vivendo uma vida mais simples

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Dia desses me peguei pensando sobre todo esse caminho que venho trilhando desde que conheci a proposta de viver uma vida mais simples. São 7 anos em que tudo se transformou de uma maneira tão intensa que parecem existir duas pessoas: a que viveu antes e depois desse processo.

É claro que com toda essa bagagem a gente segue revendo, amadurecendo, aprendendo e adaptando tudo o que esse viver mais simples propõe. Sinto que começamos querendo nos desfazer de tudo loucamente, meio que como uma forma de organizar a nossa bagunça e quem sabe, no meio a tanta coisa acumulada, encontrarmos partes de nós que achávamos estarem perdidas.

Já desfiz de muita coisa, assim como adquiri outras. Entendi que reduzir coisas é só uma pequena parte desse processo que, simbolicamente, nos convida a esvaziar espaços dentro de nós mesmas que vivem acumulados: muito trabalho, muitas atividades, muitas pessoas. Essa vida simples que a gente busca não é sobre abandonar tudo e morar no mato. Tem mais a ver com se conhecer melhor e se sentir confortável com quem você é, e com suas escolhas. É sobre a gente despir as máscaras que criamos para que sejamos aceitas e nos sintamos parte de um todo, para finalmente assumir nossa verdadeira identidade e viver de acordo com o que toca nosso coração.

Experimentei muitas fórmulas pra simplificar, mas só consegui essa “vida mais simples” quando abracei minha história, reconheci meus limites, aceitei meus defeitos e parei de comparar a minha jornada com a de outras pessoas. Quando me libertei da ideia que tinha sobre simplicidade compreendi que todos podemos ser mais simples independente de onde estejamos ou de quantas peças de roupas tenhamos. Entendi que a gente tem coisa demais porque acredita que a felicidade está nelas e que talvez se começarmos a procurar em outros lugares, nas experiências, nos pequenos detalhes, talvez a felicidade esteja mais perto do que a gente imagina.

 

A gente muda

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Uma amiga levou 10 anos pra construir sua casa. Me recordo da época da faculdade quando ela deu início à obra e dos planos que tinha pra construção. Nesse meio tempo, muitas coisas dentro do projeto mudaram e, conversando com ela depois da mudança pra casa nova, ela me disse que hoje faria uma construção completamente diferente da que fez. Não que ela não esteja feliz com essa conquista, mas sua percepção das coisas e seus gostos se transformaram muito nesses anos.

Quanto mais resistimos a mudança, mais a vida parece ficar amarrada. Sabe quando você tem um desejo e depois de um tempo trabalhando na sua realização percebe que talvez ele não faça mais sentido pra pessoa que você é hoje, mas pensa “poxa, eu tô quase lá, não posso desistir agora”? Será que não pode mesmo? E se não, por quê? Claro que existem algumas questões a serem levadas em conta, se não é a exaustão do processo, mas precisamos entender que está tudo bem abandonar projetos que não estão afinados com quem somos hoje.

Não é sinal de fracasso abandonar algo que não tem mais sentido na nossa caminhada. Aliás, eu diria que é muito corajoso encarar os fatos e fazer mudanças que estejam alinhadas com a pessoa que nos tornamos porque não estamos “finalizados”. A vida está acontecendo a todo instante e a gente segue passando por ela, mudando todo dia. O tempo todo estamos nesse processo de revisão e adaptação e resistir a isso é resistir à fluidez da vida.

Acontece que viemos de uma geração que tinha essa vida muito bem esquematizada: estudar, conseguir um bom emprego, formar família, aposentar… Só que tudo mudou e tudo está mudando o tempo todo. Existem outras possibilidades. Talvez casar e ter filhos não faça parte dos seus planos e tudo bem. Você não precisa ter uma carreira só a vida toda, dá pra mudar a qualquer hora ou trabalhar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Você também pode continuar se dedicando a projetos que são importantes pra você, independente da sua idade.

Podemos reescrever o roteiro da nossa vida a qualquer instante. Nada é definitivo. Desapegar de quem fomos e abraçar quem estamos nos tornando nos deixa mais leves pra seguir o fluxo da vida. Enquanto houver ar em nossos pulmões, existe a chance de nos renovarmos e de encontrarmos o caminho que nos fará feliz.

Cães: nossos grandes amigos

Os cães tem o poder de nos ensinar a aproveitar o momento. Se divertem com uma garrafa vazia, com uma poça de água ou uma bolinha. Pra eles, não importa se está chovendo ou se tem sol, tudo é uma oportunidade pra brincar e ser feliz.

Quando tive síndrome do pânico e depressão, foram os meus cães que me deram forças pra continuar. Meu compromisso com eles, seja de passear todos os dias ou lhes dar cuidado e carinho me manteve firme quando tudo o que eu queria era desistir. Foram eles que me salvaram, que continuam a alegrar meus dias, que me ensinam a valorizar cada instante e a vivenciar o amor de uma forma leve e desinteressada.

Muitas vezes me peguei pensando em como alguns animais tem a sorte de viver em lares amorosos, onde recebem amor e carinho, enquanto outros já nascem sofrendo ou vivem uma vida dura e de maus tratos. Há alguns anos atuo na causa animal e já vi muitas histórias tristes. Mas também vi histórias de superação e participei de muitas adoções responsáveis e carinhosas e são essas que nos motivam a continuar trabalhando para que todos os animais tenham a chance de viver uma vida digna e amorosa.

Cada animal que passou pela minha vida deixou uma lembrança especial, mas todos me ensinaram a viver o presente da melhor maneira que puder. Todos eles me mostraram que o que realmente importa é quem somos e não nossas posses e que nosso afeto é o que de mais valioso temos para oferecer. E que tudo bem se a nossa roupa se sujar e nossa casa se encher de pêlos – por que com o passar do tempo não vai ser de uma roupa que vamos nos lembrar, mas do amor que recebemos e dos bons momentos compartilhados.

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Te amo, Rebinha! Que você esteja correndo e brincando nos laguinhos, onde quer que esteja

Alguns dias são duros…

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Tem dias que a vida parece um emaranhado. Começa com uma coisinha dando errado e de repente parece que o mundo inteiro está contra nós. Tudo sai da linha e a sensação é de que perdemos o controle de tudo. Esses dias são aqueles em que a gente só tem vontade de deitar na cama e esperar a maré de azar ir embora. São nesses dias também que temos a sensação de que as 24 horas disponíveis se tornaram 48. Que dias!

Venho tentando encontrar um alívio pra dias assim: reduzir a quantidade de trabalho (já que parece que tudo não conseguir ir pra frente) e me ater à tarefas básicas, tirar uns minutinhos de descanso depois do almoço (pra ler ou tirar um cochilo), respirar fundo várias vezes, dar uma volta por aí pra ver coisas diferentes, afofar um doguinho, ler um trechinho de um livro, comer algo que gosto e se sobrar tempo quem sabe ver um episódio de uma série. Ainda que essas não resolvam nossos problemas, elas pelo menos podem nos aliviar um pouco da tensão e, com a cabeça aliviada, talvez seja até possível encontrar alguma solução para o que nos aflige.

Gosto muito da história por detrás da frase do Chico Xavier de que “isso também passa. E de fato, tudo passa mesmo, os bons e os maus momentos. Mas os dias felizes são tão gostosos que a gente nem os percebe passar, ao passo que os dias difíceis parecem infinitos enquanto duram. Se não há o que fazer, nos resta exercitar a paciência e esperar pelos dias melhores, sabendo que entre eles também muitos outros dias duros virão e que a vida é sobre se equilibrar no meio desses acontecimentos.

E, pra gente não perder a fé, que encontremos alento naquilo que faz nosso coração ficar quentinho, na companhia de quem amamos, na pausa, no respiro e na certeza de que a vida continua e pode ser boa, apesar dos dias difíceis.

Não dá pra ter controle de tudo

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… E como é libertador compreender isso!

Por mais que façamos um planejamento prévio de nossos projetos, pode ser que fatores externos façam com que nossos planos não saiam exatamente como havíamos imaginado. Ao traçar um caminho é sim mais fácil lidar com situações imprevistas, mas também é preciso aprender a soltar e a se adaptar ao que nos acontece e está fora de nosso controle.

Aprender a confiar na vida e acreditar que tudo concorre para o nosso bem, nos permite lidar melhor quando as coisas não acontecem da forma como gostaríamos. Confiar na vida não significa abrir mão do livre arbítrio, de fazer escolhas e planos, mas compreender que por mais que tenhamos pré-estabelecido uma direção, às vezes é preciso desviar a rota e seguir por outros caminhos que, de alguma maneira nos permitirão viver experiências (algumas incrivelmente boas, outras um tanto desafiadoras) essenciais para nosso aprimoramento.

Na última semana vivi uma experiência que fez com que eu precisasse me adaptar à uma situação inesperada. Respirei fundo e percebi que de nada adiantaria brigar e gastar energia já que não mudaria em nada a situação na qual estava inserida. Precisei então me adequar ao que poderia ser feito no momento e mantive a tranquilidade compreendendo que, por alguma razão, essa era uma experiência que eu precisei vivenciar.

Agir dessa maneira é um aprendizado muitas vezes desafiador. Tendemos a querer manter o controle e a desejar que todas as coisas aconteçam exatamente como imaginamos. Muitas vezes dá certo, mas muitas vezes não. E é nesse momento que precisamos manter a tranquilidade e pensar no que pode ser feito diante da circunstância em que nos encontramos. Assim, temos a sensação de que a vida flui com mais leveza apesar dos desafios que podem vir a aparecer em nosso caminho.

 

E-book Viva um Ano mais Consciente

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Desde que me entendo por gente gosto de escrever. Já tive muitos diários, vários blogs já escrevi poesias, colunas em jornais… Enfim, foram muitas as coisas sobre as quais falei ao longo de três décadas de vida Ao final do ano passado finalmente realizei algo que tanto queria: lançar meu primeiro e-book!

A ideia de escrevê-lo surgiu de maneira repentina e sua escrita foi um processo ao mesmo tempo intenso e fluido. Esse livro é fruto das minhas experiências vividas e de toda a minha caminhada até aqui, cheia de erros e acertos, como toda vida é. Olhando pra trás consigo perceber o quanto os momentos mais difíceis me proporcionaram aprendizados que me fizeram mudar completamente, me redirecionando, fazendo com que eu me redescobrisse. Não foi fácil, mas não mudaria nada nessa caminhada. Sinto-me feliz com a pessoa que venho me tornando.

Esse livro tem como proposta trabalhar uma aspecto da vida por mês ao longo do ano, nos convidando a realizar pequenas mudanças que nos permitam nos aproximar da vida que desejamos viver! Abordo: autoconhecimento, alimentação, exercícios físicos, finanças, responsabilidade ambiental e social, dentre outros aspectos da nossa vida. São propostas simples e possíveis de serem colocadas em prática pois acredito que pequenos passos nos trazem mudanças menores, porém duradouras.

Sem mais delongas, vou deixar aqui o link para quem desejar adquiri-lo. Seu valor é de R$15,00 e comprando-o você colabora com meu trabalho que já existe nas redes há 7 anos. Espero que gostem e consigam aplicar o que ele propõe. 🙂

Minha jornada por uma vida mais simples

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Seis anos se passaram desde que iniciei minha jornada por uma vida mais simples. Tudo teve início com a síndrome do pânico que me fez rever a maneira como me relacionava com tudo: pessoas, trabalho, consumo e especialmente comigo mesma. Nessa busca por respostas tive o primeiro contato com o minimalismo e vivenciei a experiência de ficar um ano sem compras, o que me fez repensar a forma como lidava com meu dinheiro, as coisas que eu já tinha e o que eu valorizava. Percebia que muitas vezes comprava coisas para satisfazer uma questão emocional, não por necessidade. Se estava triste, comprava algo. Ansiosa? Bastava entrar numa loja virtual e comprar algo que sabia que não precisava só pelo prazer de comprar e quando o produto chegava pelo correio já não tinha mais graça. Nesse hiato de compras pude perceber que poderia viver muito bem com tudo o que já tinha e que o dinheiro poupado ao deixar de comprar coisas que não precisava poderia ser gasto de outras maneiras.

Comecei a pensar também no impacto ambiental das coisas que compramos: o que vestimos, o que comemos, que empresas apoiamos. Entendi que não bastava pensar apenas no produto ou serviço em si: era preciso olhar também para os valores dessa organização, suas ações em relação aos trabalhadores, ao meio ambiente e a sociedade. Quando compramos algo de uma empresa é como se disséssemos: “ei, eu concordo com o que você faz e por isso te dou meu dinheiro”. (Reconheço que falo do lugar de quem tem o privilégio de poder escolher de quem comprar enquanto muitas outras pessoas não o podem fazer). A partir disso busquei conhecer mais a respeito das empresas das quais comprava e a fazer escolhas que estivessem mais alinhadas com meus valores, o que significou deixar de comprar de muitas delas por diversos fatores.

No meio dessas mudanças conheci o vegetarianismo e, posteriormente o veganismo e compreendi que ser vegana tinha muito a ver com os valores que norteavam minha vida: sempre gostei de animais, sempre me preocupei com o meio ambiente, com minha saúde e com as pessoas e o veganismo me mostrou que todas essas questões estão conectadas. Foi bom encontrar em um movimento social uma maneira de viver que me permitisse praticar o que eu tanto acreditava e valorizava.

A partir dessa busca por uma vida mais simples conheci também os conceitos de “essencialismo” e de “simplicidade voluntária“. O primeiro nos convida a  “fazer menos, porém melhor” e nos estimula a dizer mais “nãos” para coisas que compreendemos não ter tanta importância a fim de que nos sobre tempo e energia para dedicar ao que realmente tem valor e importância seja no nosso trabalho ou na nossa vida pessoal. Sobre o assunto recomendo a leitura do livro Essencialismo, de Greg McKeon. O segundo tem como base cinco pilares:

  1. Simplificação da vida material: menos coisas demandam menos tempo e menos sacrifício financeiro para mantê-las;
  2. Priorização de ambientes e instituições menores estimulando o contato interpessoal e o sentido coletivo;
  3. Autodeterminação: menor dependência de instituições econômicas e políticas e maior controle sobre o próprio destino, ou seja, mais autonomia no viver)
  4. Preocupação ambiental: perceber a conexão e a interdependência entre os seres humanos e o meio ambiente compreendendo a finitude dos recursos naturais e a necessidade de preservá-los;
  5. Crescimento pessoal: todos os 4 aspectos anteriores culminando na evolução pessoal;

Depois de muito estudar sobre, tive a sensação de ter encontrado no conceito de simplicidade voluntária um respaldo para o que experimentei nos últimos anos. Compreendi que através de seus fundamentos somos (e seremos) capazes de viver uma vida que tenha mais valor, onde priorizamos coisas que realmente são importantes não apenas pra nós, mas também para os outros (pessoas, meio ambiente, sociedade). Para quem deseja conhecer mais a respeito dele, tenho duas indicações de leitura: “Simplicidade Voluntária”, de Duane Elgin e “Por uma vida mais simples“, de André Cauduro D’Angelo.

Estando em contato com diversos conceitos e aplicando muitos deles na minha vida, entendo que viver uma vida mais simples é uma experiência muito pessoal e que precisamos levar em consideração a realidade em que estamos inseridos para implementar suas práticas em nossas vidas. Por exemplo: dentro do conceito de minimalismo, existem pessoas que implementam o uso do armário cápsula. Ele pode funcionar bem pra uma pessoa e não funcionar pra outras e tudo bem. Acredito ser mais importante compreender o conceito e aplicá-lo nas áreas que julgarmos necessárias.

Li um livro que contava que um advogado conversava com Mahatma Gandhi sobre sua dificuldade em abrir mão de seus livros, que eram algo muito importante pra ele. Então Gandhi lhe respondeu que: “enquanto você obtiver conforto e ajuda interior de alguma coisa, deve mantê-la. Se abrir mão dela como sacrifício ou como senso de dever, você continuará a desejá-la e essa vontade insatisfeita lhe trará problemas. Só renuncie algo quando isso não exercer mais atração em você”Ao mesmo tempo que entendo que não podemos nos forçar a abrir mão de coisas e sair destralhando tudo pra “cumprir as regras do minimalismo” também é preciso ser muito honesto consigo mesmo para reconhecer o que, de fato ainda tem ou não importância na sua vida. Não é sobre um quantidade x de pertences, mas sobre ser livre, apesar de possuí-los.

Sobre certezas

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Eu jurava que chegando à vida adulta teria todas as respostas: saberia exatamente o que fazer, pra onde ir e com quem me relacionar. Na minha cabeça tudo seguiria um plano previamente estabelecido e me caberia viver o resto dos meus dias gozando de uma felicidade tranquila que, apesar dos percalços, não se abalaria; e que a sensação de estar exatamente onde eu deveria estar seria minha companheira diária. Eu teria tudo sobre controle.

A realidade é que cheguei aos trinta sem ter certeza de absolutamente nada. As dúvidas que sempre me acompanharam parecem ter dobrado de quantidade na medida em que meus anos também foram aumentando. São tantas possibilidades à minha frete, tantos caminhos, tantas opções… E com isso mais indecisão: qual deles seguir? Qual vai me exigir menos esforço e me trazer mais felicidade? Seria tão mais fácil se eu tivesse as respostas pra tudo isso ou se alguém pudesse me direcionar… Mas o fato é que escolher (e lidar com suas consequências) não cabe a ninguém além de mim. Essa é a vida adulta. Nem meus pais, nem meus amigos, nem meu companheiro poderão fazê-las por mim. Eu posso ter suporte deles em qualquer decisão que tomar, mas decidir mesmo, é algo que só eu posso fazer. E em meio a tantas  alternativas a maneira mais correta de escolher talvez seja parar de buscar as respostas do lado de fora: nas pessoas, em lugares, no trabalho e voltar pra dentro. Relembrar os caminhos que me trouxeram aqui e as coisas que me tocaram coração, pois elas são uma espécie de bússola para indicar a direção ideal pra se tomar.

E quando falo em direção ou escolha ideal, não digo sobre “certa” ou “errada”, pois entendi que elas não existem. O que existe é a escolha que está mais alinhada com quem somos nesse exato momento. Escolhemos tendo como base as experiências que vivenciamos e tudo depende de como elas aconteceram. E em qualquer caminho que decidamos tomar, não estaremos completamente certos de que tudo sairá como planejado. E tudo bem. A gente pode ajustar, voltar, recomeçar, tentar outra coisa.

No meu aniversário recebi uma carta de uma amiga que me dizia pra não esperar ter nenhuma certeza. Que a vida é uma eterna dúvida e que é a caminhada que compensa o destino. E é assim que pretendo seguir: apreciando a paisagem, fazendo paradas, mudando as rotas, mas nunca deixando de caminhar.

Viver pra depois postar

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Ultimamente venho passando por uma mudança na minha maneira de “existir online”. Na realidade já tem um tempo em que venho refletindo sobre estar conectada demais, sobre como compartilhar conteúdo e sobre a necessidade de postar o tempo todo para ser vista. Já indiquei aqui um vídeo da Nátaly Neri sobre slowblogging que tem muito a ver com esse momento que estou vivendo. Falando nisso,  agora as indicações da semana acontecem no meu instagram @virandovegana.

Acontece que tenho me sentido cansada e também tenho observado muitas pessoas falando sobre sentir a mesma coisa. Sobre como essa necessidade de gerar conteúdo o tempo todo tem exaurido nossas energias, sobre como compartilhamos e consumimos um conteúdo descartável, que em pouco tempo se perde no meio de tanta informação. Um exemplo nítido disso são os assuntos que estão em alta no momento. Ao invés de procurar entendê-los melhor, formular uma opinião e depois decidir se existe necessidade ou não de compartilhar algo a respeito, a gente segue compartilhando meio que sem critério. Entendo que alguns assuntos são super importantes e justamente por isso merecem um pouquinho mais de dedicação e averiguação. Em tempos de fake news, analisar se tornou item essencial.

E nessa de ser mais criterioso e “blogar devagar“, acabamos vivendo o dilema de “ser esquecido”, já que as redes sociais são feitas para que passemos a maior parte do tempo possível conectados a elas gerando conteúdo. Quando essa regra é quebrada, a relevância vai reduzindo. Nessa nosso ego grita e esperneia, porque afinal, a gente quer ser visto. E brinco nesse sentido porque eu entendo que quando queremos que nossa mensagem – o que é importante pra nós e acreditamos que é útil também para as pessoas – chegue a mais lugares, mas o algoritmo nos boicota, ficamos realmente chateados. Mas faz parte. Quem gosta do que a gente faz, fala e produz, acaba acompanhando nosso conteúdo independente desses detalhes.

Desde que vim reduzindo a quantidade de postagens (que começou no ano passado, quando comecei a rever muitas coisas na minha vida), embora meu alcance também tenha se reduzido, confesso que mesmo meu ego se chateando um pouco por não ver os corações e os seguidores aparecendo, sinto que estou mais em paz, sem aquela aflição doida de querer compartilhar tudo o tempo todo, sem querer fazer da vida um reality show e muitas vezes sem aproveitar de fato uma experiência para depois compartilhá-la. Nessa semana assisti uma apresentação musical linda. Filmei alguns trechinhos, guardei e postei no dia seguinte. Me senti bem por, mesmo registrando aquela experiência que tanto me tocou para compartilha-la com outras pessoas depois, consegui estar mais presente e menos preocupada em postar nas redes sociais. Gostei disso e pretendo manter as coisas assim.

Outra coisa muito, mas muito válida mesmo foi ter limitado a quantidade de tempo nas redes, especialmente no instagram que é a rede social que eu mais uso. Delimitei apenas duas horas diárias (que se for pensar é um baita tempo) e depois disso percebi que me sobrava tempo pra fazer outras coisas. Estou lendo e estudando mais e conseguido fazer muitas outras atividades. Bendita hora que comecei a usar essa ferramenta!

Não cogito a possibilidade de excluir todas as minhas redes sociais porque eu gosto de usa-las como uma forma de compartilhar minhas experiências além de aprender com muitas outras pessoas. Mas acho que a gente deve priorizar a nossa vida real, que vem sendo sacrificada em prol de um feed atualizado. Acho que a gente deve curtir o presente, registrar e depois postar, sem a necessidade imediata de compartilhar. Aliás, a gente também pode escolher não postar. Embora estejamos na era do “se não foi postado não foi vivido” podemos escolher o que postar e com quem compartilhar. Não precisamos transformar nossas vidas em um reality show onde cada passo é compartilhado. Manter algumas coisas offline, além de seguro, também faz bem. Algumas felicidades precisam ser vividas apenas do lado de cá da tela.

Confira meu podcast sobre esse tema: