7 anos

Eu tenho uma “questão com número 7”. Já li que ele está associado à harmonia: 7 chakras, as 7 cores do arco-íris, 7 notas musicais… E agora, em 2020, completo 7 anos do início da minha jornada de autoconhecimento. Pelo menos a desse plano (por que acredito que não vivemos apenas essa vida e pronto, acabou, mas isso é outro assunto).

Hoje apareceu uma lembrança na minha rede social sobre a finalização do meu ano sem compra. Eu tinha muita coisa sobre ele no antigo blog que acabou se perdendo. Eram registros mensais de como estava sendo essa experiência, mas quero voltar aqui em outro momento pra contar como foi e os meus aprendizados a respeito disso.

O que queria compartilhar hoje é que não foi uma jornada fácil. Ao longo desses anos todos passei por momentos muito, muito difíceis em que eu só queria desistir. Esse despertar de que tanto ouvimos falar é um processo doloroso. Doloroso porque as nossas certezas se vão. Doloroso porque percebemos que nossos alicerces foram construídos sob a areia e não em um terreno sólido e firme e aí nos resta demolir ideias que estiveram conosco por tantos anos para reconstruir outras que estamos começando a conhecer.

E como é um caminho novo é fácil a gente se perder. Às vezes andamos por trilhas sem sinalização, erramos e precisamos voltar e começar de novo. Outras vezes seguimos por um caminho já aberto, percorrido por outras pessoas, com uma paisagem bonita e lugar pra descansar. Andamos ora sozinhos, ora acompanhados…

Falando de mim, da minha história, eu não mudaria nada. Se tudo o que eu passei me trouxe até aqui, eu agradeço. Agradeço pelas tempestades que sobrevivi, pelos amigos que fiz e dos quais me despedi, pelas pessoas com as quais convivi e que mostraram o que eu quero e o que eu não quero ser, pelos meus erros e acertos e por aprender a ouvir a minha intuição, que é a minha bússola interior, que me guia e me permite viver experiências que talvez eu não entenda agora, mas que em outro momento serei capaz de compreender.

Vou fazer 32 anos esse ano, mas sinto como se estivesse fazendo 7. Sete anos em que sinto que tenho mais consciência das minhas escolhas que encontrei razões pelas quais viver, razões que me motivam todos os dias a me aprimorar a ajudar a construir uma realidade diferente daquela que vivo hoje, pensando não só em mim mas em todos. O mundo não tem que ser bom só pra mim. Eu não posso me deitar tranquila enquanto outras pessoas não tem acesso ao que lhes é direito básico.

E assim eu sigo, esperando viver muitos outros anos e aberta para os aprendizados que a vida tem a me oferecer.

Slow Blogging

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Não sei você, mas sou de uma geração que só teve contato com a internet na adolescência. Minha infância foi longe das telas (computador naquela época era artigo de luxo) e a percepção do tempo e das coisas eram muito diferentes. Mas também reconheço os benefícios que as tecnologias e o acesso à internet trouxeram para as nossas vidas.

Quando minha mãe comprou um computador lá pra casa a gente não tinha acesso à internet ainda. Usávamos ele só pra fazer trabalhos e jogar joguinhos que já vinham no computador ou que alguém nos emprestava. Depois a internet chegou aqui no interior (era discada) e por isso tínhamos um limite de tempo de uso (só depois da meia noite e no final de semana pra gastar um pulso só! Rs…) Lembro que além do ICQ e MSN (que eu acessava na lan house), criei meu flogão. Ali postava as fotos de qualidade bem baixa tiradas na câmera do Léo, meu amigo. Migrei para o fotolog e também criei meu blog que era basicamente um diário virtual. A gente se abria mesmo, expunha os sentimentos, era tudo bem simples.

Em seguida teve o boom dos blogs de moda que fizeram todo mundo querer ter o seu também (eu inclusive tive um) e depois, com a síndrome do pânico e todas as mudanças pelas quais eu estava passando, criei esse blog, que a princípio era apenas pra registrar minha experiência de ficar um ano sem comprar nada, mas posteriormente acabou se tornando um local pra compartilhar meus anseios, reflexões e aprendizados na busca por autoconhecimento.

Quando me tornei vegana em 2016 fui para o instagram pra compartilhar meus pratinhos e a experiência de ser vegana em uma cidade pequena. A conta foi crescendo e aquele se tornou meu principal foco de produção de conteúdo. Abandonei esse blog, mas depois decidi retomar as publicações aqui também. Entendi que o que eu acredito como vida simples conversa muito com outros movimentos como o veganismo e por isso resolvi voltar pra cá. E por último, veio o podcast que tem sido uma experiência muito prazerosa de produzir.

Então, tô aqui criando conteúdo na internet há 7 anos. Já fui a pessoa super produtiva, que postava todos os dias, até sentir o cansaço me consumir e começar a pensar na quantidade de conteúdo produzido e no quanto é exaustivo produzir com responsabilidade. Entendo que a internet demanda conteúdo rápido e novo todos os dias e geralmente os perfis que produzem dessa forma tem toda uma estrutura pra poder dar conta. Mas quem produz de forma independente se sente sobrecarregado e realmente não consegue acompanhar tudo isso.

Pra vocês terem uma ideia: meu trabalho pra produzir um episódio do podcast leva pelo menos 6 horas entre: pensar no tema, escrever roteiro, gravar, divulgar, criar arte e distribuir nas plataformas. E esse é só um dos conteúdos que eu crio fora o trabalho que tenho e que paga as minhas contas. Tudo isso tem colaborado pra me fazer questionar essa necessidade de novidade o tempo todo. Já existe muita coisa legal disponível que podemos usufruir, aprender, rever e consumir. A quantidade de informação que consumimos tem nos deixado “infoxicados“, exaustos mentalmente. E isso vale pra todo mundo, pois todos são produtores de conteúdo em maior ou menor grau, já que se temos um perfil em uma rede e o alimentamos, estamos produzindo conteúdo.

O que eu mais tenho ouvido das minhas amigas que também produzem conteúdo é que todas estão cansadas de tentar postar todos os dias pra serem vistas pelos seus seguidores. Produzir de forma responsável requer que estudemos, compreendamos o conteúdo, façamos ele conversar com a nossa história e o transformemos em algo que tenha uma pitada da gente pra depois poder compartilhar com outras pessoas. E isso não dá pra ser feito da noite para o dia.

Só que quando nós reduzimos a velocidade dessa produção, perdemos visibilidade, já que as redes são projetadas pra que passemos a maior parte do nosso tempo conectados à elas, pois o que é vendido ali é a nossa atenção (são os anunciantes quem bancam o nosso uso gratuito das redes) e que pode ser convertida na compra de um bem ou serviço. Por isso é interessante que passemos mais e mais tempo conectados. No final das contas a gente precisa escolher o que fazer e tentar encontrar um ponto de equilíbrio que não sacrifique nossa paz e nossa saúde mental. Devemos encontrar alternativas que nos possibilitem continuar a realizar o nosso trabalho on-line, mas não nos sentirmos culpadas por não dar conta de tudo, nem de produzir em alta velocidade.

E aí que entra o slow blogging que nada mais é do que “postar devagar”. É reduzir a velocidade das postagens e produzir com mais calma, respeitando nosso ritmo (mesmo que isso implique não seguir as regras das redes de estar presente todos os dias). O slow blogging conversa muito com o slow living e a vida simples, onde priorizamos as coisas que são importantes pra nós. Por aqui reduzir o volume de produção tem dado certo. No começo eu me sentia meio culpada, mas acho que cada um sabe onde aperta o sapato e de nada vale um feed perfeito e a saúde mental péssima, não é mesmo?

Tenho tirado os domingos pra não usar internet e tem sido maravilhoso. Aos domingos eu sou só a Bruna. Apenas existo e vivo a vida real. Nas segundas eu retorno e a cada semana, venho tentando entender o que eu quero mudar nesse trabalho com as redes, em como posso produzir no meu tempo, do meu jeito, sem pressão. E tô feliz em seguir esse caminho.

No episódio dessa semana do podcast falei um pouco sobre isso e sobre a produção de conteúdo.

Você não vai agradar todo mundo

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Das poucas certezas que temos na vida, sem sombra de dúvidas essa é uma delas: não vamos agradar todo mundo.

Infelizmente muitas de nós passamos boa parte das nossas vidas tendo como meta a aprovação das pessoas, deixando de fazer o que gostaríamos e até nos indispondo com nós mesmas para sermos aceitas em um determinado grupo ou pelas pessoas que amamos.

Mas a gente se fere quando faz isso. Ferimos a nossa essência, nossa individualidade, que é aquilo que temos de valor e que nos permite oferecer uma contribuição única para o mundo. Do nosso jeito. Com a nossa cara.

É claro que ninguém quer ser rejeitado. Se sentir pertencente e bem quisto faz parte das nossas necessidades básicas, mas até que ponto vale a pena abrir mão de quem somos pelos outros?

Confesso que já passei um bom tempo tentando me encaixar em moldes até entender a importância de me libertar disso, de fazer o que eu queria por mim, porque me trazia realização. Quando deixei de dar tanta importância ao que os outros pensavam de mim, consegui direcionar essa energia para colocar em prática o que eu queria, pensando em mim e na minha realização pessoal.

Tem um episódio do podcast sobre esse assunto. Clique abaixo para ouvir:

 

O momento perfeito

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Será que existe um momento perfeito pra fazer algo, quando tudo está perfeitamente alinhado e sob controle?

Acho que em alguns momentos sim, os ventos sopram a nosso favor, mas na maior parte do tempo é muito mais sobre a gente ajustar as velas e assumir o leme das nossas próprias vidas, aprendendo a lidar com o que temos e com as circunstâncias que vão se apresentando ao longo do caminho.

Eu idealizei muitas coisas nesses 31 anos de vida e passei muito mais tempo no mundo da imaginação do que colocando, de fato, minhas ideias em prática. E sinto que isso tinha a ver com diversas questões: medo de não ser boa o suficiente, medo de não dar conta do recado, medo da reprovação dos outros, de não dar certo… E nisso muita ideia legal morreu ali na cabeça mesmo.

Hoje, um pouco mais madura, percebo que a realização pessoal em fazer algo, alinhada, claro, com planejamento, é muito mais importante do que receber aplausos e reconhecimento das pessoas. Claro que é ótimo quando um projeto nosso ganha visibilidade, quando ele pode ser útil pras pessoas e ajudá-las de alguma forma… Mas nem sempre isso vai acontecer.

Enquanto passarmos a vida esperando pelo momento ideal, muitas oportunidades passarão. Sei que às vezes o medo é grande, mas é melhor correr o risco e errar do que passar a vida cogitando como seria se tivéssemos feito algo. Nós nunca vamos ter 100% de certeza sobre nada, mas se o nosso desejo de fazer algo é genuíno, se está no nosso coração, valerá a pena, independente do resultado.

Falei mais disso no último episódio do podcast, disponível abaixo.

Às vezes é bom não insistir

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Adoro perceber os ensinamentos que a vida nos traz nas coisas mais simples: hoje resolvi fazer um bolo de cenoura, bolo esse que já fiz milhares de vezes e sempre deu tudo certo. Mas eis que hoje o bendito bolo não só não cresceu como ficou cru. Formou uma casca por fora, mas por dentro não assou.

Ontem estava toda feliz porque consegui fazer uma receita de pão de beijo (versão vegana do pão de queijo) tomando uma base de receita mas não seguindo as quantidades exatas, que ficou incrível no formato, textura e sabor. Aí hoje, nessa receita que segui como sempre, deu errado.

E como sou a pessoa que gosta de captar os sinais e as mensagens, compreendi que era a vida mostrando que um dia as coisas vão dar muito certo e em outros não. E que faz parte. E eu na minha inocência, acreditando que dava pra salvar o bolo ainda fiz uma calda de chocolate e quando fui comer definitivamente não deu. Precisei descartar com dor no coração, porque né, é comida.

E aí fiquei aqui refletindo com meus botões sobre o aprendizado do dia: às vezes é bom não insistir. Em quantas coisas continuamos colocando nossa energia mesmo quando estamos vendo que não vão dar certo? Tudo bem abrir mão, abandonar, não insistir porque percebemos que não tem conserto. Aqui foi o bolo (um exemplo simplista, claro), mas vale pra tudo na vida: projetos, relações, trabalhos. Não é sinal de fracasso abrir mão de algo. Pelo contrário: é sinal de que você se conhece a ponto de saber o que não vale mais a pena e como direcionar sua energia e seus esforços pra algo que tenha significado.

E assim fechamos o domingo.

Fases

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Eu não sabia que era pico de abundância de borboletas nessa época. Nunca tinha reparado nisso até que no mês passado encontrei muitas lagartas e muitas crisálidas na minha casa. Só no espaço da escada e da cozinha contei mais de 10 casulos. Aí que ontem consegui registrar essa que depois de pesquisar, descobri que tinha recém saído da “casinha”. Li que uma vez fora do casulo as borboletas levam de 2 a 4 horas pra poder voar e que durante esse período, bombeiam fluidos para todas as partes do corpo, que ainda estão comprimidas pela posição da pupa e que é só quando esse processo está concluído que “nascem”, de fato, as borboletas.

Costumamos usar as borboletas pra falar sobre nossos processos de mudança. Com elas entendemos que precisamos “morrer” para algumas coisas pra poder nascer para outras. Só que não é fácil, né? Abrir mão de tudo o que nos é conhecido e mergulhar em algo que não sabemos no que vai dar é um desafio e tanto. Achamos que temos controle sobre tudo, mas a verdade é que a gente não controla nada. Imagina se a lagarta resistisse a querer viver algo que lhe é natural e necessário? Se ela se recusasse a virar pupa para se transformar em uma borboleta? Mas é o que a gente faz.

Por desejar manter o controle e ficar onde é “conhecido”, a gente evita mergulhar fundo e fica só na superfície, nos privando de tudo o que poderíamos ser. Só que eu falo sobre isso sabendo que eu também tenho medo e que mudar, pra mim, não é fácil. Mas juro que tô tentando, todos os dias dias, me despir de conceitos, condicionamentos, ideias, e fórmulas e entendendo que de vez em quando vou precisar entrar no meu casulinho e me desligar de tudo pra poder me conhecer melhor, entender o que e quem eu sou, pra depois poder sair e voar por aí.

E-book Viva um Ano mais Consciente

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Desde que me entendo por gente gosto de escrever. Já tive muitos diários, vários blogs já escrevi poesias, colunas em jornais… Enfim, foram muitas as coisas sobre as quais falei ao longo de três décadas de vida e no final do ano passado finalmente realizei algo que tanto queria: lançar meu primeiro e-book!

A ideia de escrevê-lo surgiu de maneira repentina e sua escrita foi um processo ao mesmo tempo intenso e fluido. Esse livro é fruto das minhas experiências vividas e de toda a minha caminhada até aqui, cheia de erros e acertos, como toda vida é. Olhando pra trás consigo perceber o quanto os momentos mais difíceis me proporcionaram aprendizados que me fizeram mudar completamente, me redirecionando, fazendo com que eu me redescobrisse. Não foi fácil, mas não mudaria nada nessa caminhada. Sinto-me feliz com a pessoa que venho me tornando.

Esse livro tem como proposta trabalhar uma aspecto da vida por mês ao longo do ano, nos convidando a realizar pequenas mudanças que nos permitam nos aproximar da vida que desejamos viver! Abordo: autoconhecimento, alimentação, exercícios físicos, finanças, responsabilidade ambiental e social, dentre outros aspectos da nossa vida. São propostas simples e possíveis de serem colocadas em prática pois acredito que pequenos passos nos trazem mudanças menores, porém duradouras.

Sem mais delongas, vou deixar aqui o link para quem desejar adquiri-lo. Seu valor é de R$20,00 e comprando-o você colabora com meu trabalho que já existe nas redes há 7 anos. Espero que gostem e consigam aplicar em suas vidas o que proponho nele!

Seguir em frente, apesar das dúvidas

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Meu coração respirou aliviado quando percebi que não ter certeza das coisas é mais comum do que eu imaginava. Não sei se você concorda, mas às vezes penso que tendemos a achar que nosso problema é único e exclusivo e aí, quando falamos sobre ele com alguém, percebemos que na verdade questões como as nossas costumam assolar muitas outras pessoas e que as indagações que nós temos só mudam de endereço.

Lembro que quando li o livro “como ter uma vida normal sendo louca” da Jana Rosa e da Camila Fremder, pensei: “Meu Deus! Tem gente louca igual a mim! Ufa!” As coisas que elas compartilham naquele livro poderiam ter sido escritas por mim, tamanha semelhança nas neuroses. Foi reconfortante.

E aí que depois de muito pensar a respeito da impermanência das coisas, depois de entender que a vida é realmente esse emaranhado de opções e possibilidades e de ver que outras pessoas se sentem da mesma forma, confesso que passei a me sentir um pouco mais confortável com esse fato. E esse conforto não me deixa acomodada, mas me deixa tranquila em saber que ainda que eu siga meu planejamento, estabeleça metas e trabalhe nelas, talvez as coisas não saiam como eu havia imaginado. E é com essa sensação que quero lidar melhor. Com a sensação de que fiz o que pude, mas que algumas coisas estão além do meu controle.

Pode ser que a impermanência seja exatamente o que precisamos pra entender que podemos recomeçar quantas vezes for necessário. Muitas vezes quando iniciamos algo somos uma pessoa e no meio do processo vamos nos transformando de tal maneira que final dele talvez nem o teríamos começado! Meio louco isso né? Isso rolou comigo quando comecei uma pós graduação em marketing. Logo no meio do primeiro ano do curso tive depressão e síndrome do pânico o que me fez questionar a minha vida em todos os sentidos possíveis, inclusive sobre o que eu estava estudando. Finalizei o curso mas direcionei meu artigo de finalização para levantar a relação entre marketing e consumismo. Foi bacana, no final das contas.

Não existe um destino final, mas um contínuo processo de caminhar. E isso me fez pensar que o segredo está em ir ajustando o passo, o tempo e os planos enquanto a gente anda. De vez em quando é preciso reduzir a velocidade ou aumentá-la. Ou então rola algum problema e precisamos mudar de rota, ou finalizar a viagem antes do esperado… Então, vamos em frente fazendo os ajustes, conhecendo novas pessoas e nos permitindo descobrir novos caminhos.

A nossa voz

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Essa semana li um trecho de uma entrevista com uma criadora de conteúdo e que fez muito sentido pra mim. Ela dizia que amadureceu sua maneira de estar nas redes e que, a partir dessa mudança prioriza o que ninguém pode fazer por ela: falar com suas próprias palavras.

Em uma das cartas que envio mensalmente comentei sobre como é importante a gente usar a internet como ferramenta de potencialização das nossas vozes. Se essa rede tá aqui pra gente se conectar, por que não fazer isso? Por que não colocar pra fora o que a gente acredita, pensa, sente (claro que tudo isso com respeito e bom senso)? E isso pode ser feito não só pela escrita, mas pela música, vídeo, pintura, bordado… Pela nossa arte, independente de como ela se manifeste.

O texto abaixo também me tocou muito por me fazer enxergar a importância de compartilhar. Compartilhando, dividindo o que somos, nossos aprendizados e habilidades, somos capazes de inspirar e motivar outras pessoas a também fazerem o mesmo. Assim é que conseguimos fazer com que o que acreditamos continue existindo em outras pessoas, ainda que não estejamos mais presentes.

Se eu morresse hoje

Às vezes pensamos que é preciso realizar grandes feitos na nossa existência e isso acaba prejudicando nossa expressão porque tendemos a valorizar mais a finalidade do ato do que seu processo e como ele nos transforma. Talvez apenas precisemos dar vazão ao que nos deixa inquietas, ao que parece borbulhar no nosso peito pedindo desesperadamente para fazer morada fora de nós. E ainda que ninguém ouça, ou veja, ou leia, ou assista o que criamos, não importa. Façamos por nós. Isso basta.

Mas que é bom quando a nossa voz toca o outro, ah, isso é verdade. Porque nós nascemos para o contato, para a troca, para o aprendizado. Nascemos pra nos conectar com outras pessoas e é bom ver nossa voz ecoando por aí, fazendo morada em outros lugares e se tornando motivo de reflexão e mudança. Que a gente nunca perca o desejo de falar sobre o que toca o nosso coração!

Mudanças & lembranças

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Estamos em um processo de reforma na casa em que moro e pra isso precisamos deixá-la vazia e nos hospedar em outro lugar. Por sorte nós viemos pra casa da minha avó que fica literalmente do lado da minha, mas isso não significa que a mudança tenha sido tão fácil, afinal, se mudar é sempre um trem que mexe com a gente em todos os sentido possíveis. Três semanas depois, cá estamos entre caixas e itens pra doação, colocando as coisas no lugar, acompanhando a obra e aguardando a nova carinha que nossa casa vai ter.

Todo esse processo tem trazido à tona um misto grande de sentimentos, especialmente das lembranças vividas aqui, na casa onde estamos. Casa de vó é um lugar mágico, né? Não importa se é uma casa simples ou uma mansão, sempre tem espaço pra todo mundo e aqui a gente sempre se sentia acolhido, como se estivesse na própria casa. E olha que somos uma família enorme. Só filhos são 12, fora os esposos e esposas, netos bisnetos e agregados. Mesmo que precisássemos nos espalhar entre cadeiras, bancos e sofás pra que todo mundo coubesse sentado ou ainda que precisássemos comer com os pratos nas mãos e transformar qualquer beiradinha em uma mesa, sempre cabia todo mundo. Depois de entrar aqui, mesmo que tivéssemos nossas questões, tudo era momentaneamente deixado do lado de lá da porta e convivíamos em harmonia. Afinal, que família não tem uma treta? Rs…

Aqui tenho sentido as lembranças virem à tona mais nítidas do que nunca e junto disso a sensação de estar desfazendo as malas que carreguei por todos esses anos da minha vida e me colocando cara a cara com meus pertences físicos e emocionais, em uma oportunidade de deixar ir o que precisa partir e manter o que desejo que fique. E ainda sentindo que muitas coisas dentro de mim também estão mudando, amadurecendo, como se as pecinhas que faltavam pra completar um quebra cabeça estivessem perdidas e aqui estão sendo finalmente encontradas e colocadas em seus devidos lugares.

Eu só mudei uma vez na vida. Demolimos a casa em que morávamos, que era muito pequena, pra poder construir outra um pouco maior e mais confortável. Mas quando isso aconteceu eu não tinha idade suficiente pra participar ativamente do processo como tem sido agora. Dessa vez eu desmontei coisas, encaixotei, separei itens pra doação, montei coisas de novo, tirei das caixas e ainda tenho visitado a obra diariamente e acompanhado de muito perto todas as mudanças. É como se, ao demolir algumas paredes, estivéssemos deixando parte de nós ruir com elas, não em um sentido ruim, mas como uma oportunidade de reconstruir e escrever novos capítulos da nossa história.

Assim seguimos, exercitando a paciência, reconhecendo que é preciso tempo pra mudar, pra deixar ir, pra colocar a casa em ordem e pra recomeçar. Ainda não temos previsão de quando voltaremos pra nossa casa, mas estou feliz em poder preparar espaço para um novo capítulo da minha vida.