Um dia de cada vez

Desde que entrei em isolamento social ontem foi um dos dias mais estressantes pelos quais passei. Respirei fundo o dia todo, tretei, chorei… Acho que eu realmente tava precisando desabafar e tirar algumas coisas de dentro de mim. Tem quem pense que quem escolhe “uma vida mais simples” leva tudo com leveza e a gente até tenta, mas não tem santo que dê conta de lidar com certas coisas. Se ontem foi um dia em que só esperei um segundo passar depois do outro, hoje foi bem diferente.

Pinguei uma gotinha de óleo essencial de lavanda no meu travesseiro na hora de dormir e senti que o sono foi revigorante mesmo. Acordei às 05:30 descansada. Aliás o óleo de lavanda é muito bacana pra ansiedade. É barato e dura bastante. O meu tá aqui tem uns 2 anos e só acabou porque eu não sabia que era pra usar só uma gota e despejava o negócio nas coisas.

Tomei um café da manhã, sentei pra finalizar alguns trabalhos, almocei, vi umas notícias e deitei pra ver um filme. Choveu por aqui e o dia ficou nublado, então ao invés de dar uma lida em um material que quero estudar, resolvi ver um filme. Assisti “o estágiário” e gostei bastante. Não sou uma grande crítica e analista de filmes, mas gostei. Me emocionei. Quando deitei pra ver o filme,  gatinha que tá sendo nossa hóspede nesses dias (foi castrada e está em busca de um lar) veio deitar comigo. Aliás ela tem ficado grudada em mim desde a semana passada, que é quando resgatamos e castramos e eu que nunca fui a pessoa dos gatos tô encantada com a fofurice desse bichin.

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Esse serzinho dorme o dia todo…

Hoje tô vencendo a preguiça e indo me exercitar nem que seja um pouquinho. E também tô entendo que meu ritmo tá mudando porque meu período menstrual tá chegando e desde que entendi que nessa fase as coisas funcionam de maneira diferente pra mim, tá sendo mais fácil lidar com algumas questões. Seguimos por aqui, um dia de cada vez,  hoje respirando mais leve, afofando gatinhos e catioros. Amanhã eu espero pra ver como vai ser.

Sobre dias que são duros

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Inspiro. Expiro. Ufa. Que bom é poder respirar sem ter o nariz entupido. Essa noite mal consegui dormir com a alergia atacada. Só me lembro de tentar cochilar sentada encostada na parede, mas não deu muito certo. E não é corona. É rinite mesmo. Minha cabeça dói. Meu ombro também. Lembrei que quando eu era mais nova bastava dormir pra dor de cabeça passar. Hoje, aos 31, se eu durmo com dor de cabeça, acordo com ela também. Só passa depois de tomar algum remédio.

Inspiro. Expiro. Minha respiração não tá das melhores. Parece que a densidade do ar anda mais pesada. O ar entra pelas minhas narinas pra poder me manter viva e o solto esperando tirar de mim também essa angústia de não saber o que fazer nem o que esperar.

São duas da tarde e já perdi as contas de quantas vezes respirei fundo, bem fundo. Parece que hoje tá chovendo pepino, que as pessoas estão mais grosseiras que o normal, entendendo tudo como elas querem. E aí eu respiro mais e mais fundo e parece que não tem ar suficiente pra dar conta de tudo isso. Fecho os olhos pensando que ao abrir tudo vai estar diferente, mas tá igualzinho.

Abro um site pra ler notícia: não dá pra manter o otimismo. Tô me comprometendo a ver notícias só em alguns momentos, de preferência umas 2 horas depois que eu acordo, pra não começar o dia já ansiosa. Prefiro me iludir pelo menos por umas duas horinhas. Decidi que não vou me exercitar hoje não. Passei um creme no cabelo, tomei banho mais cedo e fui ler um livro. Aí me dei conta que talvez eu não esteja lendo tanto porque a vista não tá lá essas coisas e o médico desmarcou a consulta por causa do risco de contaminação.

Ouvi um pedaço de um podcast que falava sobre como a dor de cabeça também está relacionada com a ansiedade e a tensão. É, faz sentido.Não quis tomar remédio e o banho deve ter me ajudado a relaxar, porque tô sentindo só um fundinho da dor. Dias como os de hoje me fazem pensar que as vezes a gente só vai vivendo um segundo depois do outro até dar a hora de dormir e espera que amanhã seja pelo menos um pouquinho diferente.

 

Decidi escrever um diário de quarentena e compartilhá-lo aqui como uma forma de colocar ordem nos pensamentos e sentimentos.