4 séries levinhas para você assistir

Se você, assim como eu, tem procurado assistir filmes e séries mais leves pra distrair a cabeça, vai gostar bastante dessas 4 indicações. Uma das coisas que mais gostei nessas séries são as relações de amizade. Geralmente são duas, três ou quatro amigas que estão juntas pro que der e vier. Acredito que devam existir histórias assim na vida real e deve ser muito bom saber que independente da circunstância, da hora e do local, podemos sempre contar com essas pessoas nas nossas vidas., e isso inclui os momentos bons e de diversão, mas também os momentos de seriedade em que nem sempre concordamos com que a outra pessoa faz. Tá aí uma coisa que eu admiro muito nessas personagens mulheres. Vamos lá pras indicações:

1- Doces Magnólias

Esse é o tipo de série bem leve, apesar de, como toda série que fala sobre a vida, mostrar também os desafios do caminho. Mas é o tipo que faz a gente sentir saudade dos tempos em que só precisávamos lidar com nossos conflitos pessoais sem estar passando por uma pandemia com um governo como o nosso. A série mostra a vida de três amigas de longa data que moram numa cidade pequena, seus trabalhos, suas vidas pessoais, mas especialmente o vínculo que elas tem e isso pra mim é muito legal. Como comentei anteriormente, acho muito legal poder ter amizades de longa data e manter esse vínculo firme apesar das mudanças da vida.

2- Amigas para Sempre

Essa série conta a história de duas amigas que se conheceram na infância e formaram um vínculo forte e profundo de amizade. Uma coisa que gosto é que a série mostra o presente e o passado delas, então está sempre indo e voltando no tempo o que deixa tudo bem dinâmico. Apesar de achar que muitas vezes Tully é abusiva com Kate, acho legal a forma como elas são suporte uma pra outra (especialmente a Kate para a Tully, que veio de uma família desajustada, com uma mãe viciada). Outra coisa que adoro é o visual anos 80, que sou apaixonada. Queria ter vivido minha juventude nessa época. Já estou ansiosa pela nova temporada.

The Bold Type

Essa série conta a história de três amigas que se conheceram no trabalho em uma grande revista de moda e mostra um pouco do dia a dia no trabalho e também seus dilemas pessoais. Gostei muito dos temas abordados: feminismo, imigração, poder, câncer, relações familiares, relacionamentos com grandes diferença de idade. E as três são super unidas e isso é muito gostoso de ver. Assisti as 4 temporadas num piscar de olhos e já estou esperando a 5ª e última.

Virgin River

Virgin River é um tipo de série aconchegante, sabe? Ela conta a história da Mel, que se muda de uma cidade grande pra trabalhar como enfermeira em uma cidadezinha. Ela retrata bem as cidades do interior em que todo mundo conhece todo mundo e embora em cidade pequena a fofoca role solta, também tem coisas boas como a solidariedade entre os moradores. Na série o pessoal tem o bar do Jack como ponto de encontro da cidade. Mas não pensem que só de tranquilidade se vive em Virgin River. Também tem muito b.o., mas ó, vale a pena demais assistir.

Focar nessas programações mais leves tem ajudado a enfrentar a realidade não tão fácil que a gente tá vivendo. Ter esses momentos pra relaxar e descansar é muito importante. Espero que gostem das dicas.

Quando é hora de pedir ajuda

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Eu não planejava passar tanto tempo sem escrever aqui, mas nem tudo acontece da maneira como a planeja, né? Coisas inesperadas chegam no nosso caminho e muitas vezes demandam que façamos pausas e analisemos a situação pelos mais variados ângulos, pra depois tomarmos fôlego pra continuar seguindo em frente.

Os meus últimos seis meses tiveram muitas reflexões passando por essa cabecinha, planos sendo revisados, mudanças e muitos aprendizados, em especial o de saber quando é hora de pedir ajuda. Crescemos com a ideia de sermos independentes e suficientes e de aprendermos a “dar conta das coisas” (e isso é importante, claro), só que nem sempre é assim que funciona na prática. Por mais que nosso RG mostre que o tempo passou e chegamos à vida adulta, às vezes é bem difícil segurar a onda sozinhos. E honestamente, nem sei porque insistimos nessa ideia de resolver os BO’s sem ajuda. E com todo esse conceito na nossa cabeça,  é preciso humildade pra reconhecer as nossas limitações e saber quando é hora de pedir o auxílio de alguém.

Só que a sensação de saber que não estamos sozinhos é muito boa e de fato, é muito mais fácil lidar com os problemas do nosso caminho quando temos pessoas do nosso lado nos dando suporte. A realidade é que nós precisamos das pessoas e elas também precisam de nós. Não temos que fazer tudo por conta pra provar que somos fortes. Pelo contrário: nossa força está justamente em reconhecer as nossas limitações e em saber a hora de ser ajudado.

Confesso que me sinto muito mais forte hoje, sabendo da minha pequenez e humanidade, das minhas dores e fraquezas. E falar delas é bom, porque me coloca nesse local de aprendizado constante, de quem não chegou ao “fim” da jornada. De uma pessoa que erra, cai, levanta e tenta seguir em frente, que também é uma pessoa que acerta e tem aprendido a celebrar as conquistas.

E que coisa boa é saber que muitas mãos se estenderam pra mim ao longo da vida e em diversos momentos. Quantas pessoas cruzaram meu caminho e me ensinaram e tantas outras eu também pude ensinar. Assim a gente segue, como aprendizes e professores uns dos outros.

Tem um episódio sobre isso no meu podcast. Clique para ouvir:

É tarde demais?

Se tem uma coisa que venho desconstruindo diariamente é a ideia de que é “tarde demais” pra fazer algo. No livro “Talvez você deva conversa com alguém“, a autora, Lori, compartilhou que fez várias transições de carreira ao longo da vida e que foi trabalhar como psicóloga aos 40. Sinto que nós temos uma concepção muito errada de que quando chegamos em uma “determinada idade” já está tarde demais pra recomeçar ou mudar algo na nossa vida. Hoje, ao 32, querendo fazer muitas coisas ainda, percebo que enquanto existe energia, oportunidade e vontade é tempo de nos refazermos.

É muito louco pensar que ainda jovens temos que tomar uma decisão “pro resto da vida”. Aos 20 eu não sabia ainda o que queria (e hoje ainda não sei muito bem), mas sei que ao longo desses 12 anos me transformei muito: amadureci, errei, acertei… E todas as minhas experiências foram me convidando a me refazer, a mudar aspectos que sinto que necessitem de mudança e a trilhar um caminho que seja cada vez mais meu.

Por aqui tem sido difícil fazer planos em meio a situação que estamos vivenciando com a pandemia. Muitas vezes me pego olhando fotos antigas, me agarrando nas lembranças de momentos especiais e lembrando que a vida já foi menos dura. Me recordo de andar muito de patins quando era criança. Eu tinha um modelo in-line, verde limão, que era imenso para os meus pés (diziam que tínhamos que comprar x números a mais do que calçávamos, que na real acho que era pra fazer o brinquedo durar!) e que me proporcionou muitos momentos de diversão com meus amigos. Quando eu era criança, a maioria das ruas aqui da minha cidade eram de paralelepípedo, então nós tínhamos a única avenida da cidade pra poder brincar. E a gente pirava! Lembro de descer morros que hoje, adulta, não teria coragem. E tudo isso sem equipamento de segurança! (nosso anjo da guarda ficava junto 24hs por dia! Rs…)

Há um tempo comecei a ver muita gente de patins e como esse esporte me traz muitas boas lembranças, pensei: “por que não? Até que no começo do ano apareceu um trabalho que deu uma folga nas despesas e lá fui eu me jogar nessa compra.

Esperei ansiosamente e fui acompanhando o rastreamento do correio diariamente até que ele chegasse aqui em casa. Mas ó, fui bem cautelosa e só sai pra dar minha primeira volta depois de o equipamento de segurança certinho (depois de adulto dependendo da queda o bicho pega! Rs), saí devidamente protegida também, com máscara, em um local com espaço amplo e pouco movimento e foi muito gostoso. É interessante como nosso corpo possui uma memória, ne? Foi só subir nos patins que já me recordei e até me arrisquei nas manobras. No dia do vídeo abaixo, saí com uma amiga que filmou um pedacinho do passeio e ficou muito massa!

Andei mais um pouco no local do vídeo acima até que deu-se início a onda roxa aqui em Minas e agora aproveito o quintal de casa pra poder treinar. Lá me sinto segura de arriscar umas manobras e tô sempre me filmando pra acompanhar a melhora dos movimentos. E o que me deixou mais feliz é que muitas pessoas ao verem essa partilha sobre o patins, também se sentiram animadas a retomar ou mesmo começar a patinar.

Essa tem sido uma atividade que tem me motivado bastante nesse momento. No último mês passei por um período pesado, desanimado e que me fez nem ter vontade de escrever, por isso passei tanto tempo sem postar aqui. Hoje aprendi a me respeitar, a dar tempo pra que as coisas se organizem aqui dentro, mas não tempo demais pra que eu desista. É descansar, recuperar as energias e recomeçar. Quantas vezes for preciso, porque nunca é tarde demais.

Ah, tem um episódio sobre esse tema no podcast! Para ouvir é só dar play:

Como podemos contribuir para um mundo melhor?

Eu acredito demais que um mundo melhor será resultado de uma construção coletiva. Não tem um salvador, não tem um milagre que vai acontecer e pronto, todo mundo vivendo com justiça e dignidade. As nossas ações, aquilo a gente pratica, é o que realmente conta pra transformar esse mundo louco num lugar bacana pra todo mundo. Paulo Freire trouxe na proposta de práxis a ideia de fazer com nossas ações sejam capazes de transformar a realidade e de que nossa teoria e prática precisam estar conectadas e alinhadas. Acredito muito nisso.

E aí, pensando numa escala menor, como a gente pode contribuir pra que o mundo (e esse “mundo” pode ser o nosso entorno mesmo) se torne melhor? A gente sabe que existem muitas coisas pra serem melhoradas ou resolvidas e que algumas coisas estão além de nossas capacidades e cabem aos governantes (tem inclusive um episódio do podcast sobre como a gente não vai mudar o mundo sozinho), mas algumas melhorias podem muito bem partir da gente. E o que nós fazemos? Nós agimos ou nós terceirizamos essa responsabilidade? Afinal de contas, alguém tem que fazer alguma coisa, né?

Quando tive síndrome do pânico lá em 2013 (que foi o começo de uma mudança significativa na minha vida), eu achei que estivesse prestes a morrer. Os ataques de pânico me davam taquicardia, dificuldade pra respirar, dormência nos braços… Já fui até parar no hospital várias vezes achando que estivesse enfartando. E realmente pensei que fosse morrer aos 24 anos. Isso me abalou muito e me fez pensar na forma como eu vivia. O que eu estava fazendo da minha vida? Eu trabalhava, vivia minha vida fazendo minhas coisinhas… e aí? Era só isso? Eu não queria fazer a minha existência se resumir a isso. Foi então que comecei a mudar.

No passeio da Cãogonhal – grupo de proteção no qual sou voluntária

Começou com a ideia de ficar um ano sem comprar pra questionar minha forma de consumir. Junto disso, muitas leituras sobre autoconhecimento e espiritualidade e uma maior dedicação a me conhecer, a saber o que eu realmente queria e quem eu era. Depois veio o vegetarianismo (e o veganismo), a proteção animal… e cá estou eu. São 7 anos de transformações e aprendizados diários e sinto que tenho conseguido fazer com que as coisas que eu acho importantes e acredito sejam praticadas no meu dia a dia.

Nesses anos todos o que eu percebi é como quanto mais nos unimos, menos difícil fica. Ninguém se sobrecarrega, todo mundo como cidadão também se responsabiliza pelos problemas e juntos conseguimos pensar em soluções possíveis pra melhorar as coisas. E isso é muito massa, gente! Só precisamos encontrar uma causa com a qual nos identificamos, procurar pessoas que já atuam ou que desejam fazer algo e pensar, juntos, no que pode ser feito no momento.

E foi esse o assunto que escolhi falar essa semana no podcast: como podemos dar a nossa contribuição pra esse mundo melhor no qual desejamos viver. Sigamos caminhando nessa direção: no desenvolvimento da consciência, na educação, na união e na prática. !

Leituras: Talvez você deva conversar com alguém

Nos últimos dias do ano passado peguei esse livro pra ler. Não fiz conta de tudo o que li, mas em 2020 li bastante. Longe de mim querer cobrar produtividade na leitura, mas eu realmente gosto demais de ler. E leio de tudo, sem preconceito. Se vejo uma boa indicação de alguém que gosto, lá vou eu anotar na minha listinha (que nunca tem fim! Rs)

Passei janeiro inteiro lendo esse livro – ele tem 400 páginas – , mas não por isso. Fui saboreando a leitura: as histórias, as percepções, os dilemas… Fiquei naquela mistura de sentimentos de “não ler muito rápido para o livro não acabar” e de “me envolver com as histórias e querer saber como se desenrolariam”. Nesse livro a Lori (autora) conta sobre a sua vida pessoal (sua trajetória de estudos, trabalho, relacionamento, maternidade), compartilha histórias de alguns de seus pacientes e também compartilha como era fazer terapia com outro psicólogo (seus medos, angústias, dificuldades). Gostei muito disso porque muitas vezes vemos os terapeutas como pessoas muito bem resolvidas emocionalmente, quando na verdade antes de serem terapeutas eles também são pessoas, que carregam bagagens com dores e alegrias como qualquer um de nós. Foi muito interessante ver esse lado vulnerável da autora e profissional.

Me envolvi e me emocionei muito acompanhando as histórias, fiz muitas anotações, tive muitos esclarecimentos e sinto que algumas coisas que li e que ressoaram muito com o momento que estou vivendo ainda estão tomando espaço aqui dentro de mim. E espero que tudo isso, mais do que conhecimento, possa se transformar em prática na minha vida, em algum momento.

Costumo dizer que é o livro que me encontra e não o contrário. Então, começar o ano com essa leitura foi muito especial. E se você, assim como eu, busca se conhecer e entender mais sobre as dores e delícias de ser humano, esse livro será uma excelente escolha nessa caminhada.

Descansar para prosseguir

Em janeiro tirei férias. Não escrevi nada, li pouco (porque tô saboreando cada palavrinha de um livro maravilhoso que tô lendo), assisti pelo menos uns 15 filmes, atualizei minhas séries, tomei banho de cachoeira e pedalei. Estou “só existindo” dentro do possível, fazendo as atividades que já havia me comprometido previamente. Aliás, acho que ainda vivo com a ideia das “férias escolares” no inconsciente, então, janeiro pra mim é um mês pra ir devagar.

É até engraçado como nos sentimos culpadas por fazer isso depois da vida adulta. Direto me pego pensando se eu deveria ter reduzido a velocidade justo agora, afinal, começo de ano é o momento perfeito pra começar as coisas. Mas a gente veio de um ano que virou nossa vida do avesso e em dezembro sempre rolar um acúmulo de tudo o que vivemos, as dores e as alegrias (que em 2020 foram sentidas com ainda mais intensidade), então eu tinha que parar. Mesmo que isso implicasse em “perder oportunidades”.

Essa semana, bem na última do mês e nos preparativos da volta do Podcast e demais atividades, li uma frase em uma ilustração da Isadora que fez todo sentido e que cabe pro nosso ano e pra nossa vida toda:

Quem já viveu no corre e conseguiu reduzir a velocidade, sabe que também pode rolar da gente se acomodar na marcha lenta. Ela é confortável e necessária muitas vezes, mas de vez em quando é preciso dar uma pisadinha no acelerador, sair desse local de conforto que é caminhar devagar, pegar um pouco de velocidade e sentir o vento batendo no cabelo. Não precisa ir do 0 aos 100km em segundos, mas dá pra encontrar o equilíbrio entre os momentos de reduzir e acelerar.

E agora, com o corpo e a cabeça descansados, dando um respiro também pra minha alma se (re)encantar com a vida, tô pronta pra começar 2021, aberta para as possibilidades e experiências que aparecerem. Agora é meu momento de pisar no acelerador, mas ao longo do ano também vou pisar no freio, parar na beira de estrada, descansar um ´cadinho, na sombra, pra depois retomar a viagem. Attraversiamo!

Por um 2021 (e uma vida) mais consciente


Não tem fórmula mágica que mude a nossa realidade da noite para o dia. E embora a gente saiba que não é no dia 1º de janeiro que os problemas de um ano (e de uma vida) vão acabar, a gente sente que o começo do ano traz uma energia de renovação. Recomeçamos a contagem dos dias na esperança de que dias melhores nos aguardam. Por aqui sigo com muita expectativa pela vacina, pela imunização e para reencontrar meus amigos queridos que só vejo através das telas. Não sei se a gente volta pro “normal” porque o normal trouxe a gente pra esse caos, então talvez precisemos pensar em outras saídas… Só que isso não é simples nem fácil.

Lá no final de 2019 com muita alegria lancei meu primeiro livro digital. A minha ideia foi escolher doze temas (um por mês, sobre uma área da vida) pra poder falar sobre. Trouxe algumas reflexões, algumas partilhas da minha própria experiência e algumas sugestões de mudanças. Se em cada mês a gente refletisse sobre um aspecto da nossa vida e pensássemos nas pequenas mudanças que poderíamos fazer, ao final do ano teríamos conseguido mudanças significativas em vários aspectos.

O que eu percebo que acontece é que talvez façamos resoluções demais. Queremos mudar tantas coisas que criamos metas impraticáveis e nos frustramos ao chegar ao final do ano sem conseguirmos nos manter firmes aos planos iniciais. Eu fiz isso por muito tempo até entender duas coisas que me libertaram:

  • não preciso mudar tudo de uma vez (posso dar pequenos passos nessa direção);
  • não é preciso esperar o começo do ano pra implementar mudanças nas nossas vidas.

Só que justo quando eu entendi tudo isso veio 2020 e colocou por terra as nossas “certezas”. Certeza mesmo a gente não tem de nada, mas de certa forma tínhamos um “certo controle” em relação as coisas, né? Então foi preciso adaptar a uma realidade completamente desconhecida, com muito medo, dúvidas, separações… Esse foi um ano que abalou completamente as nossas estruturas, mexeu com as nossas emoções e aflorou muitos sentimentos com os quais não foi fácil lidar.

Mas a gente chegou até aqui. Aos trancos e barrancos mas chegou. Com medo. Com saudade. Com o coração apertado. Foi preciso parar, dar um tempo, reavaliar as coisas, abandonar alguns planos temporariamente, mas a vida continuou acontecendo mesmo no meio desse caos. E é por isso que e sigo com esperanças e expectativas (só tentei fazer com que elas coubessem dentro da realidade que estou/estamos vivendo).

Nesse livro eu não trago fórmulas mágicas, receitas de sucesso nem nada do tipo. Eu compartilho propostas simples e realistas de mudar algumas questões no nosso dia a dia e na nossa forma de ver a vida. E são coisas que você pode escolher mudar em qualquer momento, independente de quando comece essa leitura. As mudanças mais significativas da minha vida não aconteceram em nenhum dia 1º de janeiro, então, acredito que todo momento é o momento ideal pra gente mudar qualquer aspecto da nossa vida que nos traga insatisfação e desconforto.

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O primeiro episódio do ano do podcast é sobre esse assunto: expectativas realistas para 2021 (e pra vida). Feliz novo ciclo pra todos nós.

Andanças

Nas últimas semanas chamei meu irmão e meu namorado, coloquei uns lanchinhos e água na mochila, acordamos de madrugada e saímos pra andar. Caminhamos 16 e 17km com uma semana de descanso entre cada uma das caminhadas pra poder descansar. Lazer sem gastos e sem aglomeração.

Já havia feito esses dois trajetos de bicicleta, mas caminhando a percepção é muito diferente. Por mais que eu observe e curta o passeio de bike e que eu pare pra fotografar e apreciar a paisagem, ele “rende” muito mais do que quando feito a pé. Não que tenha que render, mas quando somos nós, nossos passos e o peso da mochila é tudo diferente. Muda a percepção do tempo, vemos, ouvimos e sentimos as coisas de outra maneira (e eu gosto das duas).

Eu tenho uma “coisa” com caminhos assim, como os da foto que escolhi pra esse post. Eu gosto demais desse jogo da luz passando por entre as folhas das árvores, da tonalidade desse caminho que é de um verde mais fechado, da mistura de cheiros de folhas novas com as que estão se decompondo… Mas eu gosto mesmo de como eu me sinto quanto estou ali.

Uma caminhada dessas me traz uma noção de presença muito grande. Presto atenção nos sons dos pássaros e do vento nas árvores. Observo onde piso, olho pro céu, sinto o calor do sol na pele, me deixo ser abraçada pelo vento que refresca e esqueço dos problemas. Nem que eu queira pensar em qualquer coisa que possa estar me aborrecendo no momento, eu consigo. Me sinto completamente imersa no que estou fazendo. É a meditação na ação.

Minha mente é inquieta e está sempre pensando no que preciso fazer e no que falta… Não tem descanso. E cada dia mais eu sinto essa necessidade de sair por aí, a pé ou de bicicleta, pra poder me silenciar, pra conseguir ouvir o que todo o ruído externo do trabalho, das preocupações e do mundo me impede tanto de ouvir quanto de enxergar. E quando retorno de uma andança dessas, embora o corpo se canse, sinto que minha mente está aliviada. Consigo ver as coisas com mais clareza, ouvir minha intuição e renovar minhas energias para retomar as atividades do dia a dia.

Tenho encontrado muita satisfação nessas caminhadas. Me sinto viva, presente e consciente, sentindo que vale a pena cada gotinha de suor, o cansaço e a dor nos pés e nas pernas.

Tudo passa, mas às vezes demora

Confesso que não sou lá a pessoa mais paciente desse mundo e às vezes eu só queria ter um botão pra apertar em que tudo se resolvesse magicamente: aquele processo enrolado que deixa a vida amarrada, o trabalho que anda devagar, aquele mal resolvido com a amiga que nenhuma dá o braço a torcer… Seria bem bom, né? Um botãozinho e pronto. Tudo certo.

Pra mim nem sempre é fácil entender o tempo das coisas. Quer dizer, eu entendo racionalmente que algumas coisas levam tempo pra acontecer ou pra se resolver, mas aqui dentro os sentimentos viram uma bagunça: o que eu faço nesse tempo? Como lidar com essa espera?

Ao esperar, tenho a sensação de que não tenho controle e de que tô deixando a vida na mão do destino. Eu até gosto (mais na teoria do que na prática) daquela frase que diz que “tudo tem um tempo certo pra acontecer” e me pego agarrada nela pra poder lidar com coisas que não consigo resolver. Tem horas que fico de boa, mas tem horas penso que essa “força superior” na qual eu acredito só pode estar me trollando (até me pego imaginando a cara dos meus mentores espirituais rindo dos meus surtos).

2020 chegou colocando boa parte dos nossos planos e vontades em modo suspenso. Algumas coisas até conseguimos adaptar pra colocar em prática, mas muitas ideias foram pra caixinhas e sabe-se lá quando vamos conseguir tirá-las de lá. O que nos resta é o trabalho da paciência. Respirar fundo. Contar até 10. Até 100. Até mil. Dar umas surtadas. Passar um dia inteiro sem fazer nada, querer chorar e largar tudo pra vender miçanga na praia. Depois ficar empolgada com todo o e qualquer indício de que as coisas estão mudando.

Eu sei que uma hora vou rir desse desespero todo pra resolver as coisas. Que talvez um dia eu seja mais paciente e madura e sábia, que entenda de verdade esse lance do tempo das coisas, mas no momento eu tô me permitindo sentir o que vier: o riso, o choro, o prazer, o desespero. E sei que por mais que eu não compreenda isso agora, tudo vai passar. Tudo passa. Mas às vezes demora.

Reduzindo a velocidade

Às vezes eu cito a mim mesma, sem pretensões, porque vejo que algo que eu disse continua fazendo muito sentido. Já escrevi uma vez em um texto aqui o blog que em tempos de avanço, recuar é um ato de coragem. Esse recuo pode ser uma parada ou pode ser simplesmente reduzir a velocidade e andar mais devagar.

Há quem pense que viver “no corre” é bom porque nos faz chegar logo “lá”, naquele lugar que a gente imagina ser maravilhoso. Esse “lá”, na nossa mente, é de fato incrível. É “lá” que a felicidade está. É “lá” que as coisas vão ser boas. Mas é engraçado que esse “lá” parece não chegar nunca. Por mais que a gente dê um passo na sua direção, ele está sempre um passo na nossa frente.

Mas de vez em quando a gente chega “lá” e é uma sensação muito gostosa. Temporariamente. A gente se sente viva, capaz, forte, incrível. Mas esse sentimento costuma passar e logo aparece outro “lá” pra gente chegar. É como se nunca pudéssemos estar satisfeitos com as coisas como elas já são ou já estão. E isso é o que nos mantém dependentes desse sistema. Nossa insatisfação é muito lucrativa porque é através dela que nos “mimamos” comprando coisas que muitas vezes nem precisamos.

Lembro que no meu aniversário do ano passado eu recebi uma carta linda de uma amiga muito especial e uma frase que ela escreveu me marcou muito: “é a caminhada que compensa o destino”. Se ficamos preocupadas demais com o destino não curtimos a caminhada, que é onde passamos a maior parte do tempo.

Mesmo que a gente reduza a velocidade, a gente vai chegar “lá”, só que de um jeito diferente. Talvez demore um pouco mais, mas em compensação vamos apreciar o caminho, vamos nos divertir, vamos curtir os processos sem pressa porque sabemos que uma hora ou outra a gente chega lá. E pra mim isso tem feito todo sentido. Percebi que estava me cobrando muito por coisas que não dependem de mim e por coisas que embora estejam nos meus planos, não sei quando poderão acontecer por inúmeros fatores externos. Nem tudo dá certo só porque a gente quer e ter isso em mente tem me feito me divertir mais no rolê da vida.

Por aqui sigo no meu ritmo, observando como as coisas mudam no decorrer dos dias, percebendo os períodos em que tenho mais disposição e fazendo o que precisa ser feito, mas também reduzindo a velocidade e parando pra descansar quando percebo que isso também é preciso, sem culpa. Uma hora eu chego lá.

Ps. esse foi o tema do episódio da semana passada do poscast. Para ouvir clique aqui.