4 séries levinhas para você assistir

Se você, assim como eu, tem procurado assistir filmes e séries mais leves pra distrair a cabeça, vai gostar bastante dessas 4 indicações. Uma das coisas que mais gostei nessas séries é sobre as relações de amizade. Acredito que devam existir histórias assim na vida real e deve ser muito bom saber que independente da circunstância, da hora e do local, podemos sempre contar com essas pessoas nas nossas vidas. E isso inclui dividir com elas os momentos bons e de diversão, mas também os momentos difíceis ou aqueles em que nem sempre concordamos com que a outra pessoa faz. Tá aí uma coisa que eu admiro muito nessas personagens mulheres. Vamos lá pras indicações:

1- Doces Magnólias

Esse é o tipo de série bem levinha, que faz a gente sentir saudade dos tempos em que só precisávamos lidar com nossos conflitos pessoais sem estar passando por uma pandemia com um governo como o nosso. A série mostra a vida de três amigas de longa data que moram numa cidade pequena: seus trabalhos, suas vidas pessoais, mas especialmente o vínculo que elas tem e mantem ao longo os anos. Como comentei anteriormente, acho muito legal poder ter amizades de longa data.

2- Amigas para Sempre

Essa série conta a história de duas amigas que se conheceram na infância e formaram um vínculo forte e profundo de amizade. Uma coisa que gosto é que a série mostra o presente e o passado delas, então está sempre indo e voltando no tempo o que deixa tudo bem dinâmico. Apesar de achar que muitas vezes Tully é abusiva com Kate, acho legal a forma como elas são suporte uma pra outra (especialmente a Kate para a Tully, que veio de uma família desajustada, com uma mãe viciada). Outra coisa que adoro é o visual anos 80, que sou apaixonada. Queria ter vivido minha juventude nessa época. Já estou ansiosa pela nova temporada.

The Bold Type

Essa série conta a história de três amigas que se conheceram no trabalho em uma grande revista de moda e mostra um pouco do dia a dia no trabalho e também seus dilemas pessoais. Gostei muito dos temas abordados: feminismo, imigração, poder, câncer, relações familiares, relacionamentos com grandes diferença de idade. E as três são super unidas e isso é muito gostoso de ver. Assisti as 4 temporadas num piscar de olhos e já estou esperando a 5ª e última.

Virgin River

Esse é um tipo de série aconchegante, sabe? Ela conta a história da Mel, que se muda de uma cidade grande pra trabalhar como enfermeira em uma cidadezinha chamada “Virgin River”. Ela retrata bem as cidades do interior em que todo mundo conhece todo mundo e embora em cidade pequena a fofoca role solta, também tem coisas boas como a solidariedade entre os moradores. Na série o pessoal tem o bar do Jack como ponto de encontro da cidade. Mas não pensem que só de tranquilidade se vive em Virgin River. Também tem muito b.o., mas ó, vale a pena demais assistir.

Focar nessas programações mais leves tem ajudado a enfrentar a realidade não tão fácil que a gente tá vivendo. Ter esses momentos pra relaxar e descansar é muito importante. Espero que gostem das dicas.

Infoxicação

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O isolamento social alterou muito a nossa forma de consumir conteúdo. Separados dos nossos amigos e muitas vezes trabalhando em casa, o que resta é fazer uso da internet e das redes sociais pra conversar, distrair e se informar. Mas que tipo de informação temos consumido e qual o impacto dela nas nossas vidas?

Com a maioria das pessoas com quem tenho conversado sobre esse assunto, a alegação é sempre de exaustão mental: é informação demais pra gente assimilar!  E não é só isso. As circunstâncias sob as quais estamos não favorecem a assimilação de todo esse assunto:  é o medo de contrair o vírus e de contaminar outras pessoas, o fato de estarmos afastados de quem amamos, preocupações com dinheiro, família, amigos, trabalho, toda a incerteza de quando as coisas voltarão ao “normal”… Tudo isso tem nos abalado ao ponto de às vezes passarmos um dia inteiro sem conseguir fazer nada.

E tem mais: abrir as redes sociais, ver gente acordando cedo e se exercitando,  pode ser um gatilho. Em conversa com amigas, muitas disseram ter parado de seguir alguns perfis, especialmente os fitness que, por mais que possam ter o intuito de ajudar a exercitar em casa, por exemplo, acabam trazendo um sentimento ruim, de que não estamos esforçando o bastante para cuidar de nós mesmas. Mas com a saúde mental abalada fica difícil ter disposição para fazer qualquer outra atividade. Esse excesso de informação que temos consumido tem nos gerado ansiedade, frustração e comparação com a vida de outras pessoas, porque o feed das redes se tornou a nova “grama do vizinho”.

O termo “infoxicação” foi criado pelo físico espanhol Alfons Cornellá em 1996 para explicar os efeitos do excesso de informação: ansiedade e estresse. Uma pesquisa realizada pela Opensignal, que monitora o uso de telecomunicação no mundo, mostrou que no Brasil a penúltima semana de março foi a que mais registrou um aumento na porcentagem de uso de Wi-Fi desde o início do ano, fechando com uma taxa de 70,1%.

Assim como o corpo precisa de descanso a nossa mente também precisa, mas acabamos não nos preocupando com o impacto que o excesso de informações pode causar na nossa saúde mental. Nos mantermos informados e em contato com nossos amigos e familiares através das redes sociais é importante nesse momento, mas precisamos estabelecer um limite para que nossa saúde mental não vá pelo ralo.

O que fazer então? Reservar alguns períodos do dia para acessar a internet e optar por ler as notícias ao invés de assisti-las (por que sempre tem o tom que pode bastante alarmante – não que a situação não esteja caótica, mas ler pode ser melhor); tentar se dedicar a atividades que exijam atenção e presença (atividades manuais, pintar, desenhar, organizar os armários, livros) também pode ajudar a aliviar a tensão e focar nossa mente em uma coisa por vez; ver uma série ou filme também pode ajudar a aliviar um pouco a preocupação com a situação do momento. Se não há outra coisa a ser feita além de mantermos os cuidados e evitarmos sair de casa,  que consigamos pelo menos reconhecer nossos limites e cuidar da nossa saúde mental nesse momento tão desafiador.

 

Amizades

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Pedalar me trouxe muitas coisas boas e uma delas foi perceber a receptividade das pessoas por onde a gente passa. Lembro que uma vez que pedalei de uma cidade até outra e no meio do caminho paramos (uns amigos e eu) pra conversar com um senhor que acabou nos oferecendo biscoitos quentinhos, que ele tinha acabado de assar.

Foi numa dessas pedaladas que conheci o seu Homero. Na verdade eu fiz amizade com os cães dele primeiro, Quico e Caco. Sempre que passava pelo bairro que ele mora, na zona rural, parava pra brincar com os doguinhos até que um dia ele estava por lá, parei pra conversar e de lá pra cá ficamos amigos.

De vez em quando a gente se tromba porque ele se divide entre ficar um pouco de tempo na roça e outro pouco na cidade. Quando nos encontramos ele pergunta como estão as coisas, se tá tudo bem com a família e também com a Natália, por que a gente costuma pedalar juntas nesse trajeto. E eu pergunto como estão as coisas e sobre o doguinho, que agora é só o Caco. Quando é tempo de fruta ele manda avisar que se eu passar lá perto da casa dele mas ele não estiver, posso pular a porteira e comer jabuticaba à vontade.

Na gentileza e na simplicidade, uma amizade.

Receitinhas Simples #4: Bolinho da saudade

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Bolo tem esse negócio de trazer um certo conforto pra nossa alma. É como sentir um abraço fofinho que traz boas lembranças. Eu não tenho muitas lembranças de bolo na infância, porque minha mãe não era muito de fazer coisas diferentes. Confesso que morria de inveja das minhas amigas cujas mães faziam coisas diferentes em casa, tipo bolos, tortas e afins. Lembro de um dia que a gente foi fazer trabalho na casa de uma amiga e tinha um bolo que a mãe dela molhou com refrigerante e estava maravilhoso. Aqui em casa era sempre o básico… Talvez seja por isso que eu goste tanto de cozinhar.

O bolo de fubá é um clássico aqui do interior, recheado com goiabada e tudo o que se tem direito, mas hoje eu quis fazer esse bolo porque ele me lembrou aquela “broa mimosa” que nunca mais comi depois que me tornei vegana porque leva um monte de ovo e nunca achei nenhuma versão dela sem ovos. Geralmente eu faço o bolo de fubá com côco ou goiabada, mas pra lembrar do gostinho da broa, fiz o bolo com erva doce na massa, um pouquinho só pra ela não se sobressair e ofuscar o fubá.

Hoje o dia amanheceu todo nublado, ventou forte, até uma árvore de um terreno aqui perto de casa caiu. Deu uma chuviscada e o dia se manteve assim. Dias assim me deixam melancólica, então, nada como um bolo com café quentinho no final do dia pra gente se sentir abraçacinha e acalentada.

A receita:

2 xícaras de fubá mimoso (farinha de milho fina)

1 xícara de farinha de trigo

trigo 3/4 de açúcar demerara

1 pitadinha de sal

1 colher (sopa) de fermento

1/2 de óleo vegetal (uso de girassol)

1 + 1/2 xícara de água

1 colher (sopa) de vinagre de maçã

Goiabada picadinha, ou côco ralado ou erva doce pra colocar na massa.

Assar em fogo baixo ( 180º) por cerca de 40 minutos.

Tudo está

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Nada é. Tudo está.

Semana passada um assunto ficou bem evidente pra mim: que a gente não tem controle e que tudo é impermanente. Assino uma newsletter de budismo que só vi ontem a noite e que falava disso também. Não sei se acontece por aí, mas de vez em quando alguns assuntos “aparecem” por todo canto pra mim, meio que reforçando a ideia, mostrando outras perspectivas, me ajudando a compreender melhor o conceito.

O texto de ontem falava que entende  a impermanência é mais fácil do que vivenciá-la, na prática, por que temos a falsa sensação de controle (falei disso no último episódio do podcast) e que é por isso que a gente sofre tanto. Queremos tanto segurar o momento que não o aproveitamos com tudo o que ele tem. Nos preocupamos em como será quando esse momento passar e quando percebemos, ele passou.

Uma vez li também que nós somos instantes. Nossa existência é pequena se comparada com a eternidade. Então mesmo que vivamos 100 anos, teremos vivido apenas instantes através dessa perspectiva. E o que a gente faz dos nossos instantes? O que faz com que nosso tempo passe tão rápido que nem percebemos?

Se a vida é sobre o que e onde a gente coloca nossa atenção, já pensou onde anda a sua?

Receitinhas Simples #3: Chantilly de Café

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Comida é afeto. Não é só sobre nutrientes, calorias e ingredientes, mas sobre alimentar a nossa alma também. Gosto muito de cozinhar e embora tenha aprendido o básico com minha mãe sempre gostei de testar receitas diferentes. Eu adoro arroz com feijão, mas sinto que preciso testar novas receitas ou até mesmo explorar novas possibilidades dentro de um prato que já costumo fazer. É quase que uma necessidade básica, como se na cozinha eu pudesse desbravar o mundo enquanto não posso sair por aí. As vezes experimento usar outra base ou um tempero diferente e vou vendo como fica.

Lembro que quando me tornei vegana a primeira pergunta que me fiz foi: “nossa, mas e agora, eu vou comer o quê?” e 4 anos depois percebi que aprendi e aprendo tanta coisa maravilhosa na culinária vegetal que só posso pensar no quanto a gente é restrito e usa sempre os mesmos ingredientes na culinária tradicional. Mas não é disso que quero falar. Não hoje.

Essa semana vi duas pessoas fazendo uma receita bem parecida de “chantilly de café”  ou “dalgona coffee” que é uma espécie de creme pra se misturar com leite. Ontem eu fiz e foi quase como voltar no tempo. Não lembro exatamente quando aprendi essa receita, mas me recordo de ter tomado com minha amiga Natália num dos nossos cafezinhos da tarde (que na verdade aconteciam sempre a noite). A gente não se vê desde o início das orientações de isolamento, então tá ai pra uns 20 dias. E logo a gente que se via toda semana. Então quando tomei ontem a tarde no meu leite vegetal, com um bolinho de cenoura pra acompanhar, lembrei por que as pessoas gostam tanto de café: por que ele simboliza afeto.

Um café remete a encontro, partilha. A gente sempre oferece um cafezinho como forma de “aconchego” porque o café traz essa sensação pra gente. Embora eu não seja entendida de café e não seja uma grande consumidora, é sobre o gesto, não só sobre a bebida em si. Então, nesse isolamento, ter feito esse chantilly de café me fez voltar no tempo, um tempo bem menos duro. Já prometi pra Natália que nosso primeiro encontro pós isolamento vai ter esse cafezinho pra gente recordar.

A receita:

200 ml de água gelada.

1 xícara de açúcar

50g de café solúvel (4 colheres de sopa)

Bate tudo na batedeira até dar a textura do chantily

Armazenar no congelador (rende bastante)

Ps. se na sua casa não tiver muita gente pra consumir, recomendo fazer meia receita.

Fases

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Eu não sabia que era pico de abundância de borboletas nessa época. Nunca tinha reparado nisso até que no mês passado encontrei muitas lagartas e muitas crisálidas na minha casa. Só no espaço da escada e da cozinha contei mais de 10 casulos. Aí que ontem consegui registrar essa que depois de pesquisar, descobri que tinha recém saído da “casinha”. Li que uma vez fora do casulo as borboletas levam de 2 a 4 horas pra poder voar e que durante esse período, bombeiam fluidos para todas as partes do corpo, que ainda estão comprimidas pela posição da pupa e que é só quando esse processo está concluído que “nascem”, de fato, as borboletas.

Costumamos usar as borboletas pra falar sobre nossos processos de mudança. Com elas entendemos que precisamos “morrer” para algumas coisas pra poder nascer para outras. Só que não é fácil, né? Abrir mão de tudo o que nos é conhecido e mergulhar em algo que não sabemos no que vai dar é um desafio e tanto. Achamos que temos controle sobre tudo, mas a verdade é que a gente não controla nada. Imagina se a lagarta resistisse a querer viver algo que lhe é natural e necessário? Se ela se recusasse a virar pupa para se transformar em uma borboleta? Mas é o que a gente faz.

Por desejar manter o controle e ficar onde é “conhecido”, a gente evita mergulhar fundo e fica só na superfície, nos privando de tudo o que poderíamos ser. Só que eu falo sobre isso sabendo que eu também tenho medo e que mudar, pra mim, não é fácil. Mas juro que tô tentando, todos os dias dias, me despir de conceitos, condicionamentos, ideias, e fórmulas e entendendo que de vez em quando vou precisar entrar no meu casulinho e me desligar de tudo pra poder me conhecer melhor, entender o que e quem eu sou, pra depois poder sair e voar por aí.

Casa

Sou uma pessoa visual e sempre quis que minha casa atendesse aos meus gostos estéticos. A casa onde moro é própria e foi construída num momento em que a gente precisava se mudar, já que a casa onde vivíamos anteriormente tinha apenas três cômodos. Quando fomos construí-la, 20 anos atrás, não pensamos na estética (naquela época eu ainda era criança e nem palpitava em nada) e agora, 20 anos depois, fazendo a reforma, consegui opinar e colocar um pouquinho do que eu gosto também.

Hoje acordei e me deparei com um texto muito bacana da minha amiga Natália que falava sobre o fato de que nossa casa é sempre uma memória afetiva. Já conversei aqui antes sobre o quanto essa reforma + mudança pra casa que era da minha avó mexeu e remexeu nas minhas memórias e acho que tudo isso vem ressignificando muitas coisas dentro de mim.

Durante a obra estamos aqui na casa da minha avó, uma casa que passou por muitas transformações ao longo dos seus pelo menos 70 anos de existência.  Quando a casa foi feita os recursos eram mínimos e com o passar do tempo e a melhoria da condição financeira, algumas mudanças iam sendo feitas para abrigar as 13 pessoas que viveram aqui. E estar aqui é respirar memórias. Hoje estou no quarto que era dos “meninos”, dos meus tios, minha mãe está no quarto que foi da minha avó e meu irmão no quarto da nossa tia, que continuou morando nessa casa com minha avó.  Todos seguiram suas vidas, minha avó e essa tia que moravam aqui já faleceram, mas tem muito de todas essas pessoas aqui.

Cada marca, cada mancha, cada furo de quadros e porta retratos que estão os montes pendurados na parede contam uma história. Os móveis que nos acolheram nesses anos, mas especialmente a cozinha (essa merece uma reflexão especial), estão carregados de memórias e olhar pra eles de perto é reviver tudo isso. É perceber que tudo muda, que a gente cresce, amadurece e entende que um lar é sempre onde nosso coração está. Não importa se é uma casa chique ou uma morada simples, o que conta mesmo é o que a gente vive, constrói e divide dentro desse espaço.

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Bob, um dos meus cachorros e esse fogão à lenha que nos aqueceu por tantos anos. As marcas na parede dizem que muitas bocas foram alimentadas e muitas mãos foram aquecidas por aqui nos dias frios… 

A luz de outono

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Das muitas coisas que eu gosto, esse sol de outono, sem dúvidas, é uma delas. Não sei se é necessariamente esse tom alaranjado que me agrada muito esteticamente ou se é pelo fato de que o temo vai refrescando e essas novas colorações anunciam uma nova estação, ou ainda que é porque outono é um momento que nos convida a ir sossegando e aquietando, esperando a entrada do inverno chegar…. Na verdade acho que é por tudo isso junto. 

Nunca fui muito ligada a essa coisa de estação, mas sinto que depois que passei a pedalar, caminhar e a estreitar meus laços com a natureza, hoje percebo mais facilmente suas transições através dos detalhes: da temperatura que baixa ou aumenta, do dia que fica mais curto ou mais longo, e observando a natureza sinto que consegui também me entender melhor.

Cada estação nos remete a determinados movimentos: o outono e o inverno, por exemplo, nos convidam ao recolhimento, nos fazem querer comer coisas mais quentes, ficar mais em casa e estar mais na nossa própria companhia ou reunidos em grupos menores de pessoas. São períodos que nos deixam mais introspectivos. Já a primavera e o verão nos convidam a recomeçar, a aproveitar a vida fora de casa, a fazer mais atividades, a sentir a água do mar e da cachoeira geladinhas e refrescantes. São períodos mais expansivos.

Já disse que detestava o verão, mas acho que é só porque eu não aproveitava muito bem o que ele tinha a me oferecer: não ia nas cachoeiras e estava há tempos sem ir à praia. E eu também não entendia que a primavera e o verão (e o que eles remetem) são necessários para completar os ciclos dos quais nossa vida é composta. É no outono que eu amo fotografar, que a luz fica douradinha, que o frio é gostoso mas não é tão incômodo. É a “minha estação” o que me faz entender que embora eu entenda a necessidade de expandir, sou uma pessoa mais introspectiva.

Sinto que esse ano antecipamos outono e seu significado: por aqui vou aquietando, deixando ir o que precisa (nem sempre com facilidade) e me preparando para o inverno que logo vai chegar. Mas eu sei que ele vai passar, e que a primavera virá nos mostrando que tudo renasce e que a gente sempre deve seguir em frente.

Sem sair de casa saio caçando a luz pelos cômodos e hoje dei a sorte de fazer esse clique, que uniu duas coisas que gosto muito: a luz do outono e um doguinho.

Um dia de cada vez

Desde que entrei em isolamento social ontem foi um dos dias mais estressantes pelos quais passei. Respirei fundo o dia todo, tretei, chorei… Acho que eu realmente tava precisando desabafar e tirar algumas coisas de dentro de mim. Tem quem pense que quem escolhe “uma vida mais simples” leva tudo com leveza. A gente até tenta, mas não tem santo que dê conta de lidar com certas coisas. Se ontem foi um dia em que só esperei um segundo passar depois do outro, hoje foi bem diferente.

Pinguei uma gotinha de óleo essencial de lavanda no meu travesseiro na hora de dormir e senti que o sono foi revigorante mesmo. Acordei às 05:30 descansada. Aliás o óleo de lavanda é muito bacana pra ansiedade. É barato e dura bastante. O meu tá aqui tem uns 2 anos e só acabou porque eu não sabia que era pra usar só uma gota e despejava o negócio nas coisas.

Tomei um café da manhã, sentei pra finalizar alguns trabalhos, almocei, vi umas notícias e deitei pra ver um filme. Choveu por aqui e o dia ficou nublado, então ao invés de dar uma lida em um material que quero estudar, resolvi ver um filme. Assisti “o estágiário” e gostei bastante. Não sou uma grande crítica e analista de filmes, mas gostei. Me emocionei. Quando deitei pra ver o filme, a gatinha que tá sendo nossa hóspede nesses dias (foi resgatada, castrada e vamos colocá-la para adoção) veio deitar comigo. Aliás ela tem ficado grudada em mim desde a semana passada, que é quando resgatamos e castramos e eu que nunca fui a pessoa dos gatos tô encantada com a fofurice desse bichin.

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Esse serzinho dorme o dia todo…

Hoje tô vencendo a preguiça e indo me exercitar nem que seja um pouquinho. E também tô entendo que meu ritmo tá mudando porque meu período menstrual tá chegando e desde que entendi que nessa fase as coisas funcionam de maneira diferente pra mim, tá sendo mais fácil lidar com algumas questões. Seguimos por aqui, um dia de cada vez,  hoje respirando mais leve, afofando gatinhos e catioros. Amanhã eu espero pra ver como vai ser.