Creme de abóbora com feijão e soja crocante

Friozinho deu as caras aqui no sul de Minas e eu já tô preparando os “cremes”. Adoro essa opção para o jantar, pois não gosto de comer coisas muito pesadas à noite. Acho que os cremes são leves e saciam, além de serem super saborosos.

A receita de hoje é o creme de abóbora cabotiá com feijão carioca. Por cima fiz uma soja crocante que dá uma textura deliciosa. O preparo é super simples. Vem ver:

Para o creme:

Duas conchas de feijão carioca recém cozido + 2 conchas do caldo do feijão. Eu deixo meu feijão demolhado por cerca de 12hs, porque isso ajuda a eliminar os gases e a facilitar o cozimento. Coloco na panela de pressão, cubro com água – aproximadamente 2 dedos acima da quantidade de feijão – e acrescento folhas de louro, colorau e sal. Deixo pegar pressão, conto 3 minutos e deixo a pressão sair naturalmente. Depois refogo cerca de 3 dentes de alho no óleo de girassol, acrescendo uma concha do feijão, volto esse preparado para a panela de pressão e deixo no fogo, sem tampa, pra encorpar);

4 colheres de sopa de abóbora cabotiá cozida (cozinho ela no vapor com casca e tudo)

É só bater os dois ingredientes no liquidificador até ficar numa textura cremosa e acertar o sal (não usei outros temperos por já ter temperado o feijão). Você pode deixar mais ou menos líquido acrescentando um pouco de água. Eu gosto do ponto beeeem cremoso.

Para a soja crocante:

Refogue 1 xícara de proteína de soja texturizada crua no azeite ou óleo de girassol (cerca de 2 ou 3 colheres de sopa) e acrescente uma colher de sopa rasa de fumaça em pó ou páprica defumada. A fumaça em pó fica mais saborosa e geralmente já vem salgada, então cuidado na hora de acertar o sal. Esse processo de refogar dura cerca de três minutos, aproximadamente, até que você perceba que ela ficou crocante. (Se quiser pode trocar a soja por sementes de abóbora ou girassol, usando um pouco menos de óleo e/ou azeite para tostá-las)

Pra acompanhar o creme, limão espremido, molho de pimenta e cheiro verde. Não tem como ficar ruim.

Essa quantidade de ingredientes rendeu uma cumbuca. Se for fazer pra mais pessoas, pode ir aumentando proporcionalmente.

Minha relação com as roupas

Embora eu não costume falar taaaanto sobre isso, me interesso bastante por moda. Esse interesse ficou mais intenso nos idos de 2009 quando conheci uma menina que participou de um quadro no Fantástico chamado “5 meninas e um vestido”. O quadro era um concurso em que 5 meninas de diferentes regiões do Brasil tinham que usar uma peça por 21 dias e a mais criativa ganharia. Achei a proposta super legal e comecei a acompanhar o desafio e a gostar muito do estilo da paulistana Vic (sigo acomapanhando ela até hoje).

Passei por muitas fases diferentes nessa relação com a moda. Nunca fui uma pessoas super consumista, mas comprava muitas coisas de forma impulsiva e só me dei conta disso quando fiz a experiência de passar um ano sem comprar nada, lá em 2013.

Nesses quase 10 anos tive a oportunidade de me conhecer melhor e de entender que:

  • existem roupas que acho lindas mas não para usar no meu dia a dia;
  • armário cápsula não funciona pra mim;
  • adoro ter algumas peças mais “chamativas” pra contrapor a maioria que é mais básica;

Compreender o que eu gosto e as mudanças da vida e do meu corpo (já sou uma mulher de 33 anos) tem me permitido criar um guarda roupa com peças que expressem todas as minhas versões (a esportista, a cantora, a básica – e todas as outras mais).

O look que tô usando nessa foto é a minha versão mais despojada que usei pra almoçar com minha mãe e meu namorado: calça de moletom, camiseta, parka e tênis. Ainda tô trabalhado o lance de acessórios, porque é algo que eu realmente nunca uso, mas esse foi um lookinho que curti e que achei que me representou bem.

Apesar de priorizar peças de segunda mão, nesse look nenhuma das peças é de bazar/brechó . A parka é de uma loja aqui da cidade (sem marca específica, mas comprei em 2019 eu acho); a camiseta é da C&A (gosto muito das peças deles); a calça é da Yeesco e o tênis da Ahimsa (marca vegana da qual sou embaixadora. Aliás, tá rolando 25% de desconto essa semana, até sexta. É só usar o cupom “VIRANDOVEGANA10” na hora de fazer sua compra).

Veganismo para além da comida

Quando falamos em veganismo, a primeira coisa que vem na mente é comida. E é natural, porque fazemos pelo menos 4 refeições ao longo do dia, então tem muita gente criando conteúdo por aí dando dicas de receitas sem ingredientes de origem animal. Mas o veganismo, na verdade, vai além. Ele também envolve não consumir nada que contenha matéria prima animal em itens de vestuário, higiene pessoal, produtos de limpeza e também não fomentar eventos que façam uso de animais como entretenimento.

Sendo vegana há 6 anos, digo pra vocês que é bem menos complicado do que pode parecer à primeira vista, mas é preciso se informar para saber de quais empresas consumir e fazer escolhas que não maltratem os animais de alguma maneira. Quando começamos a ler e estudar mais sobre esse tema, vemos o quanto somos dependentes dos animais em áreas das nossas vidas das quais nem imaginávamos.

Na parte vestuário, higiene pessoal e produtos de limpeza é bem mais fácil. Hoje em dia existem muitas marcas que já se atentaram pra essa questão e que optam por não fazer uso de matéria prima animal nos seus produtos e também a não testar esses produtos nos animais (os testes são muito crueis e invasivos).

Os estudos mais atuais mostram que é possível testar os produtos em bases alternativas, o que é muito melhor e poupa os bichinhos de sofrimento desnecessário. Vou deixar um link aqui sobre um documentário muito interessante chamado “Behind the Mask” que explica porque esses testes são ineficazes e desnecessários.

Como comentei acima, existem marcas bem acessíveis com opções de cosméticos veganos (por exemplo, como os cremes dentais da Dentil, os Shampoos da Skala e os sabonetes da Davene) e que são produtos que conseguimos encontrar com facilidade nos mercados pelo país.

Nesse post quero compartilhar com vocês uma marca bem legal de produtos para limpeza para casa de uma empresa de uma cidade próxima da minha e que, além de não usar insumo animal ou testar em animais no processo de fabricação dos seus produtos, tem uma proposta sustentável pra nos ajudar a manter nossa casa limpinha e poupar o meio ambiente. Ok, Bruna, e por quê nós precisamos fazer isso?

Segundo matéria da revista Piauí:

O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico no mundo, logo atrás de Estados Unidos, China e Índia. Além do excesso de resíduos plásticos gerados pela população brasileira, outro grande problema é a baixa taxa de reciclagem desse lixo. No total, segundo dados da WWF Brasil, foram geradas 11,3 milhões de toneladas de plástico em 2019, mas apenas 145 mil são recicladas em território nacional, ou seja, 1,3%. Com isso, o país se encontra muito abaixo da média global de reciclagem plástica – que é de 9%.”

Temos sentido na pele os impactos das mudanças climáticas que acontecem em decorrência do nosso estilo de vida e que precisa urgentemente ser revisto. Pra isso, precisamos de mudanças estruturais, claro, tanto através de medidas governamentais quanto na forma de produção das grandes corporações. E o que nós, cidadãos, podemos fazer é pensar em como pensar contribuir com a questão ambiental através de pequenas mudanças nas nossas rotinas diárias.

Já que a gente precisa limpar nossa casa com uma grande frequência, o ideal é, dentro do possível e praticável fazer escolhas mais sustentáveis, né?

A Desembala tem uma linha grande de produtos, como vocês podem ver pelo site. E além dos produtos serem veganos e biodegradáveis, eles não tem descarte de plástico. E por quê? Porque você adquire a embalagem só na primeira compra e depois repõe apenas o refil, que é um sachê hidrossolúvel. É só colocar a água na embalagem, colocar o sachê para diluir e usar a mistura para fazer a limpeza da casa.



Esse são os produtos que eu tenho usado na limpeza de casa: limpa banheiros, perfume ambiente, multiuso e limpa vidros e o limpa pisos.

Minha opinião:

Aqui em casa a faxina mais pesada rola uma vez na semana, então ao longo dos dias, vou dando “um tapa” nos ambientes. Gostei muito de usar o limpa banheiros nesses dias. Ainda gosto muito de jogar água no banheiro, então tenho usado ele na limpeza durante a semana.

O perfume ambiente é maravilhoso. Adoro borrifar pela casa depois da faxina e borrifar também nas cobertas enquanto deixo elas tomarem um ar, assim elas ficam cheirosinhas na hora que vou dormir.

O multiuso e limpa vidros tenho usado na superfície dos móveis, para limpar os espelhos e o box do banheiro. Ainda estou na casa da minha avó, e aqui não tem janelas de vidro. Mas fiz o teste na janela da minha outra casa pra vocês verem. É só borrifar o produto, deixar agir e depois passar um pano seco.

Limpei um pedacinho do vidro pra vocês verem que funciona demais

E por último, o limpa pisos. O que eu acho maravilhoso é a durabilidade. É só diluir 2 tampas dosadoras do frasco (equivale a 30ml) em 3L de água, umedecer o pano e usar no piso piso com o auxílio de um rodo. Estou usando esse frasco aí da foto tem uns 3 meses, então rende bem.


Os produtos tem algumas opções de aroma, o que achei super bacana. Estou bem satisfeita com o rendimento e resultado dos produtos e por ter conseguido reduzir consideravelmente a quantidade de plástico na limpeza da casa. Mesmo enviando os plásticos para a reciclagem, quanto menos plástico usar, melhor, né?

Ah, e tem desconto pra você que quer experimentar os produtos da Desembala. É só usar o cupom BRUNA5OFF para ganhar 5% de desconto na sua compra. Se comprar, me conta o que achou, ok? 😊

Pratinhos veganos simples

Aqui em casa a comida do dia a dia é simples, mas feita com carinho e bons temperos. Sempre gostei muito de cozinhar, mesmo antes de me tornar vegana, mas depois dessa transição (que é muito mais do que uma mudança na alimentação), passei a gostar ainda mais, a testar novas receitas e a explorar diferentes formas de preparo.

Com isso, apesar de muitas pessoas pensarem que quem é vegano passa a ter restrições alimentares, passei a incluir alimentos que não costumavam fazer parte da minha rotina e a me encantar com novos sabores. O que eu adoro fazer é testar formas diferentes de preparo, conhecer melhor os temperos e encontrar as combinações que mais me agradam.

Uma coisa interessante é que eu tenho muita facilidade em distinguir temperos usados no preparo e acho isso maravilhoso, pois tem muitos temperos maravilhosos e combinações entre eles que deixam o prato com um sabor ainda mais gostoso.

Separei aqui então alguns dos pratinhos que costumo consumir no dia a dia.

Arroz, feijão, soja refogada com shoyu, alface e tomatinhos e batata assada com páprica defumada
Couve refogada, abóbora no vapor, farofa de cebola, feijoada e vinagrete
Arroz, strogonoff de grão de bico com molho de amendoim e batata palha
Arroz, feijão, Alface, tomate e gergelim salpicado e banana à milanesa
Macarronada com molho branco de amendoim e bolonhesa de lentilha
Arroz, feijão, quibe de abóbora recheado com requeijão de amendoim, alface, pepino e tomatinhos
Arroz, feijão, brócolis refogado com alho e proteína de soja com tomate e ora pro nobis

Como vocês podem ver, minha base alimentar é arroz de feijão acompanhado de algumas variedades. Eu sou completamente apaixonada por arroz e feijão não só porque é uma comida maravilhosa, mas porque formam uma combinação nutricionalmente incrível.

Hoje em dia tenho uma alimentação muito mais variada do que antes de ser vegana. E acho legal compartilhar os pratinhos pra mostrar que uma alimentação sem produtos de origem animal pode ser simples, nutritiva e muito saborosa.

Pedir, receber, agradecer

“Lembre-se de quando você desejou o que você tem hoje”

Se você me acompanha há mais tempo, já deve ter lido (ou ouvido no podcast) sobre meu processo de mudança de vida que começou quando descobri que tinha síndrome do pânico, lá em 2013. Na época eu era só uma jovem comum, preocupada com as coisas da juventude, um pouco alheia ao que não me envolvessem diretamente. 

Quando as primeiras crises começaram eu achei que estivesse com um problema de saúde (algum problema cardíaco mais precisamente, porque um dos sintomas das crises é a taquicardia). Vivenciar tudo aquilo me fez começar a pensar que minha morte se aproximava e foi isso que me fez refletir sobre o que eu estava fazendo da minha vida.

Naquela época eu tinha começado uma pós graduação em marketing, trabalhava na parte de comunicação de uma rede de lojas e trabalhar com aquilo passou a não fazer muito sentido pra mim. Eu tinha feito a experiência de passar um ano sem fazer compras e estava bem impactada com a questão do consumo. Sei que na época fui meio radical, mas me sentia desconfortável trabalhando com comércio de itens que não eram de primeira necessidade, criando propagandas que estimulassem as pessoas a consumir. A empresa que eu trabalhava era familiar e muito centralizada, com uma enorme dificuldade de inserir novos pontos de vistas que não reproduzissem o padrão. Eu queria sair daquele trabalho e fazer outra coisa, só não sabia o que. Estava completamente perdida.

Mais ou menos nessa mesma época eu comecei a pedalar. Lembro de como chegava no trabalho por volta das 18, comia e saia pra andar de bike com meu amigo Elder. Um outro ponto que começou a me incomodar foi ter que ficar o dia todo fora. Meu trabalho era em outra cidade, então eu saia cedinho e voltava no final do dia. No horário de verão era mais tranquilo porque conseguia chegar e aproveitar o final do dia, mas no inverno, tinha dias que quando eu ia pegar o ônibus de volta e já estava tudo escuro.

Um pouco depois, por questões financeiras da empresa, muitas pessoas tiveram que reduzir a jornada de trabalho e eu fui uma delas. Trabalhava só meio período, recebia bem menos, mas me sentia muito bem. Lembro de ter dias em que ia pra cachoeira de manhã ou que andava de bike e fazia outras coisas antes de ir para o trabalho. Conseguia ter mais tempo pra mim sem perder a minha fonte de renda. Não tinha muitos gastos, então era tranquilo administrar os recursos.

Mas o lance com a empresa foi ficando mais complicado em relação ao dinheiro e decidi pedir as contas. Eu precisava do dinheiro, claro, mas tinha outras pessoas ali que tinham filhos e talvez precisassem dessa renda fixa mais do que eu. Eu era nova e pra mim era mais fácil conseguir arrumar outro trabalho. E foi assim que comecei a fazer alguns trabalhos como freelancer e cá estou. 

Contei toda essa história pra vocês porque ontem a tarde fui dar uma volta de bicicleta e fiquei pensando sobre como muitas das coisas que eu queria naquela época, de fato, aconteceram. Queria me conhecer melhor, ter mais tempo pra mim, trabalhar com algo que tivesse mais alinhado com minha forma de ver o mundo… e cá estou. A questão do trabalho que ainda tá um pouco emaranhada, mas pensei em tudo com muito carinho e agradeci a vida, ao universo, a Deus, por tudo o que me aconteceu e me permitiu vivenciar tudo o que tanto desejei.

Ao mesmo tempo lembrei que quando comecei a trabalhar nessa empresa em 2010, fiquei muito feliz, porque tinha acabado de sair da faculdade e teria a oportunidade de trabalhar em uma área que eu gostava muito, que é a área de comunicação. Lembro perfeitamente de ter tuitado no meu falecido @bdebruna que nunca tinha me sentido tão feliz como naquele momento.

E aí é interessante pensar sobre como desejamos coisas diferentes em diferentes momentos da vida. Foi ótimo ter a oportunidade de trabalhar naquele lugar, mas a vida foi me direcionado pra outros rumos. Hoje sinto que estou em um lugar que deixa feliz e sou grata por fazer no dia a dia coisas que acredito serem boas pra mim e pro mundo.

Sei que com o passar do tempo a gente vai mudando, se transformando, vivenciando algumas coisas que pensávamos que seriam boas pra nós, mas na realidade não são. Mas antes de dar os passos rumo à uma nova direção, agradeço pela oportunidade de viver tudo o que um dia eu sonhei pra mim.

Leituras de Janeiro

Já estamos quase no meio do mês de março e cá estou pra poder compartilhar as primeiras leituras do ano.

Comecei 2022 com um ritmo bom de leitura. Foram 4 livros iniciados e 3 finalizados. Mas fevereiro chegou revirando a vida e simplesmente não conseguir me concentrar pra ler nada. Agora, organizando a vida cotidiana e a rotina, estou retomando o livro que ficou parado (que vou precisar reler quase metade 😅) e simultaneamente lendo outro, o “Modern Love”, que é um compilado de histórias de amor enviadas para a coluna do Jornal The New York Times. A coluna transformou em uma série na Prime Vídeo (que amei assistir) e estou gostando muito de conhecer as histórias que não foram mostradas na série.

Mas vamos lá, vamos falar dos livros:

Quarto de despejo foi o primeiro livro que li nesse ano. O livro mostra os registros do diário de Carolina Maria de Jesus, onde ela compartilhava sua vida de catadora e moradora da favela na década de 60. Seus relatos do cansaço, da fome, da pobreza, dos problemas da vizinhança e do trabalho diário para poder comprar comida são muito tocantes. Alguns trechos se assemelham muito com o que temos visto no Brasil de 2022, infelizmente. É de uma escrita muito simples, informal, crua, onde a dor e o cansaço da autora são quase palpáveis. Já está nos meus planos ler outros livros dela.


Amor(es) verdadeiro(s) foi uma recomendação que vi no perfil da @isabellamezzadri. Quando era mais nova amava ler ficção e estava sentindo saudades de mergulhar em histórias que nos fazem esquecer da nossa própria realidade. Esse livro “começa no meio”, se é que posso dizer assim, depois volta pra contar tudo o que levou a personagem a chegar naquele ponto. Fala sobre os planos que fazemos e sobre como às vezes a vida dá uma reviravolta e acabamos fazendo coisas que dissemos que jamais faríamos. Fala sobre amor, luto, saudade, recomeços e fechamento de ciclos. É o tipo de livro que a gente não quer parar de ler pra descobrir o desfecho da história. Gostei muito e já estou com outros livros da autora na minha lista de próximas leituras.


Belo mundo onde você está foi o segundo livro da Sally Rooney que li. O primeiro foi “Pessoas Normais”. A princípio achei um tipo de escrita muito “linear” (o @ruan.felixs me explicou que essa escrita é chamada de “escrita sinestética”), mas depois aprendi a apreciá-la. O livro conta a história de duas amigas que se conheceram na faculdade e como a vida se desenrola pra ambas depois disso. Uma coisa que eu gostei é que elas trocam longos e-mails falando de tudo um pouco, desde o que acontece no dia a dia até questões filosóficas e descobertas de antigas civilizações e, assim como em pessoas normais, tem a questão de relações entre pessoas de diferentes classes sociais.

Vocês tem lido por aí? No último episódio do podcast falei sobre como ler tem o poder de nos transformar, nos permitir conhecer novos assuntos, imaginar novas possibilidades, além de nos ajudar a manter nosso cérebro ativo. Para ouvir esse episódio basta clicar no link abaixo:

Desacostumando o olhar

Sou nascida e criada na mesma cidade, ou seja, são 33 anos morando no mesmo lugar. Quando era bebê morei em um bairro diferente, mas aos 6 meses mudei para o lugar onde moro, numa casa que era só quarto, cozinha e banheiro e só me mudei de novo quando essa casa foi demolida pra que a casa que eu moro hoje fosse construída. Então posso dizer que moro há pelo menos 30 anos aqui, o que me faz ser muitíssimo familiarizada com meu entorno.

Os últimos 9 anos mudaram muito a minha relação com o local onde vivo. Claro que tenho vontade de viajar pra outros lugares, conhecer cidades e países, mas mudei a minha perspectiva no sentido de olhar com carinho para a minha cidade.

O fato de ter começado a pedalar, por exemplo, me permitiu conhecer lugares que por anos me foram desconhecidos: cachoeiras, estradinhas, trilhas. Depois vieram as caminhadas, e por mais que eu esteja andando pelo mesmo trajeto que costumo percorrer de bicicleta, é diferente. Caminhar, correr e pedalar no mesmo lugar, nos traz percepções diferentes do espaço.

Viver a pandemia em uma cidade pequena também tem sido uma experiência diferente do que viver em um grande centro. Aqui, em 2 minutos tenho acesso a uma área verde, com pouco movimento de pessoas. Dá pra sentar ali, ler um livro, levar os cães pra passear… Consigo até ficar sem máscara respirando ar puro.

Aqui consigo correr ao ar livre, tendo uma vista incrivelmente bonita, sem trânsito, tudo isso pertinho da cidade. Ou seja, não preciso gastar tempo ou dinheiro me locomovendo pra um lugar que me permita estabelecer essa conexão com a natureza.

Como vocês podem notar, eu usufruo muito desses espaços. Muita gente daqui não sai por aí como eu pra pedalar, correr ou fazer trilhas. E eu também não fui assim por muito tempo, tanto que só conheci muitos dos lugares que conheço hoje as 24 anos, quando comprei minha bicicleta e comecei a pedalar.

Em um tempo em que parecemos precisar de novos estímulos o tempo todo, é um desafio a gente “desnormalizar” nosso olhar e conseguir apreciar as coisas boas e bonitas que estão ao nosso redor. É um exercício diário nos treinar para ver detalhes que passam despercebidos porque nos acostumamos com que o vemos.

O que costumo fazer é percorrer o mesmo local por trajetos e horários diferentes, observar a posição do sol a cada estação, a mudança da vegetação em cada época do ano, pesquisar novas trilhas, conversar com pessoas que já estão acostumadas nessas andanças pra poder conhecer novos lugares.

Aí que quero compartilhar com vocês um vídeo que gravei para o meu canal no youtube na última semana, mostrando um pouquinho de uma caminhada pelas estradas de Congonhal. Já percorri esse trajeto muitas e muitas vezes ao longo dos anos e estou sempre me encantando com a paisagem. Gravar esse vídeo é uma forma de levar vocês pra um desses rolês comigo. Espero que gostem.

9 anos depois: eu continuo simplificando?

No final do ano tirei um tempinho pra pensar sobre os acontecimentos não só dos últimos 365 dias, mas da minha caminhada nesses últimos anos.

Se você é novo por aqui e não me conhece, prazer, sou a Bruna. A história desse blog começou em 2013. Naquele período eu estava passando por uma crise de síndrome do pânico que me fez questionar a minha vida como um todo e foi a partir desses questionamentos que tive meu primeiro contato com o minimalismo e a ideia de simplificar a vida.

No auge das minhas crises de ansiedade, nos momentos em que achava que fosse morrer por alguma doença que eu não tinha ideia qual era, uma pergunta ficava martelando na minha cabeça: “Se eu morresse hoje, com 24 anos, o que eu teria feito da minha vida?” E foi essa pergunta que me fez mergulhar num processo muito dolorido de autoconhecimento que me trouxe até aqui.

Nas minhas muitas pesquisas sobre tudo (porque naquela época o que eu mais fazia era ler e estudar sobre qualquer assunto que pudesse trazer algum sentido pra minha vida) descobri o minimalismo: a princípio como uma forma de vestir elementos mais neutros e simples e depois como um “estilo de vida” em que as pessoas buscavam ter poucas coisas.

É importante dizer que eu não era uma pessoa acumuladora ou que tenha se endividado por comprar, mas olhando bem, eu tinha coisa demais: coisas que não usava ou coisas que foram compradas de forma impulsiva pra preencher momentaneamente alguma tristezinha da vida. Eu poderia muito bem passar bons anos sem comprar nada, levando em conta a quantidade de coisas que eu tinha. Só que outra coisa me pegou: eu não tinha muito critério na hora de comprar. Só comprava. Não pensava na qualidade do produto, na matéria prima, se era um investimento que valia a pena tendo como base minhas necessidades e meu estilo de vida.

A partir dos depoimentos de pessoas que levavam uma vida minimalista, vi que aquela parecia uma forma interessante de viver a vida. Foi então que criei o blog para compartilhar minha experiência de ficar um ano sem fazer compras. Minha ideia era a de usar todas as coisas que eu já tinha, entender o que me levava a consumir sem tantos critérios e ver como isso impactaria minha vida.

No meio desse processo, outras transformações foram acontecendo: me reconectei com a espiritualidade (que sempre foi importante pra mim), fiz descobertas significativas na terapia, passei a pedalar (que foi um esporte que me transformou muito), questionei meu trabalho e o que eu queria fazer da vida, adotei um animalzinho e passei a atuar na proteção animal… Ao final do meu ano sem compras eu tinha me tornado uma pessoa muito diferente da que havia começado aquele projeto. E pra finalizar, na semana em que terminei o projeto, mais uma mudança: me tornei ovolactovegetariana (que se tornou uma das mudanças mais importantes da minha vida).

Após meu ano sem compras passei a questionar ainda mais o consumo: na época eu estava fazendo uma pós graduação em marketing e decidi escrever meu artigo sobre a relação entre marketing e consumo e foi uma experiência muito interessante. De lá pra cá me tornei vegana (que me fez repensar ainda mais meu consumo, não apenas por questões ambientais, mas também por levar em conta o uso de matéria prima animal nos componentes – além dos testes em animais).

Em 2016 conheci o conceito de simplicidade voluntária e encontrei nele algumas respostas que não encontrava no minimalismo. Com o passar do tempo, percebi que o minimalismo falava muito mais sobre soluções individuais sem levar em consideração o grande problema do consumo: o capitalismo e suas estruturas. E que somente questionando o sistema no qual estamos inseridos, buscando alternativas e cobrando responsabilidade do poder público e das grandes corporações é que teremos mudanças significativas em problemas como a desigualdade social e as mudanças climáticas. No episódio #61 do meu podcast falei um pouco sobre esse assunto.

Vamos falar então de como as coisas estão hoje, 9 anos depois do início dessa caminhada e analisando tudo o que vivenciei.

Já começo falando dos erros, que foram muitos: levei tudo a ferro e fogo, fui extrema em alguns aspectos (ou 8 ou 80, sabe?) e com isso construí uma relação pouco saudável com o dinheiro, pois passei a vê-lo como algo ruim; me desfiz de coisas no calor do momento e me arrependi; já quis largar tudo e sair por aí sem rumo, viver numa cabana, viver com o mínimo possível… Experimentei algumas coisas, mas percebi que não era mim. Que as experiências de outras pessoas podem ter dado certo pra elas, mas que a minha história era outra e que eu tinha que encontrar esse ponto de equilíbrio.

Compreendi, por exemplo, que armários cápsula não funcionam pra mim. E que embora eu seja vegana e defensora da simplicidade voluntária eu não tenho que me vestir de um jeito específico (tipo hippie ou então só com tecidos leves e soltos). Eu amo rock, amo me vestir de preto, amo bota. E que o mais importante é levar em conta o que faz sentido pra mim, pra minha forma de viver a vida.

Vestido: Repassa / Tênis: Ahimsa (marca de calçados veganos)

Tento priorizar a compra de itens de segunda mão (ultimamente tenho comprado pelo Repassa. Se você quiser comprar por lá, aproveita pra usar meu cupom de desconto: VIRANDOVEG15 pra ter desconto na primeira compra), revitalizar peças antigas (tô com um post no rascunho de um blazer que foi do meu avô, feito por um alfaiate em 1982 – nesse ano eu posto sobre essa história), trocar ou comprar em brechós… Mas também compro em lojas físicas ou virtuais, dando preferências pra pequenos produtores.

Nessa quase uma década de “simplificação”, sinto que meu grande desafio tem sido o de encontrar o equilíbrio entre viver as contradições de um sistema capitalista e seguir firme com os valores que norteiam a minha vida. Que “simplificar” é mais complexo do que simplesmente “destralhar” nossas casas e armários se repetimos as compras impulsivas e sem critérios. Que decisões individuais são sim, importantes e necessárias, mas que é através de políticas públicas e sociais que veremos mudanças significativas no mundo.

Sinto que, de fato, encontrei essa vida mais simples: me conheci melhor e aprendi a reconhecer meus limites; abandonei coisas (planos, pessoas, projetos, expectativas de outras pessoas) para fazer e viver o que acredito que faça sentido pra mim; me permiti mudar e fluir com os acontecimentos da vida e me comprometi a compartilhar minhas experiências e a construir, através das minhas ações diárias, pelo menos um pouquinho do mundo no qual eu gostaria de viver.

Até que minha voz chegasse aqui


Fui uma criança tímida e desde então venho trabalhando todos os dias pra superar a minha timidez. Lembro de vários episódios na infância que me fizeram querer entrar num buraco: uma vez eu estava andando na rua com a minha mãe, toda distraída nos meus pensamentos, segurando a roupa dela. Depois de um tempo, quando volto pra realidade, olho para o lado e estou segurando a roupa de um rapaz 😅. Hoje é engraçado, mas na época eu quase morri de vergonha e saí correndo. Outra vez teve algum evento na cidade, (acho que era dia de Corpus Christi, quando eles fazem aqueles tapetes decorados no chão) e eu fui correr pra fazer algo, escorreguei numa folha de bananeira que tava caída no chão e quase me estabaquei. Queria entrar num buraco porque tava cheio de gente por perto.

Fazer coisas sozinha, pra mim, era muito difícil. Era insegura e sentia que precisava ter alguém ali do meu lado pra poder me dar coragem. E por mais contraditório que possa parecer, na minha infância eu participei de muitos eventos públicos como desfiles na escola, grupo de teatro, grupo de dança… Mas sempre em atividades coletivas. Quando era pra eu fazer sozinha não ia nem a pau.

Sinto que sempre tive medo da opinião dos outros sobre mim. Sou nascida e criada em uma cidade pequena e aqui a galera faz muita fofoca (essa é uma das poucas desvantagens de morar no interior), então eu me preocupava com a minha “imagem e reputação”, mas o lance é que eu era diferente, não tinha jeito. Eu gostava de rock, eu cantava numa banda, eu questionava as coisas. Embora não fosse uma pessoa briguenta, com meu grupo de amigas, onde me sentia segura, sempre expressava minhas ideias e ideais, que eram meio diferentes e polêmicos, como disse uma amiga uma vez.

Comecei a escrever meio que por isso: como uma forma de me expressar em um lugar seguro. Na época da escola eu já gostava muito de escrever redações e poesias e com o acesso a internet, encontrei nos blogs meu lugar de conforto. Ali eu poderia escrever sobre qualquer coisa, colocar um pseudônimo e ninguém saberia quem era. Era muito gostoso. Depois comecei a fotografar e também encontrei nas imagens uma forma de expressar minha visão do mundo sem, necessariamente, ter que me mostrar.

E aí, com as redes sociais, sinto que veio uma cobrança da gente se mostrar mais, mostrar o que fazemos, nosso dia, abrir a nossa vida. Lembro que quando o instagram começou com os stories eu só postava os meus cães e os lugares onde ia, mas raramente aparecia e falava. Também tinha uma certa autocrítica em relação à minha imagem, então me sentia melhor não aparecendo. Mas aos poucos fui me soltando, começando a aparecer, a falar, a cantar… Veio o podcast, que é ótimo porque a gente pode falar sem as pessoas nos verem. E por último, pra coroar as minhas mudanças e transformações, veio o canal no youtube, onde finalmente dou as caras.

Como vocês podem ver, tem sido um processo longo o de me soltar, de quebrar as barreiras e me permitir dar voz à minha voz, ao que acredito e vivo e hoje, aos 33, estou me sentindo mais confortável e com menos medo de julgamento. Sempre lembro de uma reflexão que li em um texto do escritor Alex Castro que falava que não é que a gente não deva se importar com a opinião das pessoas, mas que devemos escolher as opiniões de quais pessoas levar em consideração. E apesar desse processo ter demorado bastante, fico feliz em trilhar esse caminho de pertencer, cada vez mais, a mim e de me expressar com o coração e com a minha verdade.

Novidade: Agora tenho um canal no youtube!

É, a era youtuber chega para todxs. Rs…

Bom, depois de resistir por anos a criar conteúdo em vídeo, informo a vocês que criei um canal no youtube. Quer dizer, o canal já existia há um tempo, tanto que é nele que coloquei o documentário que fiz no curso do SESC, mas depois de muito pensar a respeito do futuro do conteúdo que venho criando e de ter lido sobre a importância de diversificar os canais de comunicação, tomei a decisão de começar a criar coisas para o Youtube também.

Muita coisa mudou desde que eu comecei. Primeiro foi esse blog, depois migrei para o instagram, veio o podcast.. Entendo que é importante ir se adaptando às novas tendências e justamente por sentir que o instagram, que é a rede social que mais movimento, tem um algoritmo que boicota a entrega, percebi que estava me desgastando muito e não explorando outras perspectivas. Penso que no youtube consigo sair da minha bolha e chegar até mais pessoas mostrando os assuntos que já costumo abordar: autoconhecimento, vida simples, veganismo, rolês na natureza, animais…

Teve uma época em que eu me planejei bonitinho pra ter um canal, mas era muito insegura e crítica (e infelizmente continuo sendo) com a minha própria imagem, por isso o plano não saiu do papel. Talvez eu precisasse amadurecer outras questões também, junto com o lance da autoimagem, e acho que o momento chegou, de dar as caras, de me mostrar mais. Por mais que não pareça, sou tímida e isso me trava em muitas áreas da vida. Já melhorei muito, e acho que esse canal será uma oportunidade de trabalhar essas questões e, claro, de compartilhar minhas ideias com outras pessoas.

Não falei que os 33 bateram de um jeito diferente? Pois é: de repente 33. De repente youtuber!