Novos ciclos

Nunca fui muito ligada a isso de estação, mas a partir do momento em que me conectei mais com a natureza, consegui observar seu ciclos e perceber também os meus. E olha só, hoje me dei conta de que nasci na primavera, essa estação que é uma nova chance. Depois do inverno que nos convida a reflexão, a primavera nos convida a recomeçar. Novas folhas, novas flores, novos sonhos e novos caminhos.

Esses ciclos de expansão e retração da natureza são exatamente aqueles pelos quais passamos: temos momentos de alegria, de esperança, de motivação e movimento, assim como temos nossos períodos de pausa, recolhimento e reflexão. E assim nossa vida segue, com ritmos variados e a partir do momento em que entendemos cada ciclo da nossa vida, podemos extrair o que de melhor eles tem a nos oferecer.

Quando o outono bate na nossa porta somos chamados a reduzir a velocidade. No inverno, quando passamos a desejar ficar mais em casa, comer comidinhas quentinhas e ficar debaixo das cobertas, é a vida nos dando a chance de parar para recarregar as energias e refletir. O que fiz? Onde fui? Aonde quero chegar? É tempo de descanso para a próxima caminhada. É a preparação.

Quando chega a primavera e o verão, o sol e o calor, a vida nos chama pra explorar: sentir a água gelada das cachoeiras, pedalar ao ar livre, curtir a praia, sentir o vento batendo no rosto e o cheiro das flores pelo caminho. Com as energias renovadas pela pausa e pelo balanço das nossas ações, queremos expandir: é tempo de agir, de praticar, de experimentar.

Esse ano a primavera chegou trazendo consigo um presente em forma de chuva, como se depois da nossa revisão estivéssemos limpando a nossa casa e regando nossas flores, para poder apreciá-las. Que façamos o que a estação nos convida: floresçamos onde quer que estejamos.

Pausas, análises, processos

Daqui a pouco faz um mês que eu não escrevo aqui. Acho que todos nós meio que perdemos a dimensão do tempo e a sensação é que agosto, o “mês eterno” passou num piscar de olhos. Que ano! E por que eu não tô escrevendo? Por que a escrita tá travada. Eu sento aqui, abro os muitos rascunhos que estão salvos, mas nenhum deles parece fazer sentido. Sabe quando você quer muito fazer uma coisa mas parece que algo te impede? É essa a minha sensação.

Tenho pensado muito sobre tudo isso: sobre as pausas, análises e processos pelos quais minha vida tem passado e entendido como eu funciono, compreendido melhor meus momentos, meu ritmo, como a vida acontece pra mim e tirando o peso da comparação com a vida de outras pessoas. Na internet é muito fácil a gente se comparar. E isso acontece por que nas redes a gente só vê o resultado, não o processo. A gente vê um pedacinho do que a pessoa é, a pontinha do iceberg de toda uma complexidade que é ser humano e achamos que “pra fulano tudo é fácil” quando na verdade criamos nossos avatares nas redes e fazemos uma curadoria do que compartilhamos.

No livro “Falso Espelho”, Jia Tolentino traz um conceito de teoria identitária muito interessante, de um sociólogo chamado Erving Goffman. Essa teoria fala diz que estamos representando o tempo todo em nossas interações sociais, como forma de criar uma impressão no público. Não que façamos isso de “má fé”, mas é natural que ajamos de formas diferentes, tipo quando a gente tá passando por um problema pessoal, mas no trabalho performa como se tudo estivesse bem (confesso que sempre tive muita dificuldade nisso). Goffman fala também quem em casa podemos ter a sensação de de não estarmos representando, de senti que estamos nos bastidores e isso faz muito sentido, ne? E olha só se não tem a ver com nosso comportamento nas redes sociais! Quem nunca olhou pra uma pessoa nas redes e pensou “essa pessoa ao vivo não é nada disso”? Esse livro tem me feito pensar muito e agora tô até lembrando de um vídeo que eu provavelmente já compartilhei aqui, mas acho que ilustra isso da performance nas redes.

Se por um lado temos acesso a muita informação, à possibilidade de conhecermos novas pessoas, culturas, de mostrar nosso trabalho, de dar voz a cada mais pessoas e causas, de ampliar nossa percepção do mundo, também estamos exaustas. O excesso de informação suga a nossa energia, faz com que tenhamos conhecimento de coisas sobre as quais não temos controle e não podemos mudar e de perceber toda a nossa impotência. Amplificamos nossas vozes através das redes sociais ao mesmo tempo em que criamos a ilusão da ação. Achamos que só o trabalho digital é importante e é claro que ele tem força, mas esquecemos que um discurso sem ações políticas e práticas, não provoca as mudanças significativas que queremos e precisamos no mundo.

E aí que entra a importância da pausa e da análise do que a gente tem feito. Essa é uma ação que precisa ser realizada com uma certa frequência para que possamos fazer os ajustes em nós e na direção na qual desejamos seguir. Só que essas análises precisam ser feitas sem pressa. Não é do dia pra noite. São processos diversos. Alguns levam mais tempo, outros menos. E se não respeitamos isso, criamos nossas personagens e vivemos uma vida que não é nossa, que é sobre o outro: suas opiniões e expectativas do que devemos ser.

Por aqui sigo num momento de revisão. Estar prestes a completar 32 anos tem me feito pensar onde cheguei e onde quero chegar, se faz sentido performar quem sou hoje ou se existem máscaras que precisam não apenas ser despidas, mas jogadas fora porque hoje não condizem com quem sou.

Ps. esse é o assunto também do Episódio 23 do Podcast. Para ouvir, clique aqui:

Comprei um leitor digital

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Esse foi o primeiro livro que li

Mês passado me rendi ao leitor digital depois de muito tempo pensando se comprava ou não. Tenho muita dificuldade em ler no computador/celular por achar que a internet me distrai e embora tenha uma pilha grande de livros físicos na espera de leitura, também tenho bastante material de estudo de assuntos pelos quais me interesso que estão disponíveis na versão digital. Então, depois de muito tempo pensando nos prós e contras, decidi adquirir um Kindle.

Como escolhi? Pelo preço. rs. Entre o modelo comum e o PaperWhite, a diferença de valores era de quase o dobro. Como a diferença entre eles era a questão da luz embutida (muito usada pra ler no escuro – coisa que não faço), não achei algo tão relevante e optei pelo modelo sem luz. Perguntei no instagram sobre o que as pessoas achavam a respeito dos leitores, se usavam, quais as vantagens que viam nele e a maioria me disse que um dos pontos mais positivos é que passaram a ler mais depois de adquirir um. Vou listar alguns pontos positivos e negativos pra quem está na dúvida sobre investir ou não em um leitor digital.

Positivos:

  • Tem bastante autonomia de bateria;
  • É pequeno e poder ser carregado sem dificuldades;
  • Da pra encontrar vários e-books online gratuitamente disponíveis tanto no .mobi (arquivo próprio para o kindle) quanto em pdf);
  • Lê arquivos em pdf;
  • Tem dicionário embutido onde basta clicar numa palavra para encontrar sua definição;
  • Da pra destacar trechos do livro e fazer anotações da leitura;
  • A tela não tem brilho e não força a vista nem torna a leitura cansativa;
  • A Amazon tem o serviço de assinatura unlimited onde você pode, por um preço mensal, ter acesso a uma imensa quantidade de livros por um determinado prazo de tempo.

Negativos:

  • Os livros estarem disponíveis apenas em preto e branco (embora isso não seja um ponto determinante, ver a capa e a folha amarelada seria interessante);
  • Só vir com cabo USB, sem o conector para tomada.

Sou altamente fascinada por livros físicos e antes via uma certa competição entre eles e os leitores digitais, mas não tem que ser assim. Os vejo mais como alternativas diferentes de se atingir um resultado, que é ler/estudar. Fiquei bastante satisfeita com essa aquisição e só me arrependo de não ter feito isso antes.