Como reduzir o uso do celular?

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Talvez esse não seja o melhor momento pra fazer esse post, mas já era: eu fiz até um podcast a respeito disso (vou deixar o player pra você ouvi-lo no final dessa publicação). Sei que a pandemia tem feito a gente usar muito mais o nosso celular  – uma pesquisa contou que aumentamos o uso do celular em 88,4% nesse período – e é compreensível. Mas não tô falando só da pandemia. A gente já vem usando o celular indiscriminadamente há muito mais tempo.

Ganhei meu primeiro aparelho em 2003, com 15 anos e ele só mandava sms e fazia ligações. Em 2007, com o lançamento do primeiro iPhone, a indústria dos celulares se transformou e hoje temos um aparelho que, em último caso faz ligação. Nosso telefone é nosso DJ, nossa agenda, nosso banco, nosso jornal, nossa TV e muitas vezes nosso trabalho. Não quero demonizar o celular não, pois reconheço o quanto as tecnologias facilitam as nossas vidas, mas quero propor uma conversa pra gente entender melhor por que passamos horas do nosso dia de olhos grudados nessas telas.

O primeiro ponto é que existe todo um trabalho de engenharia e design nos aplicativos pra fazer com que passemos a maior parte do nosso tempo neles. O livro “Celular, como dar um tempo”, da Catherine Price, explica de forma muito simples todas essas questões que fazem com que nós estejamos cada vez mais viciados. É importante também nos questionarmos sobre os apps (especialmente das redes sociais) serem gratuitos. É que o que é vendido ali é a nossa atenção e quem paga por isso são os anunciantes. Quanto mais tempo a gente passa conectado no nosso telefone, maior a chance de vermos anúncios e de comprarmos algum bem ou serviço oferecido nas redes.

E por que nós ficamos viciados? Por que esses designs e trabalhos de engenharia são feitos pra gerar o “feedback comportamental” que manipula a química do nosso cérebro através da produção de dopamina, nos levando a comportamentos viciantes.  Sabe quando uma publicação sua tem muitas curtidas e comentários e gera aquela sensação gostosa? Então, nosso cérebro armazena essa informação sempre que esse tipo de coisa acontece e, com o passar do tempo, nosso cérebro libera a dopamina só da gente se lembrar dessa sensação. Por isso ficamos sempre atualizando as notificações pra ver se conseguimos sentir cada vez mais essa sensação boa.

Uma questão que também faz com que nós não queiramos largar o telefone é o FOMO (Fear of missing out), que é o medo de perder algo interessante ou importante enquanto estamos longes dos nossos celulares. Ninguém quer ser o último a saber das coisas, ainda mais hoje em dia que temos informação em tempo real. E o contrário do FOMO é o JOMO (Joy of missing out) que nos convida a reencontrar o prazer e alegria longe dos nossos celulares.

Com o FOMO e o nosso medo de perder algo, não damos conta do tempo que passamos conectados nas telinhas dos nosso celulares. Hoje em dia os aparelhos tem essa função de monitoramento de tempo e, sabendo do tempo que ficamos no aparelho existem duas coisas pra gente pensar: Vamos supor que o nosso aparelho mostre que passamos 3 horas por dia usando o telefone. Imagine se a gente usasse esse tempo pra poder aprender algo, ou pra passar tempo fazendo algo que nos trouxesse algum tipo de retorno. Se eu usasse 1 hora que fosse do meu dia, todos os dias, pra me dedicar a estudar um assunto ou aprender um instrumento, eu tenho certeza de que aprenderia razoavelmente rápido.

O segundo ponto é que a gente não passa 3 horas “corridas”no celular. Pegamos o aparelho várias vezes ao longo do dia e a quantidade do monitoramento nos mostra a somatória do tempo. E aqui tem um ponto bem interessante: os nossos celulares estão afetando a forma como aprendemos. Supondo que você esteja escrevendo um texto (como eu tô fazendo agora) e seu celular mostra notificações no whatsapp. Você vai querer ver. Então você para o que está fazendo pra ver a notificação (e muitas vezes não é nada importante). A linha de raciocínio é quebrada e pra você retomar esse fluxo de concentração leva um pouco de tempo.

O que tem me ajudado aqui a melhorar isso foi desativar todas as notificações. Assim não me sinto curiosa pra ver que mensagem eu recebi e consigo melhorar minha concentração. Tirar um dia da semana pra não acessar redes sociais nem internet também tem sido uma experiência muito bacana que tem me feito perceber a passagem do tempo de uma forma diferente. Sinto que consigo ficar mais presente e concentrada no que estou fazendo e me sinto plena e feliz naquele momento.

Se você tem a sensação de que passa tempo demais no telefone e que quando se dá conta seu dia passou, vale a pena repensar esse uso. Se, monitorando o tempo você vê que passa tempo demais em uma rede social, talvez valha a pena pensar no porquê de estar agindo assim. Não estou dizendo que você não deve se entreter nas redes sociais, ver memes e não fazer coisas “improdutivas” por lá. Talvez seja necessário apenas um ajuste pra não sacrificar a vida real (que no final das contas é que importa) passando tempo demais conectado ao celular.

Ouça meu podcast sobre esse assunto:

Slow Blogging

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Não sei você, mas sou de uma geração que só teve contato com a internet na adolescência. Minha infância foi longe das telas (computador naquela época era artigo de luxo) e a percepção do tempo e das coisas eram muito diferentes. Mas também reconheço os benefícios que as tecnologias e o acesso à internet trouxeram para as nossas vidas.

Quando minha mãe comprou um computador lá pra casa a gente não tinha acesso à internet ainda. Usávamos ele só pra fazer trabalhos e jogar joguinhos que já vinham no computador ou que alguém nos emprestava. Depois a internet chegou aqui no interior (era discada) e por isso tínhamos um limite de tempo de uso (só depois da meia noite e no final de semana pra gastar um pulso só! Rs…) Lembro que além do ICQ e MSN (que eu acessava na lan house), criei meu flogão. Ali postava as fotos de qualidade bem baixa tiradas na câmera do Léo, meu amigo. Migrei para o fotolog e também criei meu blog que era basicamente um diário virtual. A gente se abria mesmo, expunha os sentimentos, era tudo bem simples.

Em seguida teve o boom dos blogs de moda que fizeram todo mundo querer ter o seu também (eu inclusive tive um) e depois, com a síndrome do pânico e todas as mudanças pelas quais eu estava passando, criei esse blog, que a princípio era apenas pra registrar minha experiência de ficar um ano sem comprar nada, mas posteriormente acabou se tornando um local pra compartilhar meus anseios, reflexões e aprendizados na busca por autoconhecimento.

Quando me tornei vegana em 2016 fui para o instagram pra compartilhar meus pratinhos e a experiência de ser vegana em uma cidade pequena. A conta foi crescendo e aquele se tornou meu principal foco de produção de conteúdo. Abandonei esse blog, mas depois decidi retomar as publicações aqui também. Entendi que o que eu acredito como vida simples conversa muito com outros movimentos como o veganismo e por isso resolvi voltar pra cá. E por último, veio o podcast que tem sido uma experiência muito prazerosa de produzir.

Então, tô aqui criando conteúdo na internet há 7 anos. Já fui a pessoa super produtiva, que postava todos os dias, até sentir o cansaço me consumir e começar a pensar na quantidade de conteúdo produzido e no quanto é exaustivo produzir com responsabilidade. Entendo que a internet demanda conteúdo rápido e novo todos os dias e geralmente os perfis que produzem dessa forma tem toda uma estrutura pra poder dar conta. Mas quem produz de forma independente se sente sobrecarregado e realmente não consegue acompanhar tudo isso.

Pra vocês terem uma ideia: meu trabalho pra produzir um episódio do podcast leva pelo menos 6 horas entre: pensar no tema, escrever roteiro, gravar, divulgar, criar arte e distribuir nas plataformas. E esse é só um dos conteúdos que eu crio fora o trabalho que tenho e que paga as minhas contas. Tudo isso tem colaborado pra me fazer questionar essa necessidade de novidade o tempo todo. Já existe muita coisa legal disponível que podemos usufruir, aprender, rever e consumir. A quantidade de informação que consumimos tem nos deixado “infoxicados“, exaustos mentalmente. E isso vale pra todo mundo, pois todos são produtores de conteúdo em maior ou menor grau, já que se temos um perfil em uma rede e o alimentamos, estamos produzindo conteúdo.

O que eu mais tenho ouvido das minhas amigas que também produzem conteúdo é que todas estão cansadas de tentar postar todos os dias pra serem vistas pelos seus seguidores. Produzir de forma responsável requer que estudemos, compreendamos o conteúdo, façamos ele conversar com a nossa história e o transformemos em algo que tenha uma pitada da gente pra depois poder compartilhar com outras pessoas. E isso não dá pra ser feito da noite para o dia.

Só que quando nós reduzimos a velocidade dessa produção, perdemos visibilidade, já que as redes são projetadas pra que passemos a maior parte do nosso tempo conectados à elas, pois o que é vendido ali é a nossa atenção (são os anunciantes quem bancam o nosso uso gratuito das redes) e que pode ser convertida na compra de um bem ou serviço. Por isso é interessante que passemos mais e mais tempo conectados. No final das contas a gente precisa escolher o que fazer e tentar encontrar um ponto de equilíbrio que não sacrifique nossa paz e nossa saúde mental. Devemos encontrar alternativas que nos possibilitem continuar a realizar o nosso trabalho on-line, mas não nos sentirmos culpadas por não dar conta de tudo, nem de produzir em alta velocidade.

E aí que entra o slow blogging que nada mais é do que “postar devagar”. É reduzir a velocidade das postagens e produzir com mais calma, respeitando nosso ritmo (mesmo que isso implique não seguir as regras das redes de estar presente todos os dias). O slow blogging conversa muito com o slow living e a vida simples, onde priorizamos as coisas que são importantes pra nós. Por aqui reduzir o volume de produção tem dado certo. No começo eu me sentia meio culpada, mas acho que cada um sabe onde aperta o sapato e de nada vale um feed perfeito e a saúde mental péssima, não é mesmo?

Tenho tirado os domingos pra não usar internet e tem sido maravilhoso. Aos domingos eu sou só a Bruna. Apenas existo e vivo a vida real. Nas segundas eu retorno e a cada semana, venho tentando entender o que eu quero mudar nesse trabalho com as redes, em como posso produzir no meu tempo, do meu jeito, sem pressão. E tô feliz em seguir esse caminho.

No episódio dessa semana do podcast falei um pouco sobre isso e sobre a produção de conteúdo.

Encontrar a felicidade nas coisas simples

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Acho que a felicidade é aquela sensação de “quentinho no coração” que acontece em situações muitas vezes inusitadas. Eu, por exemplo, já senti a felicidade lavando a louça! Mas calma aí que eu vou explicar.

Era domingo, meu dia de folga (longe de redes sociais e qualquer tecnologia que exija minha atenção, em que uso o celular só em caso de precisar mandar uma mensagem importante ou fazer uma ligação). Final do dia e lá vou eu preparar algo pra comer. Vi três berinjelas murchando e me lembrei que tinha comprado gergelim pra fazer tahine, mas o corre da semana não permitiu. Vou preparar o tahine (que gosto de comer com pão) e pra aproveitar as berinjelas e “limpar” o processador, fazer babaganoush. Sempre que faço algo que gruda demais no processador penso numa receita que contenha esse mesmo ingrediente pra evitar desperdiçar e usar a receita pra limpar o aparelho.

Preparei tudo e olhei pro rádio na prateleira das panelas logo em cima da pia. Lembrei que adoro a Rádio Educativa que só toca música que eu gosto. Muitas vezes eu chego a pensar que a escolha das músicas é tão boa (no caso, tem tanto a ver com meu gosto) que poderia perfeitamente ser uma das playlists que costumo fazer no Spotify.

Fim de tarde é a hora em que também trago 2 dos meus 5 cães pra dentro da casa pra me fazer companhia enquanto faço um lanche. Bob e Pipoca estavam tranquilinhos, deitados no chão da cozinha, alguma música dos anos 80 estava tocando e eu lavando a louça. Ali, naquele momento tão normal e nada extraordinário eu me senti feliz. Feliz com a união de tudo o que eu gosto: estar ali preparando uma comida na companhia dos meus bichinhos e ouvindo música boa.

E eu quis “agarrar” aquele momento igual quando a gente quer porque quer agarrar uma borboleta pra contemplar sua beleza de perto mas ela, assustada, foge. E aquele momentinho se foi. Igual borboleta. Quando eu pensei em como queria fazê-lo durar, ele escorreu pelas minhas mãos junto com a água da louça que eu lavava. Apesar da brevidade eu ainda senti aquele quentinho no coração por um tempo e lembrei que Guimarães Rosa escreveu que “a felicidade se acha é em horinhas de descuido”.

Mas e se a gente ficasse mais atenta e menos descuidada? Talvez assim a gente conseguisse ser feliz nas coisinhas simples: em ter a companhia dos nossos bichinhos, em ler um livro no final da tarde, em curtir aquela música que a gente adora, em comer uma refeição saborosa preparada com carinho… E aí, com o coração quentinho e alimentado dessa bem querença, talvez fique mais fácil seguir em frente e a gente fique preparada pras coisas não tão felizes que a vida coloca no nosso caminho. Por que a felicidade é assim mesmo: bate na porta, toma um café, faz um afago e se vai. E a gente só precisa estar atenta pra partilhar esse momento com ela.


 

Esse é o tema da semana do podcast. Clique para ouvir:

 

Infoxicação

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O isolamento social alterou muito a nossa forma de consumir conteúdo. Separados dos nossos amigos e muitas vezes trabalhando em casa, o que resta é fazer uso da internet e das redes sociais pra conversar, distrair e se informar. Mas que tipo de informação temos consumido e qual o impacto dela nas nossas vidas?

Com a maioria das pessoas com quem tenho conversado sobre esse assunto, a alegação é sempre de exaustão mental: é informação demais pra gente assimilar!  E não é só isso. As circunstâncias sob as quais estamos não favorecem a assimilação de todo esse assunto:  é o medo de contrair o vírus e de contaminar outras pessoas, o fato de estarmos afastados de quem amamos, preocupações com dinheiro, família, amigos, trabalho, toda a incerteza de quando as coisas voltarão ao “normal”… Tudo isso tem nos abalado ao ponto de às vezes passarmos um dia inteiro sem conseguir fazer nada.

E tem mais: abrir as redes sociais, ver gente acordando cedo e se exercitando,  pode ser um gatilho. Em conversa com amigas, muitas disseram ter parado de seguir alguns perfis, especialmente os fitness que, por mais que possam ter o intuito de ajudar a exercitar em casa, por exemplo, acabam trazendo um sentimento ruim, de que não estamos esforçando o bastante para cuidar de nós mesmas. Mas com a saúde mental abalada fica difícil ter disposição para fazer qualquer outra atividade. Esse excesso de informação que temos consumido tem nos gerado ansiedade, frustração e comparação com a vida de outras pessoas, porque o feed das redes se tornou a nova “grama do vizinho”.

O termo “infoxicação” foi criado pelo físico espanhol Alfons Cornellá em 1996 para explicar os efeitos do excesso de informação: ansiedade e estresse. Uma pesquisa realizada pela Opensignal, que monitora o uso de telecomunicação no mundo, mostrou que no Brasil a penúltima semana de março foi a que mais registrou um aumento na porcentagem de uso de Wi-Fi desde o início do ano, fechando com uma taxa de 70,1%.

Assim como o corpo precisa de descanso a nossa mente também precisa, mas acabamos não nos preocupando com o impacto que o excesso de informações pode causar na nossa saúde mental. Nos mantermos informados e em contato com nossos amigos e familiares através das redes sociais é importante nesse momento, mas precisamos estabelecer um limite para que nossa saúde mental não vá pelo ralo.

O que fazer então? Reservar alguns períodos do dia para acessar a internet e optar por ler as notícias ao invés de assisti-las (por que sempre tem o tom que pode bastante alarmante – não que a situação não esteja caótica, mas ler pode ser melhor); tentar se dedicar a atividades que exijam atenção e presença (atividades manuais, pintar, desenhar, organizar os armários, livros) também pode ajudar a aliviar a tensão e focar nossa mente em uma coisa por vez; ver uma série ou filme também pode ajudar a aliviar um pouco a preocupação com a situação do momento. Se não há outra coisa a ser feita além de mantermos os cuidados e evitarmos sair de casa,  que consigamos pelo menos reconhecer nossos limites e cuidar da nossa saúde mental nesse momento tão desafiador.

 

Você não vai agradar todo mundo

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Das poucas certezas que temos na vida, sem sombra de dúvidas essa é uma delas: não vamos agradar todo mundo.

Infelizmente muitas de nós passamos boa parte das nossas vidas tendo como meta a aprovação das pessoas, deixando de fazer o que gostaríamos e até nos indispondo com nós mesmas para sermos aceitas em um determinado grupo ou pelas pessoas que amamos.

Mas a gente se fere quando faz isso. Ferimos a nossa essência, nossa individualidade, que é aquilo que temos de valor e que nos permite oferecer uma contribuição única para o mundo. Do nosso jeito. Com a nossa cara.

É claro que ninguém quer ser rejeitado. Se sentir pertencente e bem quisto faz parte das nossas necessidades básicas, mas até que ponto vale a pena abrir mão de quem somos pelos outros?

Confesso que já passei um bom tempo tentando me encaixar em moldes até entender a importância de me libertar disso, de fazer o que eu queria por mim, porque me trazia realização. Quando deixei de dar tanta importância ao que os outros pensavam de mim, consegui direcionar essa energia para colocar em prática o que eu queria, pensando em mim e na minha realização pessoal.

Tem um episódio do podcast sobre esse assunto. Clique abaixo para ouvir:

 

#DesafioUVMS

Criei um desafio lá no instagram chamado #desafiouvms que consiste em registrar algo na sua rotina seja em casa ou nas vezes em que precisa sair pra gente tentar enxergar um pouco de beleza na nossa rotina e no nosso entorno. Estamos passando por um momento tão desafiador com a pandemia que ficamos nessa gangorra de sentimentos e sensações: ora estamos bem, animados, dispostos, ora ficamos tristes, inseguros, sem saber o que fazer.

A ideia é dar uma desanuviada na cabeça. Nas últimas semanas eu estava bem no modo “full pistola” com muitas coisas, mas entendo que faz parte e que na atual conjuntura, na situação em que nosso país se encontra é impossível ficar plena e em paz, por que é só acordar e ver as notícias do dia que a gente sente um desânimo tremendo.

Registrar o que nos chama a atenção ou o que nos dá um alento nesse momento é uma forma de manter viva a esperança de quem nem tudo está perdido. De que mesmo nesse caos a gente não só pode como deve buscar enxergar um pouco de beleza na nossa rotina.

Acompanhe e participe lá no @umavidamaissimples.

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Lembro que uma vez fiz um desafio de fazer uma foto por dia durante um mês. Eu trabalhava fora e levava minha câmera cybershot na bolsa pra clicar as coisas que via pelo caminho. Foi uma experiência muito legal. Vi coisas que nunca tinha prestado atenção como uma casa que tinha detalhes na janela que pareciam cílios. Que tal se a gente fizesse um desafio assim durante a próxima semana? Acho que pode ser uma oportunidade de observarmos nosso entorno e vermos nossa casa com outros olhos. Pode ser fotos de casa ou caso você tenha que sair, de algo que tenha te chamado a atenção. Começa segunda e vou compartilhando meus registros aqui com vocês. Vocês podem usar a tag #desafiouvms pra podermos acompanhar os registros. Vamos? Ps. Fiz esse registro ontem quando precisei sair de casa e deixei ele salvo nos destaques pra quem quiser a imagem de wallpaper #vidasimples #umavidamaissimples #desafiofotografico #simplicidade

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O momento perfeito

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Será que existe um momento perfeito pra fazer algo, quando tudo está perfeitamente alinhado e sob controle?

Acho que em alguns momentos sim, os ventos sopram a nosso favor, mas na maior parte do tempo é muito mais sobre a gente ajustar as velas e assumir o leme das nossas próprias vidas, aprendendo a lidar com o que temos e com as circunstâncias que vão se apresentando ao longo do caminho.

Eu idealizei muitas coisas nesses 31 anos de vida e passei muito mais tempo no mundo da imaginação do que colocando, de fato, minhas ideias em prática. E sinto que isso tinha a ver com diversas questões: medo de não ser boa o suficiente, medo de não dar conta do recado, medo da reprovação dos outros, de não dar certo… E nisso muita ideia legal morreu ali na cabeça mesmo.

Hoje, um pouco mais madura, percebo que a realização pessoal em fazer algo, alinhada, claro, com planejamento, é muito mais importante do que receber aplausos e reconhecimento das pessoas. Claro que é ótimo quando um projeto nosso ganha visibilidade, quando ele pode ser útil pras pessoas e ajudá-las de alguma forma… Mas nem sempre isso vai acontecer. E tudo bem.

Enquanto passarmos a vida esperando pelo momento ideal, muitas oportunidades passarão. Sei que as vezes o medo é grande, mas é melhor correr o risco e errar do que passar a vida cogitando como seria se tivéssemos feito algo. Nós nunca vamos ter 100% de certeza sobre nada, mas se o nosso desejo de fazer algo é genuíno, se está no nosso coração, valerá a pena, independente do resultado.

Falei mais disso no último episódio do podcast, disponível abaixo.

 

Às vezes é bom não insistir

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Adoro perceber os ensinamentos que a vida nos traz nas coisas mais simples: hoje resolvi fazer um bolo de cenoura, bolo esse que já fiz milhares de vezes e sempre deu tudo certo. Mas eis que hoje o bendito bolo não só não cresceu como ficou cru. Formou uma casca por fora, mas por dentro não assou.

Ontem estava toda feliz porque consegui fazer uma receita de pão de beijo (versão vegana do pão de queijo) tomando uma base de receita mas não seguindo as quantidades exatas, que ficou incrível no formato, textura e sabor. Aí hoje, nessa receita que segui como sempre, deu errado.

Mas olha se não é a vida mostrando que um dia as coisas vão dar muito certo e em outros não. E que faz parte. E eu na minha inocência, acreditando que dava pra salvar o bolo ainda fiz uma calda de chocolate e quando fui comer definitivamente não deu. Precisei descartar com dor no coração, porque né, é comida.

E aí fiquei aqui refletindo com meus botões sobre o aprendizado do dia: às vezes é bom não insistir. Em quantas coisas continuamos colocando nossa energia mesmo quando estamos vendo que não vão dar certo? Tudo bem abrir mão, abandonar, não insistir porque percebemos que não tem conserto. Aqui foi o bolo (um exemplo simplista, claro), mas vale pra tudo na vida: projetos, relações, trabalhos. Não é sinal de fracasso abrir mão de algo. Pelo contrário: é sinal de que você se conhece a ponto de saber o que não vale mais a pena e como direcionar sua energia e seus esforços pra algo que tenha significado.

E assim fechamos o domingo.

 

Amizades

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Pedalar me trouxe muitas coisas boas e uma delas foi perceber a receptividade das pessoas por onde a gente passa. Lembro que uma vez que pedalei de uma cidade até outra e no meio do caminho paramos (uns amigos e eu) pra conversar com um senhor que acabou nos oferecendo biscoitos quentinhos, que ele tinha acabado de assar.

Foi numa dessas pedaladas que conheci o seu Homero. Na verdade eu fiz amizade com os cães dele primeiro, Quico e Caco. Sempre que passava pelo bairro que ele mora, na zona rural, parava pra brincar com os doguinhos até que um dia ele estava por lá, parei pra conversar e de lá pra cá ficamos amigos.

De vez em quando a gente se tromba aqui na cidade, porque ele tem uma casa aqui e se divide entre ficar um pouco lá e outro pra cá. Quando nos encontramos ele pergunta como estão as coisas, se tá tudo bem com a família e também com a Natália, por que a gente costuma pedalar juntas nesse trajeto. E eu pergunto como estão as coisas e sobre o doguinho, que agora é só o Caco. Quando é tempo de fruta ele manda avisar que se eu passar lá perto da casa dele mas ele não estiver, posso pular a porteira e comer jabuticaba à vontade.

Na gentileza e na simplicidade, uma amizade.

 

Bolinho de saudade

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Bolo tem esse negócio de trazer um certo conforto pra nossa alma. É como sentir um abraço fofinho que traz boas lembranças. Eu não tenho muitas lembranças de bolo na infância, porque minha mãe não era muito de fazer coisas diferentes. Confesso que morria de inveja das minhas amigas cujas mães faziam coisas diferentes em casa, tipo bolos, tortas e afins. Lembro de um dia que a gente foi fazer trabalho na casa de uma amiga e tinha um bolo que a mãe dela molhou com refrigerante e estava maravilhoso. Aqui em casa era sempre o básico… Talvez seja por isso que eu goste tanto de cozinhar.

O bolo de fubá é um clássico aqui do interior, recheado com goiabada e tudo o que se tem direito, mas hoje eu quis fazer esse bolo porque ele me lembrou aquela “broa mimosa” que nunca mais comi depois que me tornei vegana porque leva um monte de ovo e nunca achei nenhuma versão vegana dela. Geralmente eu faço o bolo de fubá com côco ou goiabada, mas hoje, pra lembrar do gostinho da broa, fiz o bolo com erva doce na massa, um pouquinho só pra ela não se sobressair e ofuscar o fubá.

Hoje o dia amanheceu todo nublado, ventou forte, até uma árvore de um terreno aqui perto de casa caiu. Deu uma chuviscada e o dia se manteve assim. Dias assim me deixam melancólica, então, nada como um bolo com café quentinho no final do dia pra gente se sentir abraçacinha e acalentada.

A receita:

2 xícaras de fubá mimoso (farinha de milho fina)

1 xícara de farinha de trigo

trigo 3/4 de açúcar demerara

1 pitadinha de sal

1 colher (sopa) de fermento

1/2 de óleo vegetal (uso de girassol)

1 + 1/2 xícara de água

1 colher (sopa) de vinagre de maçã

Goiabada picadinha, ou côco ralado ou erva doce pra colocar na massa.

Assar em fogo baixo ( 180º) por cerca de 40 minutos.