e consegue conectar todas as coisas de um jeito que faz sentido. Queria muito ser assim, mas minha cabeça bagunça um pouco as ideias. Talvez seja falta de prática, quem sabe exercitando mais a escrita eu consiga melhorar essa questão.

Não lembro ao certo onde foi que eu vi a indicação dessa leitura, mas provavelmente foi no instagram. Tenho uma pasta de arquivos só de referências de leitura, uma lista que nunca tem fim. Comprei, sentei pra ler e logo no primeiro capítulo o tema é internet. Era o assunto que eu estava questionando aos montes, repensando, querendo entender como tudo mudou tão rápido e como nos tornamos tão dependentes dessa conexão. Não lembro se já falei, mas costumo brincar que são os livros que me encontram, e não o contrário e esse livro chegou exatamente num momento em que eu estava estudando sobre isso (até gravei alguns episódios do podcast sobre esse tema).

O livro tem 9 ensaios sobre temas diversos, mas que se conectam entre si. Ela fala sobre casamento (uma visão com a qual me identifico demais sobre essa indústria milionária e performática que o casamento virou e sobre a não vontade de fazer parte de tudo isso. É possível viver com uma pessoa sem a necessidade de uma formalização, viu?); a respeito de mulheres “difíceis” e de como esse tipo de mulher quando está exposta na mídia, especialmente, tem suas vidas controladas e julgadas e de que como o sexismo está presente em tudo; sobre a construção das personagens mulheres na literatura (meninas que desejam viver grandes aventuras como Anne de Green Gables, adolescentes que começam a perceber que seu único destino é o casamento e mulheres adultas que lidam com a enfadonha vida de viver para marido, casa e família.

Ela também fala sobre sua experiência de participar de um reality show enquanto ainda era adolescente, sobre sua criação religiosa e sua experiência com drogas e sobre a cultura do estupro perpetuadas nas universidades através das fraternidades, além de falar das gerações de golpistas que se dão bem (como Trump e Bezzos).

Eu não queria terminar esse livro tão rápido (e nem foi tão rápido assim) e adoraria poder ser amiga da Jia, comer um lanche conversando com uma mulher tão inteligente, aqueles papos em que a gente mergulha nos assuntos e esquece de tudo ao redor. Sinto que termino essa leitura querendo ler mais autorAs mulheres (salvei todas as referências que ela cita no livro) e quero muito escrever mais, organizar melhor as ideias, colocar o que penso pro mundo, debater, estudar e aprender. Se eu pudesse recomendar só um livro pra você ler esse ano, certamente seria esse.

Pausas, análises, processos

Daqui a pouco faz um mês que eu não escrevo aqui. Acho que todos nós meio que perdemos a dimensão do tempo e a sensação é que agosto, o “mês eterno” passou num piscar de olhos. Que ano! E por que eu não tô escrevendo? Por que a escrita tá travada. Eu sento aqui, abro os muitos rascunhos que estão salvos, mas nenhum deles parece fazer sentido. Sabe quando você quer muito fazer uma coisa mas parece que algo te impede? É essa a minha sensação.

Tenho pensado muito sobre tudo isso: sobre as pausas, análises e processos pelos quais minha vida tem passado e entendido como eu funciono, compreendido melhor meus momentos, meu ritmo, como a vida acontece pra mim e tirando o peso da comparação com a vida de outras pessoas. Na internet é muito fácil a gente se comparar. E isso acontece por que nas redes a gente só vê o resultado, não o processo. A gente vê um pedacinho do que a pessoa é, a pontinha do iceberg de toda uma complexidade que é ser humano e achamos que “pra fulano tudo é fácil” quando na verdade criamos nossos avatares nas redes e fazemos uma curadoria do que compartilhamos.

No livro “Falso Espelho”, Jia Tolentino traz um conceito de teoria identitária muito interessante, de um sociólogo chamado Erving Goffman. Essa teoria fala diz que estamos representando o tempo todo em nossas interações sociais, como forma de criar uma impressão no público. Não que façamos isso de “má fé”, mas é natural que ajamos de formas diferentes, tipo quando a gente tá passando por um problema pessoal, mas no trabalho performa como se tudo estivesse bem (confesso que sempre tive muita dificuldade nisso). Goffman fala também quem em casa podemos ter a sensação de de não estarmos representando, de senti que estamos nos bastidores e isso faz muito sentido, ne? E olha só se não tem a ver com nosso comportamento nas redes sociais! Quem nunca olhou pra uma pessoa nas redes e pensou “essa pessoa ao vivo não é nada disso”? Esse livro tem me feito pensar muito e agora tô até lembrando de um vídeo que eu provavelmente já compartilhei aqui, mas acho que ilustra isso da performance nas redes.

Se por um lado temos acesso a muita informação, à possibilidade de conhecermos novas pessoas, culturas, de mostrar nosso trabalho, de dar voz a cada mais pessoas e causas, de ampliar nossa percepção do mundo, também estamos exaustas. O excesso de informação suga a nossa energia, faz com que tenhamos conhecimento de coisas sobre as quais não temos controle e não podemos mudar e de perceber toda a nossa impotência. Amplificamos nossas vozes através das redes sociais ao mesmo tempo em que criamos a ilusão da ação. Achamos que só o trabalho digital é importante e é claro que ele tem força, mas esquecemos que um discurso sem ações políticas e práticas, não provoca as mudanças significativas que queremos e precisamos no mundo.

E aí que entra a importância da pausa e da análise do que a gente tem feito. Essa é uma ação que precisa ser realizada com uma certa frequência para que possamos fazer os ajustes em nós e na direção na qual desejamos seguir. Só que essas análises precisam ser feitas sem pressa. Não é do dia pra noite. São processos diversos. Alguns levam mais tempo, outros menos. E se não respeitamos isso, criamos nossas personagens e vivemos uma vida que não é nossa, que é sobre o outro: suas opiniões e expectativas do que devemos ser.

Por aqui sigo num momento de revisão. Estar prestes a completar 32 anos tem me feito pensar onde cheguei e onde quero chegar, se faz sentido performar quem sou hoje ou se existem máscaras que precisam não apenas ser despidas, mas jogadas fora porque hoje não condizem com quem sou.

Ps. esse é o assunto também do Episódio 23 do Podcast. Para ouvir, clique aqui:

Comprei um leitor digital

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Esse foi o primeiro livro que li

Mês passado me rendi ao leitor digital depois de muito tempo pensando se comprava ou não. Tenho muita dificuldade em ler no computador/celular porque o acesso à internet acaba sendo uma distração e embora tenha uma pilha grande de livros físicos na espera de leitura, também tenho bastante material de estudo de assuntos pelos quais me interesso que estão disponíveis na versão digital. Então, depois de muito tempo pensando nos prós e contras, decidi adquirir um Kindle, o leitor digital da Amazon.

Como escolhi? Pelo preço. rs. Entre o modelo comum e o PaperWhite, a diferença de valores era de quase o dobro. Como a diferença entre eles era a questão da luz embutida, não achei algo tão relevante para a minha necessidade e optei pelo modelo sem luz. Perguntei no instagram sobre o que as pessoas achavam a respeito dos leitores, se usavam, quais as vantagens que viam nele e a maioria me disse que um dos pontos mais positivos é que passaram a ler mais depois de adquirir o aparelho.

Vou listar então alguns pontos positivos e negativos pra quem está na dúvida sobre investir ou não em um leitor digital.

Positivos:

  • Tem bastante autonomia de bateria;
  • É pequeno e poder ser carregado sem dificuldades além de ocupar pouco espaço na bolsa/mochila;
  • Da pra encontrar vários e-books online gratuitamente disponíveis tanto no .mobi (arquivo próprio para o kindle) quanto em pdf);
  • Lê arquivos em pdf e word
  • Tem dicionário embutido onde basta clicar numa palavra para encontrar sua definição;
  • Da pra destacar trechos do livro e fazer anotações da leitura;
  • É possível importar as anotações feitas;
  • A tela não tem brilho e não força a vista nem torna a leitura cansativa;
  • A Amazon tem o serviço de assinatura unlimited onde você pode, por um preço mensal, ter acesso a uma imensa quantidade de livros por um determinado prazo de tempo, como uma espécie de biblioteca

Negativos:

  • Os livros estarem disponíveis apenas em preto e branco (embora isso não seja um ponto determinante, ver a capa e a folha amarelada seria interessante);
  • Só vir com cabo USB, sem o conector para tomada

Sei que muitas pessoas não abrem mão do livro físico por nada, mas no meu caso, depois de tanta resistência por puro preconceito, só tive uma consideração: não ter feito essa aquisição antes. Na verdade passei a ler muito mais, tanto livros digitais quanto livros físicos e ter o leitor digital não me fez abandonar o livro de papel, só passei a ter mais opções pra ler, inclusive livros que as vezes eu não encontrava na versão física.

Além do Kindle, que é o leitor da Amazon, tem também o Lev, da Saraiva e o Kobo, da Cultura. Você pode escolher o que melhor atende suas necessidades (recomendo sempre ver as avaliações sobre eles no youtube, que podem ajudar bastante na hora de escolher). Meu veredito é que foi um bom investimento e que independente de qual seja sua escolha, o importante é seguir lendo.