Até que minha voz chegasse aqui


Fui uma criança tímida e desde então venho trabalhando todos os dias pra superar a minha timidez. Lembro de vários episódios na infância que me fizeram querer entrar num buraco: uma vez eu estava andando na rua com a minha mãe, toda distraída nos meus pensamentos, segurando a roupa dela. Depois de um tempo, quando volto pra realidade, olho para o lado e estou segurando a roupa de um rapaz 😅. Hoje é engraçado, mas na época eu quase morri de vergonha e saí correndo. Outra vez teve algum evento na cidade, (acho que era dia de Corpus Christi, quando eles fazem aqueles tapetes decorados no chão) e eu fui correr pra fazer algo, escorreguei numa folha de bananeira que tava caída no chão e quase me estabaquei. Queria entrar num buraco porque tava cheio de gente por perto.

Fazer coisas sozinha, pra mim, era muito difícil. Era insegura e sentia que precisava ter alguém ali do meu lado pra poder me dar coragem. E por mais contraditório que possa parecer, na minha infância eu participei de muitos eventos públicos como desfiles na escola, grupo de teatro, grupo de dança… Mas sempre em atividades coletivas. Quando era pra eu fazer sozinha não ia nem a pau.

Sinto que sempre tive medo da opinião dos outros sobre mim. Sou nascida e criada em uma cidade pequena e aqui a galera faz muita fofoca (essa é uma das poucas desvantagens de morar no interior), então eu me preocupava com a minha “imagem e reputação”, mas o lance é que eu era diferente, não tinha jeito. Eu gostava de rock, eu cantava numa banda, eu questionava as coisas. Embora não fosse uma pessoa briguenta, com meu grupo de amigas, onde me sentia segura, sempre expressava minhas ideias e ideais, que eram meio diferentes e polêmicos, como disse uma amiga uma vez.

Comecei a escrever meio que por isso: como uma forma de me expressar em um lugar seguro. Na época da escola eu já gostava muito de escrever redações e poesias e com o acesso a internet, encontrei nos blogs meu lugar de conforto. Ali eu poderia escrever sobre qualquer coisa, colocar um pseudônimo e ninguém saberia quem era. Era muito gostoso. Depois comecei a fotografar e também encontrei nas imagens uma forma de expressar minha visão do mundo sem, necessariamente, ter que me mostrar.

E aí, com as redes sociais, sinto que veio uma cobrança da gente se mostrar mais, mostrar o que fazemos, nosso dia, abrir a nossa vida. Lembro que quando o instagram começou com os stories eu só postava os meus cães e os lugares onde ia, mas raramente aparecia e falava. Também tinha uma certa autocrítica em relação à minha imagem, então me sentia melhor não aparecendo. Mas aos poucos fui me soltando, começando a aparecer, a falar, a cantar… Veio o podcast, que é ótimo porque a gente pode falar sem as pessoas nos verem. E por último, pra coroar as minhas mudanças e transformações, veio o canal no youtube, onde finalmente dou as caras.

Como vocês podem ver, tem sido um processo longo o de me soltar, de quebrar as barreiras e me permitir dar voz à minha voz, ao que acredito e vivo e hoje, aos 33, estou me sentindo mais confortável e com menos medo de julgamento. Sempre lembro de uma reflexão que li em um texto do escritor Alex Castro que falava que não é que a gente não deva se importar com a opinião das pessoas, mas que devemos escolher as opiniões de quais pessoas levar em consideração. E apesar desse processo ter demorado bastante, fico feliz em trilhar esse caminho de pertencer, cada vez mais, a mim e de me expressar com o coração e com a minha verdade.

Novidade: Agora tenho um canal no youtube!

É, a era youtuber chega para todxs. Rs…

Bom, depois de resistir por anos a criar conteúdo em vídeo, informo a vocês que criei um canal no youtube. Quer dizer, o canal já existia há um tempo, tanto que é nele que coloquei o documentário que fiz no curso do SESC, mas depois de muito pensar a respeito do futuro do conteúdo que venho criando e de ter lido sobre a importância de diversificar os canais de comunicação, tomei a decisão de começar a criar coisas para o Youtube também.

Muita coisa mudou desde que eu comecei. Primeiro foi esse blog, depois migrei para o instagram, veio o podcast.. Entendo que é importante ir se adaptando às novas tendências e justamente por sentir que o instagram, que é a rede social que mais movimento, tem um algoritmo que boicota a entrega, percebi que estava me desgastando muito e não explorando outras perspectivas. Penso que no youtube consigo sair da minha bolha e chegar até mais pessoas mostrando os assuntos que já costumo abordar: autoconhecimento, vida simples, veganismo, rolês na natureza, animais…

Teve uma época em que eu me planejei bonitinho pra ter um canal, mas era muito insegura e crítica (e infelizmente continuo sendo) com a minha própria imagem, por isso o plano não saiu do papel. Talvez eu precisasse amadurecer outras questões também, junto com o lance da autoimagem, e acho que o momento chegou, de dar as caras, de me mostrar mais. Por mais que não pareça, sou tímida e isso me trava em muitas áreas da vida. Já melhorei muito, e acho que esse canal será uma oportunidade de trabalhar essas questões e, claro, de compartilhar minhas ideias com outras pessoas.

Não falei que os 33 bateram de um jeito diferente? Pois é: de repente 33. De repente youtuber!

Leituras: Se não eu quem vai fazer você feliz?

Desde quando soube que esse livro existia, quis lê-lo. Gosto demais de biografias, ainda mais nesse caso, que seria uma chance de conhecer melhor a história de alguém cujas canções embalaram boa parte da minha adolescência.

O livro foi escrito pela Grazi, viúva do Chorão e começa contando sobre sua vida antes de conhecê-lo, onde morava e o que gostava de fazer. Depois, ela fala sobre como eles se conheceram (e como a música “Proibida pra mim” conta essa história), os primeiros passos da banda, relatos do cotidiano dos dois, da cumplicidade, das dificuldades que enfrentaram tanto em relação à grana quanto em relação ao relacionamento. Ela apoiou muito o Chorão e lendo o livro pude ver que grande parte do que ele conquistou foi por tê-la ao lado, incentivando e acreditando no sonho do CBJr. tanto quanto ele.

Mas ela também conta dos problemas, do temperamento difícil dele, da sua insegurança, do seu ciúme, do seu machismo e por fim, dos problemas com as drogas que culminaram na sua morte. A leitura foi muito gostosa, fluida e me senti acompanhando a história de perto, vibrando e sofrendo com eles. Acho legal conhecer as pessoas por detrás da fama, ver o lado humano delas. E com isso concluí que:

1- Nem sempre o amor é suficiente pra superar as dificuldades do dia a dia;

2- Nossos ídolos e as pessoas que admiramos são humanas: tem falhas e virtudes, como todos nós.

Ainda não assisti o documentário sobre ele, “Marginal Alado”, que está disponível na netflix, mas pretendo fazê-lo em breve.

Inaugurando um novo ciclo

Lembro que em quando completei 30 anos, em 2018, esperava algo mágico acontecer, alguma mudança significativa que seria o meu passaporte pra vida adulta “real oficial”, mas não rolou nada.

Em 2019 escrevi sobre como imaginava chegar à vida adulta cheia de respostas e certezas, mas que isso não aconteceu. Pelo contrário: as dúvidas aumentaram, somadas a uma cobrança tremenda por “estar em algum lugar”, “fazer algo de relevante”, “conquistar coisas”…

Ontem foi meu aniversário de 33 anos e tenho a sensação de que inicio esse novo ano com planos e projetos mais realistas, menos cobranças e mais disposição a aprender e mudar. A palavra que escolho pra me acompanhar nesse novo ciclo é “fluidez”. Quero fluir com a vida e com isso me permitir mudar quantas vezes for necessário ao invés de me prender em algo porque aquilo fez parte de um plano meu em algum momento da vida.

Quero fazer menos esforço pra ficar onde não me cabe. Quero me sentir inteira, na alegria e na dor. Quero me permitir experimentar coisas novas, iniciar novos projetos e abandonar aqueles que hoje não se alinham mais com quem eu sou. Quero ir ajustando as velas do barco enquanto navego, observando e percebendo como o que acontece ressoa em mim.

Espero muito, mas com uma certa leveza, porque entendi que não preciso esperar algo vir a acontecer para ser feliz. Sigo com a ideia de que a felicidade está mais no caminho do que no destino, porque é aqui que a vida acontece, no dia a dia, com todas as dores e delícias de ser gente.

4 séries levinhas para você assistir

Se você, assim como eu, tem procurado assistir filmes e séries mais leves pra distrair a cabeça, vai gostar bastante dessas 4 indicações. Uma das coisas que mais gostei nessas séries é sobre as relações de amizade. Acredito que devam existir histórias assim na vida real e deve ser muito bom saber que independente da circunstância, da hora e do local, podemos sempre contar com essas pessoas nas nossas vidas. E isso inclui dividir com elas os momentos bons e de diversão, mas também os momentos difíceis ou aqueles em que nem sempre concordamos com que a outra pessoa faz. Tá aí uma coisa que eu admiro muito nessas personagens mulheres. Vamos lá pras indicações:

1- Doces Magnólias

Esse é o tipo de série bem levinha, que faz a gente sentir saudade dos tempos em que só precisávamos lidar com nossos conflitos pessoais sem estar passando por uma pandemia com um governo como o nosso. A série mostra a vida de três amigas de longa data que moram numa cidade pequena: seus trabalhos, suas vidas pessoais, mas especialmente o vínculo que elas tem e mantem ao longo os anos. Como comentei anteriormente, acho muito legal poder ter amizades de longa data.

2- Amigas para Sempre

Essa série conta a história de duas amigas que se conheceram na infância e formaram um vínculo forte e profundo de amizade. Uma coisa que gosto é que a série mostra o presente e o passado delas, então está sempre indo e voltando no tempo o que deixa tudo bem dinâmico. Apesar de achar que muitas vezes Tully é abusiva com Kate, acho legal a forma como elas são suporte uma pra outra (especialmente a Kate para a Tully, que veio de uma família desajustada, com uma mãe viciada). Outra coisa que adoro é o visual anos 80, que sou apaixonada. Queria ter vivido minha juventude nessa época. Já estou ansiosa pela nova temporada.

The Bold Type

Essa série conta a história de três amigas que se conheceram no trabalho em uma grande revista de moda e mostra um pouco do dia a dia no trabalho e também seus dilemas pessoais. Gostei muito dos temas abordados: feminismo, imigração, poder, câncer, relações familiares, relacionamentos com grandes diferença de idade. E as três são super unidas e isso é muito gostoso de ver. Assisti as 4 temporadas num piscar de olhos e já estou esperando a 5ª e última.

Virgin River

Esse é um tipo de série aconchegante, sabe? Ela conta a história da Mel, que se muda de uma cidade grande pra trabalhar como enfermeira em uma cidadezinha chamada “Virgin River”. Ela retrata bem as cidades do interior em que todo mundo conhece todo mundo e embora em cidade pequena a fofoca role solta, também tem coisas boas como a solidariedade entre os moradores. Na série o pessoal tem o bar do Jack como ponto de encontro da cidade. Mas não pensem que só de tranquilidade se vive em Virgin River. Também tem muito b.o., mas ó, vale a pena demais assistir.

Focar nessas programações mais leves tem ajudado a enfrentar a realidade não tão fácil que a gente tá vivendo. Ter esses momentos pra relaxar e descansar é muito importante. Espero que gostem das dicas.

Quando é hora de pedir ajuda

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Eu não planejava passar tanto tempo sem escrever aqui, mas nem tudo acontece da maneira como a planeja, né? Coisas inesperadas chegam no nosso caminho e muitas vezes demandam que façamos pausas e analisemos a situação pelos mais variados ângulos, pra depois tomarmos fôlego pra continuar seguindo em frente.

Os meus últimos seis meses tiveram muitas reflexões passando por essa cabecinha, planos sendo revisados, mudanças e muitos aprendizados, em especial o de saber quando é hora de pedir ajuda. Crescemos com a ideia de sermos independentes e suficientes e de aprendermos a “dar conta das coisas” (e isso é importante, claro), só que nem sempre é assim que funciona na prática. Por mais que nosso RG mostre que o tempo passou e chegamos à vida adulta, às vezes é bem difícil segurar a onda sozinhos. E honestamente, nem sei porque insistimos nessa ideia de resolver os BO’s sem ajuda. E com todo esse conceito na nossa cabeça,  é preciso humildade pra reconhecer as nossas limitações e saber quando é hora de pedir o auxílio de alguém.

Só que a sensação de saber que não estamos sozinhos é muito boa e de fato, é muito mais fácil lidar com os problemas do nosso caminho quando temos pessoas do nosso lado nos dando suporte. A realidade é que nós precisamos das pessoas e elas também precisam de nós. Não temos que fazer tudo por conta pra provar que somos fortes. Pelo contrário: nossa força está justamente em reconhecer as nossas limitações e em saber a hora de ser ajudado.

Confesso que me sinto muito mais forte hoje, sabendo da minha pequenez e humanidade, das minhas dores e fraquezas. E falar delas é bom, porque me coloca nesse local de aprendizado constante, de quem não chegou ao “fim” da jornada. De uma pessoa que erra, cai, levanta e tenta seguir em frente, que também é uma pessoa que acerta e tem aprendido a celebrar as conquistas.

E que coisa boa é saber que muitas mãos se estenderam pra mim ao longo da vida e em diversos momentos. Quantas pessoas cruzaram meu caminho e me ensinaram e tantas outras eu também pude ensinar. Assim a gente segue, como aprendizes e professores uns dos outros.

Tem um episódio sobre isso no meu podcast. Clique para ouvir:

É tarde demais?

Se tem uma coisa que venho desconstruindo diariamente é a ideia de que é “tarde demais” pra fazer algo. No livro “Talvez você deva conversa com alguém“, a autora, Lori, compartilhou que fez várias transições de carreira ao longo da vida e que foi trabalhar como psicóloga aos 40. Sinto que nós temos uma concepção muito errada de que quando chegamos em uma “determinada idade” já está tarde demais pra recomeçar ou mudar algo na nossa vida. Hoje, ao 32, querendo fazer muitas coisas ainda, percebo que enquanto existe energia, oportunidade e vontade é tempo de nos refazermos.

É muito louco pensar que ainda jovens temos que tomar uma decisão “pro resto da vida”. Aos 20 eu não sabia ainda o que queria (e hoje ainda não sei muito bem), mas sei que ao longo desses 12 anos me transformei muito: amadureci, errei, acertei… E todas as minhas experiências foram me convidando a me refazer, a mudar aspectos que sinto que necessitem de mudança e a trilhar um caminho que seja cada vez mais meu.

Por aqui tem sido difícil fazer planos em meio a situação que estamos vivenciando com a pandemia. Muitas vezes me pego olhando fotos antigas, me agarrando nas lembranças de momentos especiais e lembrando que a vida já foi menos dura. Me recordo de andar muito de patins quando era criança. Eu tinha um modelo in-line, verde limão, que era imenso para os meus pés (diziam que tínhamos que comprar x números a mais do que calçávamos, que na real acho que era pra fazer o brinquedo durar!) e que me proporcionou muitos momentos de diversão com meus amigos. Quando eu era criança, a maioria das ruas aqui da minha cidade eram de paralelepípedo, então nós tínhamos a única avenida da cidade pra poder brincar. E a gente pirava! Lembro de descer morros que hoje, adulta, não teria coragem. E tudo isso sem equipamento de segurança! (nosso anjo da guarda ficava junto 24hs por dia! Rs…)

Há um tempo comecei a ver muita gente de patins e como esse esporte me traz muitas boas lembranças, pensei: “por que não? Até que no começo do ano apareceu um trabalho que deu uma folga nas despesas e lá fui eu me jogar nessa compra.

Esperei ansiosamente e fui acompanhando o rastreamento do correio diariamente até que ele chegasse aqui em casa. Mas ó, fui bem cautelosa e só sai pra dar minha primeira volta depois de o equipamento de segurança certinho (depois de adulto dependendo da queda o bicho pega! Rs), saí devidamente protegida também, com máscara, em um local com espaço amplo e pouco movimento e foi muito gostoso. É interessante como nosso corpo possui uma memória, ne? Foi só subir nos patins que já me recordei e até me arrisquei nas manobras. No dia do vídeo abaixo, saí com uma amiga que filmou um pedacinho do passeio e ficou muito massa!

Andei mais um pouco no local do vídeo acima até que deu-se início a onda roxa aqui em Minas e agora aproveito o quintal de casa pra poder treinar. Lá me sinto segura de arriscar umas manobras e tô sempre me filmando pra acompanhar a melhora dos movimentos. E o que me deixou mais feliz é que muitas pessoas ao verem essa partilha sobre o patins, também se sentiram animadas a retomar ou mesmo começar a patinar.

Essa tem sido uma atividade que tem me motivado bastante nesse momento. No último mês passei por um período pesado, desanimado e que me fez nem ter vontade de escrever, por isso passei tanto tempo sem postar aqui. Hoje aprendi a me respeitar, a dar tempo pra que as coisas se organizem aqui dentro, mas não tempo demais pra que eu desista. É descansar, recuperar as energias e recomeçar. Quantas vezes for preciso, porque nunca é tarde demais.

Ah, tem um episódio sobre esse tema no podcast! Para ouvir é só dar play:

Como podemos contribuir para um mundo melhor?

Eu acredito demais que um mundo melhor será resultado de uma construção coletiva. Não tem um salvador, não tem um milagre que vai acontecer e pronto, todo mundo vivendo com justiça e dignidade. As nossas ações, aquilo a gente pratica, é o que realmente conta pra transformar esse mundo louco num lugar bacana pra todo mundo. Paulo Freire trouxe na proposta de práxis a ideia de fazer com nossas ações sejam capazes de transformar a realidade e de que nossa teoria e prática precisam estar conectadas e alinhadas. Acredito muito nisso.

E aí, pensando numa escala menor, como a gente pode contribuir pra que o mundo (e esse “mundo” pode ser o nosso entorno mesmo) se torne melhor? A gente sabe que existem muitas coisas pra serem melhoradas ou resolvidas e que algumas coisas estão além de nossas capacidades e cabem aos governantes (tem inclusive um episódio do podcast sobre como a gente não vai mudar o mundo sozinho), mas algumas melhorias podem muito bem partir da gente. E o que nós fazemos? Nós agimos ou nós terceirizamos essa responsabilidade? Afinal de contas, alguém tem que fazer alguma coisa, né?

Quando tive síndrome do pânico lá em 2013 (que foi o começo de uma mudança significativa na minha vida), eu achei que estivesse prestes a morrer. Os ataques de pânico me davam taquicardia, dificuldade pra respirar, dormência nos braços… Já fui até parar no hospital várias vezes achando que estivesse enfartando. E realmente pensei que fosse morrer aos 24 anos. Isso me abalou muito e me fez pensar na forma como eu vivia. O que eu estava fazendo da minha vida? Eu trabalhava, vivia minha vida fazendo minhas coisinhas… e aí? Era só isso? Eu não queria fazer a minha existência se resumir a isso. Foi então que comecei a mudar.

No passeio da Cãogonhal – grupo de proteção no qual sou voluntária

Começou com a ideia de ficar um ano sem comprar pra questionar minha forma de consumir. Junto disso, muitas leituras sobre autoconhecimento e espiritualidade e uma maior dedicação a me conhecer, a saber o que eu realmente queria e quem eu era. Depois veio o vegetarianismo (e o veganismo), a proteção animal… e cá estou eu. São 7 anos de transformações e aprendizados diários e sinto que tenho conseguido fazer com que as coisas que eu acho importantes e acredito sejam praticadas no meu dia a dia.

Nesses anos todos o que eu percebi é como quanto mais nos unimos, menos difícil fica. Ninguém se sobrecarrega, todo mundo como cidadão também se responsabiliza pelos problemas e juntos conseguimos pensar em soluções possíveis pra melhorar as coisas. E isso é muito massa, gente! Só precisamos encontrar uma causa com a qual nos identificamos, procurar pessoas que já atuam ou que desejam fazer algo e pensar, juntos, no que pode ser feito no momento.

E foi esse o assunto que escolhi falar essa semana no podcast: como podemos dar a nossa contribuição pra esse mundo melhor no qual desejamos viver. Sigamos caminhando nessa direção: no desenvolvimento da consciência, na educação, na união e na prática. !

Leituras: Talvez você deva conversar com alguém

Nos últimos dias do ano passado peguei esse livro pra ler. Não fiz conta de tudo o que li, mas em 2020 li bastante. Longe de mim querer cobrar produtividade na leitura, mas eu realmente gosto demais de ler. E leio de tudo, sem preconceito. Se vejo uma boa indicação de alguém que gosto, lá vou eu anotar na minha listinha (que nunca tem fim! Rs)

Passei janeiro inteiro lendo esse livro – ele tem 400 páginas – , mas não por isso. Fui saboreando a leitura: as histórias, as percepções, os dilemas… Fiquei naquela mistura de sentimentos de “não ler muito rápido para o livro não acabar” e de “me envolver com as histórias e querer saber como se desenrolariam”. Nesse livro a Lori (autora) conta sobre a sua vida pessoal (sua trajetória de estudos, trabalho, relacionamento, maternidade), compartilha histórias de alguns de seus pacientes (com os dados em sigilo, claro), mas também fala sobre suas sessões de terapia, dividindo conosco seus medos, angústias, dificuldades.

Gostei muito disso porque muitas vezes vemos os terapeutas como pessoas muito bem resolvidas emocionalmente, quando na verdade antes de serem terapeutas eles também são pessoas, que carregam bagagens com dores e alegrias como qualquer um de nós. Foi muito interessante ver esse lado vulnerável da autora e profissional.

Me envolvi e me emocionei muito acompanhando as histórias, fiz muitas anotações, tive muitos esclarecimentos e sinto que algumas coisas que li e que ressoaram muito com o momento que estou vivendo ainda estão tomando espaço aqui dentro de mim. E espero que tudo isso, mais do que conhecimento, possa se transformar em prática na minha vida, em algum momento.

Costumo dizer que é o livro que me encontra e não o contrário. Então, começar o ano com essa leitura foi muito especial. E se você, assim como eu, busca se conhecer e entender mais sobre as dores e delícias de ser humano, esse livro será uma excelente escolha nessa caminhada.

Descansar para prosseguir

Em janeiro tirei férias. Não escrevi nada, li pouco (porque tô saboreando cada palavrinha de um livro maravilhoso que tô lendo), assisti pelo menos uns 15 filmes, atualizei minhas séries, tomei banho de cachoeira e pedalei. Estou “só existindo” dentro do possível, fazendo as atividades que já havia me comprometido previamente. Aliás, acho que ainda vivo com a ideia das “férias escolares” no inconsciente, então, janeiro pra mim é um mês pra ir devagar.

É até engraçado como nos sentimos culpadas por fazer isso depois da vida adulta. Direto me pego pensando se eu deveria ter reduzido a velocidade justo agora, afinal, começo de ano é o momento perfeito pra começar as coisas. Mas a gente veio de um ano que virou nossa vida do avesso e em dezembro sempre rolar um acúmulo de tudo o que vivemos, as dores e as alegrias (que em 2020 foram sentidas com ainda mais intensidade), então eu tinha que parar. Mesmo que isso implicasse em “perder oportunidades”.

Essa semana, bem na última do mês e nos preparativos da volta do Podcast e demais atividades, li uma frase em uma ilustração da Isadora que fez todo sentido e que cabe pro nosso ano e pra nossa vida toda:

Quem já viveu no corre e conseguiu reduzir a velocidade, sabe que também pode rolar da gente se acomodar na marcha lenta. Ela é confortável e necessária muitas vezes, mas de vez em quando é preciso dar uma pisadinha no acelerador, sair desse local de conforto que é caminhar devagar, pegar um pouco de velocidade e sentir o vento batendo no cabelo. Não precisa ir do 0 aos 100km em segundos, mas dá pra encontrar o equilíbrio entre os momentos de reduzir e acelerar.

E agora, com o corpo e a cabeça descansados, dando um respiro também pra minha alma se (re)encantar com a vida, tô pronta pra começar 2021, aberta para as possibilidades e experiências que aparecerem. Agora é meu momento de pisar no acelerador, mas ao longo do ano também vou pisar no freio, parar na beira de estrada, descansar um ´cadinho, na sombra, pra depois retomar a viagem. Attraversiamo!