Minha relação com as roupas

Embora eu não costume falar taaaanto sobre isso, me interesso bastante por moda. Esse interesse ficou mais intenso nos idos de 2009 quando conheci uma menina que participou de um quadro no Fantástico chamado “5 meninas e um vestido”. O quadro era um concurso em que 5 meninas de diferentes regiões do Brasil tinham que usar uma peça por 21 dias e a mais criativa ganharia. Achei a proposta super legal e comecei a acompanhar o desafio e a gostar muito do estilo da paulistana Vic (sigo acomapanhando ela até hoje).

Passei por muitas fases diferentes nessa relação com a moda. Nunca fui uma pessoas super consumista, mas comprava muitas coisas de forma impulsiva e só me dei conta disso quando fiz a experiência de passar um ano sem comprar nada, lá em 2013.

Nesses quase 10 anos tive a oportunidade de me conhecer melhor e de entender que:

  • existem roupas que acho lindas mas não para usar no meu dia a dia;
  • armário cápsula não funciona pra mim;
  • adoro ter algumas peças mais “chamativas” pra contrapor a maioria que é mais básica;

Compreender o que eu gosto e as mudanças da vida e do meu corpo (já sou uma mulher de 33 anos) tem me permitido criar um guarda roupa com peças que expressem todas as minhas versões (a esportista, a cantora, a básica – e todas as outras mais).

O look que tô usando nessa foto é a minha versão mais despojada que usei pra almoçar com minha mãe e meu namorado: calça de moletom, camiseta, parka e tênis. Ainda tô trabalhado o lance de acessórios, porque é algo que eu realmente nunca uso, mas esse foi um lookinho que curti e que achei que me representou bem.

Apesar de priorizar peças de segunda mão, nesse look nenhuma das peças é de bazar/brechó . A parka é de uma loja aqui da cidade (sem marca específica, mas comprei em 2019 eu acho); a camiseta é da C&A (gosto muito das peças deles); a calça é da Yeesco e o tênis da Ahimsa (marca vegana da qual sou embaixadora. Aliás, tá rolando 25% de desconto essa semana, até sexta. É só usar o cupom “VIRANDOVEGANA10” na hora de fazer sua compra).

9 anos depois: eu continuo simplificando?

No final do ano tirei um tempinho pra pensar sobre os acontecimentos não só dos últimos 365 dias, mas da minha caminhada nesses últimos anos.

Se você é novo por aqui e não me conhece, prazer, sou a Bruna. A história desse blog começou em 2013. Naquele período eu estava passando por uma crise de síndrome do pânico que me fez questionar a minha vida como um todo e foi a partir desses questionamentos que tive meu primeiro contato com o minimalismo e a ideia de simplificar a vida.

No auge das minhas crises de ansiedade, nos momentos em que achava que fosse morrer por alguma doença que eu não tinha ideia qual era, uma pergunta ficava martelando na minha cabeça: “Se eu morresse hoje, com 24 anos, o que eu teria feito da minha vida?” E foi essa pergunta que me fez mergulhar num processo muito dolorido de autoconhecimento que me trouxe até aqui.

Nas minhas muitas pesquisas sobre tudo (porque naquela época o que eu mais fazia era ler e estudar sobre qualquer assunto que pudesse trazer algum sentido pra minha vida) descobri o minimalismo: a princípio como uma forma de vestir elementos mais neutros e simples e depois como um “estilo de vida” em que as pessoas buscavam ter poucas coisas.

É importante dizer que eu não era uma pessoa acumuladora ou que tenha se endividado por comprar, mas olhando bem, eu tinha coisa demais: coisas que não usava ou coisas que foram compradas de forma impulsiva pra preencher momentaneamente alguma tristezinha da vida. Eu poderia muito bem passar bons anos sem comprar nada, levando em conta a quantidade de coisas que eu tinha. Só que outra coisa me pegou: eu não tinha muito critério na hora de comprar. Só comprava. Não pensava na qualidade do produto, na matéria prima, se era um investimento que valia a pena tendo como base minhas necessidades e meu estilo de vida.

A partir dos depoimentos de pessoas que levavam uma vida minimalista, vi que aquela parecia uma forma interessante de viver a vida. Foi então que criei o blog para compartilhar minha experiência de ficar um ano sem fazer compras. Minha ideia era a de usar todas as coisas que eu já tinha, entender o que me levava a consumir sem tantos critérios e ver como isso impactaria minha vida.

No meio desse processo, outras transformações foram acontecendo: me reconectei com a espiritualidade (que sempre foi importante pra mim), fiz descobertas significativas na terapia, passei a pedalar (que foi um esporte que me transformou muito), questionei meu trabalho e o que eu queria fazer da vida, adotei um animalzinho e passei a atuar na proteção animal… Ao final do meu ano sem compras eu tinha me tornado uma pessoa muito diferente da que havia começado aquele projeto. E pra finalizar, na semana em que terminei o projeto, mais uma mudança: me tornei ovolactovegetariana (que se tornou uma das mudanças mais importantes da minha vida).

Após meu ano sem compras passei a questionar ainda mais o consumo: na época eu estava fazendo uma pós graduação em marketing e decidi escrever meu artigo sobre a relação entre marketing e consumo e foi uma experiência muito interessante. De lá pra cá me tornei vegana (que me fez repensar ainda mais meu consumo, não apenas por questões ambientais, mas também por levar em conta o uso de matéria prima animal nos componentes – além dos testes em animais).

Em 2016 conheci o conceito de simplicidade voluntária e encontrei nele algumas respostas que não encontrava no minimalismo. Com o passar do tempo, percebi que o minimalismo falava muito mais sobre soluções individuais sem levar em consideração o grande problema do consumo: o capitalismo e suas estruturas. E que somente questionando o sistema no qual estamos inseridos, buscando alternativas e cobrando responsabilidade do poder público e das grandes corporações é que teremos mudanças significativas em problemas como a desigualdade social e as mudanças climáticas. No episódio #61 do meu podcast falei um pouco sobre esse assunto.

Vamos falar então de como as coisas estão hoje, 9 anos depois do início dessa caminhada e analisando tudo o que vivenciei.

Já começo falando dos erros, que foram muitos: levei tudo a ferro e fogo, fui extrema em alguns aspectos (ou 8 ou 80, sabe?) e com isso construí uma relação pouco saudável com o dinheiro, pois passei a vê-lo como algo ruim; me desfiz de coisas no calor do momento e me arrependi; já quis largar tudo e sair por aí sem rumo, viver numa cabana, viver com o mínimo possível… Experimentei algumas coisas, mas percebi que não era mim. Que as experiências de outras pessoas podem ter dado certo pra elas, mas que a minha história era outra e que eu tinha que encontrar esse ponto de equilíbrio.

Compreendi, por exemplo, que armários cápsula não funcionam pra mim. E que embora eu seja vegana e defensora da simplicidade voluntária eu não tenho que me vestir de um jeito específico (tipo hippie ou então só com tecidos leves e soltos). Eu amo rock, amo me vestir de preto, amo bota. E que o mais importante é levar em conta o que faz sentido pra mim, pra minha forma de viver a vida.

Vestido: Repassa / Tênis: Ahimsa (marca de calçados veganos)

Tento priorizar a compra de itens de segunda mão (ultimamente tenho comprado pelo Repassa. Se você quiser comprar por lá, aproveita pra usar meu cupom de desconto: VIRANDOVEG15 pra ter desconto na primeira compra), revitalizar peças antigas (tô com um post no rascunho de um blazer que foi do meu avô, feito por um alfaiate em 1982 – nesse ano eu posto sobre essa história), trocar ou comprar em brechós… Mas também compro em lojas físicas ou virtuais, dando preferências pra pequenos produtores.

Nessa quase uma década de “simplificação”, sinto que meu grande desafio tem sido o de encontrar o equilíbrio entre viver as contradições de um sistema capitalista e seguir firme com os valores que norteiam a minha vida. Que “simplificar” é mais complexo do que simplesmente “destralhar” nossas casas e armários se repetimos as compras impulsivas e sem critérios. Que decisões individuais são sim, importantes e necessárias, mas que é através de políticas públicas e sociais que veremos mudanças significativas no mundo.

Sinto que, de fato, encontrei essa vida mais simples: me conheci melhor e aprendi a reconhecer meus limites; abandonei coisas (planos, pessoas, projetos, expectativas de outras pessoas) para fazer e viver o que acredito que faça sentido pra mim; me permiti mudar e fluir com os acontecimentos da vida e me comprometi a compartilhar minhas experiências e a construir, através das minhas ações diárias, pelo menos um pouquinho do mundo no qual eu gostaria de viver.

Até que minha voz chegasse aqui


Fui uma criança tímida e desde então venho trabalhando todos os dias pra superar a minha timidez. Lembro de vários episódios na infância que me fizeram querer entrar num buraco: uma vez eu estava andando na rua com a minha mãe, toda distraída nos meus pensamentos, segurando a roupa dela. Depois de um tempo, quando volto pra realidade, olho para o lado e estou segurando a roupa de um rapaz 😅. Hoje é engraçado, mas na época eu quase morri de vergonha e saí correndo. Outra vez teve algum evento na cidade, (acho que era dia de Corpus Christi, quando eles fazem aqueles tapetes decorados no chão) e eu fui correr pra fazer algo, escorreguei numa folha de bananeira que tava caída no chão e quase me estabaquei. Queria entrar num buraco porque tava cheio de gente por perto.

Fazer coisas sozinha, pra mim, era muito difícil. Era insegura e sentia que precisava ter alguém ali do meu lado pra poder me dar coragem. E por mais contraditório que possa parecer, na minha infância eu participei de muitos eventos públicos como desfiles na escola, grupo de teatro, grupo de dança… Mas sempre em atividades coletivas. Quando era pra eu fazer sozinha não ia nem a pau.

Sinto que sempre tive medo da opinião dos outros sobre mim. Sou nascida e criada em uma cidade pequena e aqui a galera faz muita fofoca (essa é uma das poucas desvantagens de morar no interior), então eu me preocupava com a minha “imagem e reputação”, mas o lance é que eu era diferente, não tinha jeito. Eu gostava de rock, eu cantava numa banda, eu questionava as coisas. Embora não fosse uma pessoa briguenta, com meu grupo de amigas, onde me sentia segura, sempre expressava minhas ideias e ideais, que eram meio diferentes e polêmicos, como disse uma amiga uma vez.

Comecei a escrever meio que por isso: como uma forma de me expressar em um lugar seguro. Na época da escola eu já gostava muito de escrever redações e poesias e com o acesso a internet, encontrei nos blogs meu lugar de conforto. Ali eu poderia escrever sobre qualquer coisa, colocar um pseudônimo e ninguém saberia quem era. Era muito gostoso. Depois comecei a fotografar e também encontrei nas imagens uma forma de expressar minha visão do mundo sem, necessariamente, ter que me mostrar.

E aí, com as redes sociais, sinto que veio uma cobrança da gente se mostrar mais, mostrar o que fazemos, nosso dia, abrir a nossa vida. Lembro que quando o instagram começou com os stories eu só postava os meus cães e os lugares onde ia, mas raramente aparecia e falava. Também tinha uma certa autocrítica em relação à minha imagem, então me sentia melhor não aparecendo. Mas aos poucos fui me soltando, começando a aparecer, a falar, a cantar… Veio o podcast, que é ótimo porque a gente pode falar sem as pessoas nos verem. E por último, pra coroar as minhas mudanças e transformações, veio o canal no youtube, onde finalmente dou as caras.

Como vocês podem ver, tem sido um processo longo o de me soltar, de quebrar as barreiras e me permitir dar voz à minha voz, ao que acredito e vivo e hoje, aos 33, estou me sentindo mais confortável e com menos medo de julgamento. Sempre lembro de uma reflexão que li em um texto do escritor Alex Castro que falava que não é que a gente não deva se importar com a opinião das pessoas, mas que devemos escolher as opiniões de quais pessoas levar em consideração. E apesar desse processo ter demorado bastante, fico feliz em trilhar esse caminho de pertencer, cada vez mais, a mim e de me expressar com o coração e com a minha verdade.

Novidade: Agora tenho um canal no youtube!

É, a era youtuber chega para todxs. Rs…

Bom, depois de resistir por anos a criar conteúdo em vídeo, informo a vocês que criei um canal no youtube. Quer dizer, o canal já existia há um tempo, tanto que é nele que coloquei o documentário que fiz no curso do SESC, mas depois de muito pensar a respeito do futuro do conteúdo que venho criando e de ter lido sobre a importância de diversificar os canais de comunicação, tomei a decisão de começar a criar coisas para o Youtube também.

Muita coisa mudou desde que eu comecei. Primeiro foi esse blog, depois migrei para o instagram, veio o podcast.. Entendo que é importante ir se adaptando às novas tendências e justamente por sentir que o instagram, que é a rede social que mais movimento, tem um algoritmo que boicota a entrega, percebi que estava me desgastando muito e não explorando outras perspectivas. Penso que no youtube consigo sair da minha bolha e chegar até mais pessoas mostrando os assuntos que já costumo abordar: autoconhecimento, vida simples, veganismo, rolês na natureza, animais…

Teve uma época em que eu me planejei bonitinho pra ter um canal, mas era muito insegura e crítica (e infelizmente continuo sendo) com a minha própria imagem, por isso o plano não saiu do papel. Talvez eu precisasse amadurecer outras questões também, junto com o lance da autoimagem, e acho que o momento chegou, de dar as caras, de me mostrar mais. Por mais que não pareça, sou tímida e isso me trava em muitas áreas da vida. Já melhorei muito, e acho que esse canal será uma oportunidade de trabalhar essas questões e, claro, de compartilhar minhas ideias com outras pessoas.

Não falei que os 33 bateram de um jeito diferente? Pois é: de repente 33. De repente youtuber!

Quando é hora de pedir ajuda

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Eu não planejava passar tanto tempo sem escrever aqui, mas nem tudo acontece da maneira como a planeja, né? Coisas inesperadas chegam no nosso caminho e muitas vezes demandam que façamos pausas e analisemos a situação pelos mais variados ângulos, pra depois tomarmos fôlego pra continuar seguindo em frente.

Os meus últimos seis meses tiveram muitas reflexões passando por essa cabecinha, planos sendo revisados, mudanças e muitos aprendizados, em especial o de saber quando é hora de pedir ajuda. Crescemos com a ideia de sermos independentes e suficientes e de aprendermos a “dar conta das coisas” (e isso é importante, claro), só que nem sempre é assim que funciona na prática. Por mais que nosso RG mostre que o tempo passou e chegamos à vida adulta, às vezes é bem difícil segurar a onda sozinhos. E honestamente, nem sei porque insistimos nessa ideia de resolver os BO’s sem ajuda. E com todo esse conceito na nossa cabeça,  é preciso humildade pra reconhecer as nossas limitações e saber quando é hora de pedir o auxílio de alguém.

Só que a sensação de saber que não estamos sozinhos é muito boa e de fato, é muito mais fácil lidar com os problemas do nosso caminho quando temos pessoas do nosso lado nos dando suporte. A realidade é que nós precisamos das pessoas e elas também precisam de nós. Não temos que fazer tudo por conta pra provar que somos fortes. Pelo contrário: nossa força está justamente em reconhecer as nossas limitações e em saber a hora de ser ajudado.

Confesso que me sinto muito mais forte hoje, sabendo da minha pequenez e humanidade, das minhas dores e fraquezas. E falar delas é bom, porque me coloca nesse local de aprendizado constante, de quem não chegou ao “fim” da jornada. De uma pessoa que erra, cai, levanta e tenta seguir em frente, que também é uma pessoa que acerta e tem aprendido a celebrar as conquistas.

E que coisa boa é saber que muitas mãos se estenderam pra mim ao longo da vida e em diversos momentos. Quantas pessoas cruzaram meu caminho e me ensinaram e tantas outras eu também pude ensinar. Assim a gente segue, como aprendizes e professores uns dos outros.

Tem um episódio sobre isso no meu podcast. Clique para ouvir:

É tarde demais?

Se tem uma coisa que venho desconstruindo diariamente é a ideia de que é “tarde demais” pra fazer algo. No livro “Talvez você deva conversa com alguém“, a autora, Lori, compartilhou que fez várias transições de carreira ao longo da vida e que foi trabalhar como psicóloga aos 40. Sinto que nós temos uma concepção muito errada de que quando chegamos em uma “determinada idade” já está tarde demais pra recomeçar ou mudar algo na nossa vida. Hoje, ao 32, querendo fazer muitas coisas ainda, percebo que enquanto existe energia, oportunidade e vontade é tempo de nos refazermos.

É muito louco pensar que ainda jovens temos que tomar uma decisão “pro resto da vida”. Aos 20 eu não sabia ainda o que queria (e hoje ainda não sei muito bem), mas sei que ao longo desses 12 anos me transformei muito: amadureci, errei, acertei… E todas as minhas experiências foram me convidando a me refazer, a mudar aspectos que sinto que necessitem de mudança e a trilhar um caminho que seja cada vez mais meu.

Por aqui tem sido difícil fazer planos em meio a situação que estamos vivenciando com a pandemia. Muitas vezes me pego olhando fotos antigas, me agarrando nas lembranças de momentos especiais e lembrando que a vida já foi menos dura. Me recordo de andar muito de patins quando era criança. Eu tinha um modelo in-line, verde limão, que era imenso para os meus pés (diziam que tínhamos que comprar x números a mais do que calçávamos, que na real acho que era pra fazer o brinquedo durar!) e que me proporcionou muitos momentos de diversão com meus amigos. Quando eu era criança, a maioria das ruas aqui da minha cidade eram de paralelepípedo, então nós tínhamos a única avenida da cidade pra poder brincar. E a gente pirava! Lembro de descer morros que hoje, adulta, não teria coragem. E tudo isso sem equipamento de segurança! (nosso anjo da guarda ficava junto 24hs por dia! Rs…)

Há um tempo comecei a ver muita gente de patins e como esse esporte me traz muitas boas lembranças, pensei: “por que não? Até que no começo do ano apareceu um trabalho que deu uma folga nas despesas e lá fui eu me jogar nessa compra.

Esperei ansiosamente e fui acompanhando o rastreamento do correio diariamente até que ele chegasse aqui em casa. Mas ó, fui bem cautelosa e só sai pra dar minha primeira volta depois de o equipamento de segurança certinho (depois de adulto dependendo da queda o bicho pega! Rs), saí devidamente protegida também, com máscara, em um local com espaço amplo e pouco movimento e foi muito gostoso. É interessante como nosso corpo possui uma memória, ne? Foi só subir nos patins que já me recordei e até me arrisquei nas manobras. No dia do vídeo abaixo, saí com uma amiga que filmou um pedacinho do passeio e ficou muito massa!

Andei mais um pouco no local do vídeo acima até que deu-se início a onda roxa aqui em Minas e agora aproveito o quintal de casa pra poder treinar. Lá me sinto segura de arriscar umas manobras e tô sempre me filmando pra acompanhar a melhora dos movimentos. E o que me deixou mais feliz é que muitas pessoas ao verem essa partilha sobre o patins, também se sentiram animadas a retomar ou mesmo começar a patinar.

Essa tem sido uma atividade que tem me motivado bastante nesse momento. No último mês passei por um período pesado, desanimado e que me fez nem ter vontade de escrever, por isso passei tanto tempo sem postar aqui. Hoje aprendi a me respeitar, a dar tempo pra que as coisas se organizem aqui dentro, mas não tempo demais pra que eu desista. É descansar, recuperar as energias e recomeçar. Quantas vezes for preciso, porque nunca é tarde demais.

Ah, tem um episódio sobre esse tema no podcast! Para ouvir é só dar play:

Como podemos contribuir para um mundo melhor?

Eu acredito demais que um mundo melhor será resultado de uma construção coletiva. Não tem um salvador, não tem um milagre que vai acontecer e pronto, todo mundo vivendo com justiça e dignidade. As nossas ações, aquilo a gente pratica, é o que realmente conta pra transformar esse mundo louco num lugar bacana pra todo mundo. Paulo Freire trouxe na proposta de práxis a ideia de fazer com nossas ações sejam capazes de transformar a realidade e de que nossa teoria e prática precisam estar conectadas e alinhadas. Acredito muito nisso.

E aí, pensando numa escala menor, como a gente pode contribuir pra que o mundo (e esse “mundo” pode ser o nosso entorno mesmo) se torne melhor? A gente sabe que existem muitas coisas pra serem melhoradas ou resolvidas e que algumas coisas estão além de nossas capacidades e cabem aos governantes (tem inclusive um episódio do podcast sobre como a gente não vai mudar o mundo sozinho), mas algumas melhorias podem muito bem partir da gente. E o que nós fazemos? Nós agimos ou nós terceirizamos essa responsabilidade? Afinal de contas, alguém tem que fazer alguma coisa, né?

Quando tive síndrome do pânico lá em 2013 (que foi o começo de uma mudança significativa na minha vida), eu achei que estivesse prestes a morrer. Os ataques de pânico me davam taquicardia, dificuldade pra respirar, dormência nos braços… Já fui até parar no hospital várias vezes achando que estivesse enfartando. E realmente pensei que fosse morrer aos 24 anos. Isso me abalou muito e me fez pensar na forma como eu vivia. O que eu estava fazendo da minha vida? Eu trabalhava, vivia minha vida fazendo minhas coisinhas… e aí? Era só isso? Eu não queria fazer a minha existência se resumir a isso. Foi então que comecei a mudar.

No passeio da Cãogonhal – grupo de proteção no qual sou voluntária

Começou com a ideia de ficar um ano sem comprar pra questionar minha forma de consumir. Junto disso, muitas leituras sobre autoconhecimento e espiritualidade e uma maior dedicação a me conhecer, a saber o que eu realmente queria e quem eu era. Depois veio o vegetarianismo (e o veganismo), a proteção animal… e cá estou eu. São 7 anos de transformações e aprendizados diários e sinto que tenho conseguido fazer com que as coisas que eu acho importantes e acredito sejam praticadas no meu dia a dia.

Nesses anos todos o que eu percebi é como quanto mais nos unimos, menos difícil fica. Ninguém se sobrecarrega, todo mundo como cidadão também se responsabiliza pelos problemas e juntos conseguimos pensar em soluções possíveis pra melhorar as coisas. E isso é muito massa, gente! Só precisamos encontrar uma causa com a qual nos identificamos, procurar pessoas que já atuam ou que desejam fazer algo e pensar, juntos, no que pode ser feito no momento.

E foi esse o assunto que escolhi falar essa semana no podcast: como podemos dar a nossa contribuição pra esse mundo melhor no qual desejamos viver. Sigamos caminhando nessa direção: no desenvolvimento da consciência, na educação, na união e na prática. !

Descansar para prosseguir

Em janeiro tirei férias. Não escrevi nada, li pouco (porque tô saboreando cada palavrinha de um livro maravilhoso que tô lendo), assisti pelo menos uns 15 filmes, atualizei minhas séries, tomei banho de cachoeira e pedalei. Estou “só existindo” dentro do possível, fazendo as atividades que já havia me comprometido previamente. Aliás, acho que ainda vivo com a ideia das “férias escolares” no inconsciente, então, janeiro pra mim é um mês pra ir devagar.

É até engraçado como nos sentimos culpadas por fazer isso depois da vida adulta. Direto me pego pensando se eu deveria ter reduzido a velocidade justo agora, afinal, começo de ano é o momento perfeito pra começar as coisas. Mas a gente veio de um ano que virou nossa vida do avesso e em dezembro sempre rolar um acúmulo de tudo o que vivemos, as dores e as alegrias (que em 2020 foram sentidas com ainda mais intensidade), então eu tinha que parar. Mesmo que isso implicasse em “perder oportunidades”.

Essa semana, bem na última do mês e nos preparativos da volta do Podcast e demais atividades, li uma frase em uma ilustração da Isadora que fez todo sentido e que cabe pro nosso ano e pra nossa vida toda:

Quem já viveu no corre e conseguiu reduzir a velocidade, sabe que também pode rolar da gente se acomodar na marcha lenta. Ela é confortável e necessária muitas vezes, mas de vez em quando é preciso dar uma pisadinha no acelerador, sair desse local de conforto que é caminhar devagar, pegar um pouco de velocidade e sentir o vento batendo no cabelo. Não precisa ir do 0 aos 100km em segundos, mas dá pra encontrar o equilíbrio entre os momentos de reduzir e acelerar.

E agora, com o corpo e a cabeça descansados, dando um respiro também pra minha alma se (re)encantar com a vida, tô pronta pra começar 2021, aberta para as possibilidades e experiências que aparecerem. Agora é meu momento de pisar no acelerador, mas ao longo do ano também vou pisar no freio, parar na beira de estrada, descansar um ´cadinho, na sombra, pra depois retomar a viagem. Attraversiamo!

Por um 2021 (e uma vida) mais consciente


Não tem fórmula mágica que mude a nossa realidade da noite para o dia. E embora a gente saiba que não é no dia 1º de janeiro que os problemas de um ano (e de uma vida) vão acabar, a gente sente que o começo do ano traz uma energia de renovação. Recomeçamos a contagem dos dias na esperança de que dias melhores nos aguardam. Por aqui sigo com muita expectativa pela vacina, pela imunização e para reencontrar meus amigos queridos que só vejo através das telas. Não sei se a gente volta pro “normal” porque o normal trouxe a gente pra esse caos, então talvez precisemos pensar em outras saídas… Só que isso não é simples nem fácil.

Lá no final de 2019 com muita alegria lancei meu primeiro livro digital. A minha ideia foi escolher doze temas (um por mês, sobre uma área da vida) pra poder falar sobre. Trouxe algumas reflexões, algumas partilhas da minha própria experiência e algumas sugestões de mudanças. Se em cada mês a gente refletisse sobre um aspecto da nossa vida e pensássemos nas pequenas mudanças que poderíamos fazer, ao final do ano teríamos conseguido mudanças significativas em vários aspectos.

O que eu percebo que acontece é que talvez façamos resoluções demais. Queremos mudar tantas coisas que criamos metas impraticáveis e nos frustramos ao chegar ao final do ano sem conseguirmos nos manter firmes aos planos iniciais. Eu fiz isso por muito tempo até entender duas coisas que me libertaram:

  • não preciso mudar tudo de uma vez (posso dar pequenos passos nessa direção);
  • não é preciso esperar o começo do ano pra implementar mudanças nas nossas vidas.

Só que justo quando eu entendi tudo isso veio 2020 e colocou por terra as nossas “certezas”. Certeza mesmo a gente não tem de nada, mas de certa forma tínhamos um “certo controle” em relação as coisas, né? Então foi preciso adaptar a uma realidade completamente desconhecida, com muito medo, dúvidas, separações… Esse foi um ano que abalou completamente as nossas estruturas, mexeu com as nossas emoções e aflorou muitos sentimentos com os quais não foi fácil lidar.

Mas a gente chegou até aqui. Aos trancos e barrancos mas chegou. Com medo. Com saudade. Com o coração apertado. Foi preciso parar, dar um tempo, reavaliar as coisas, abandonar alguns planos temporariamente, mas a vida continuou acontecendo mesmo no meio desse caos. E é por isso que e sigo com esperanças e expectativas (só tentei fazer com que elas coubessem dentro da realidade que estou/estamos vivendo).

Nesse livro eu não trago fórmulas mágicas, receitas de sucesso nem nada do tipo. Eu compartilho propostas simples e realistas de mudar algumas questões no nosso dia a dia e na nossa forma de ver a vida. E são coisas que você pode escolher mudar em qualquer momento, independente de quando comece essa leitura. As mudanças mais significativas da minha vida não aconteceram em nenhum dia 1º de janeiro, então, acredito que todo momento é o momento ideal pra gente mudar qualquer aspecto da nossa vida que nos traga insatisfação e desconforto.

Para garantir seu livro basta clicar AQUI.

O primeiro episódio do ano do podcast é sobre esse assunto: expectativas realistas para 2021 (e pra vida). Feliz novo ciclo pra todos nós.

Andanças

Nas últimas semanas chamei meu irmão e meu namorado, coloquei uns lanchinhos e água na mochila, acordamos de madrugada e saímos pra andar. Caminhamos 16 e 17km com uma semana de descanso entre cada uma das caminhadas pra poder descansar. Lazer sem gastos e sem aglomeração.

Já havia feito esses dois trajetos de bicicleta, mas caminhando a percepção é muito diferente. Por mais que eu observe e curta o passeio de bike e que eu pare pra fotografar e apreciar a paisagem, ele “rende” muito mais do que quando feito a pé. Não que tenha que render, mas quando somos nós, nossos passos e o peso da mochila é tudo diferente. Muda a percepção do tempo, vemos, ouvimos e sentimos as coisas de outra maneira (e eu gosto das duas).

Eu tenho uma “coisa” com caminhos assim, como os da foto que escolhi pra esse post. Eu gosto demais desse jogo da luz passando por entre as folhas das árvores, da tonalidade desse caminho que é de um verde mais fechado, da mistura de cheiros de folhas novas com as que estão se decompondo… Mas eu gosto mesmo de como eu me sinto quanto estou ali.

Uma caminhada dessas me traz uma noção de presença muito grande. Presto atenção nos sons dos pássaros e do vento nas árvores. Observo onde piso, olho pro céu, sinto o calor do sol na pele, me deixo ser abraçada pelo vento que refresca e esqueço dos problemas. Nem que eu queira pensar em qualquer coisa que possa estar me aborrecendo no momento, eu consigo. Me sinto completamente imersa no que estou fazendo. É a meditação na ação.

Minha mente é inquieta e está sempre pensando no que preciso fazer e no que falta… Não tem descanso. E cada dia mais eu sinto essa necessidade de sair por aí, a pé ou de bicicleta, pra poder me silenciar, pra conseguir ouvir o que todo o ruído externo do trabalho, das preocupações e do mundo me impede tanto de ouvir quanto de enxergar. E quando retorno de uma andança dessas, embora o corpo se canse, sinto que minha mente está aliviada. Consigo ver as coisas com mais clareza, ouvir minha intuição e renovar minhas energias para retomar as atividades do dia a dia.

Tenho encontrado muita satisfação nessas caminhadas. Me sinto viva, presente e consciente, sentindo que vale a pena cada gotinha de suor, o cansaço e a dor nos pés e nas pernas.