Infoxicação

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O isolamento social alterou muito a nossa forma de consumir conteúdo. Separados dos nossos amigos e muitas vezes trabalhando em casa, o que resta é fazer uso da internet e das redes sociais pra conversar, distrair e se informar. Mas que tipo de informação temos consumido e qual o impacto dela nas nossas vidas?

Com a maioria das pessoas com quem tenho conversado sobre esse assunto, a alegação é sempre de exaustão mental: é informação demais pra gente assimilar!  E não é só isso. As circunstâncias sob as quais estamos não favorecem a assimilação de todo esse assunto:  é o medo de contrair o vírus e de contaminar outras pessoas, o fato de estarmos afastados de quem amamos, preocupações com dinheiro, família, amigos, trabalho, toda a incerteza de quando as coisas voltarão ao “normal”… Tudo isso tem nos abalado ao ponto de às vezes passarmos um dia inteiro sem conseguir fazer nada.

E tem mais: abrir as redes sociais, ver gente acordando cedo e se exercitando,  pode ser um gatilho. Em conversa com amigas, muitas disseram ter parado de seguir alguns perfis, especialmente os fitness que, por mais que possam ter o intuito de ajudar a exercitar em casa, por exemplo, acabam trazendo um sentimento ruim, de que não estamos esforçando o bastante para cuidar de nós mesmas. Mas com a saúde mental abalada fica difícil ter disposição para fazer qualquer outra atividade. Esse excesso de informação que temos consumido tem nos gerado ansiedade, frustração e comparação com a vida de outras pessoas, porque o feed das redes se tornou a nova “grama do vizinho”.

O termo “infoxicação” foi criado pelo físico espanhol Alfons Cornellá em 1996 para explicar os efeitos do excesso de informação: ansiedade e estresse. Uma pesquisa realizada pela Opensignal, que monitora o uso de telecomunicação no mundo, mostrou que no Brasil a penúltima semana de março foi a que mais registrou um aumento na porcentagem de uso de Wi-Fi desde o início do ano, fechando com uma taxa de 70,1%.

Assim como o corpo precisa de descanso a nossa mente também precisa, mas acabamos não nos preocupando com o impacto que o excesso de informações pode causar na nossa saúde mental. Nos mantermos informados e em contato com nossos amigos e familiares através das redes sociais é importante nesse momento, mas precisamos estabelecer um limite para que nossa saúde mental não vá pelo ralo.

O que fazer então? Reservar alguns períodos do dia para acessar a internet e optar por ler as notícias ao invés de assisti-las (por que sempre tem o tom que pode bastante alarmante – não que a situação não esteja caótica, mas ler pode ser melhor); tentar se dedicar a atividades que exijam atenção e presença (atividades manuais, pintar, desenhar, organizar os armários, livros) também pode ajudar a aliviar a tensão e focar nossa mente em uma coisa por vez; ver uma série ou filme também pode ajudar a aliviar um pouco a preocupação com a situação do momento. Se não há outra coisa a ser feita além de mantermos os cuidados e evitarmos sair de casa,  que consigamos pelo menos reconhecer nossos limites e cuidar da nossa saúde mental nesse momento tão desafiador.

 

Você não vai agradar todo mundo

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Das poucas certezas que temos na vida, sem sombra de dúvidas essa é uma delas: não vamos agradar todo mundo.

Infelizmente muitas de nós passamos boa parte das nossas vidas tendo como meta a aprovação das pessoas, deixando de fazer o que gostaríamos e até nos indispondo com nós mesmas para sermos aceitas em um determinado grupo ou pelas pessoas que amamos.

Mas a gente se fere quando faz isso. Ferimos a nossa essência, nossa individualidade, que é aquilo que temos de valor e que nos permite oferecer uma contribuição única para o mundo. Do nosso jeito. Com a nossa cara.

É claro que ninguém quer ser rejeitado. Se sentir pertencente e bem quisto faz parte das nossas necessidades básicas, mas até que ponto vale a pena abrir mão de quem somos pelos outros?

Confesso que já passei um bom tempo tentando me encaixar em moldes até entender a importância de me libertar disso, de fazer o que eu queria por mim, porque me trazia realização. Quando deixei de dar tanta importância ao que os outros pensavam de mim, consegui direcionar essa energia para colocar em prática o que eu queria, pensando em mim e na minha realização pessoal.

Tem um episódio do podcast sobre esse assunto. Clique abaixo para ouvir:

 

#DesafioUVMS

Criei um desafio lá no instagram chamado #desafiouvms que consiste em registrar algo na sua rotina seja em casa ou nas vezes em que precisa sair pra gente tentar enxergar um pouco de beleza na nossa rotina e no nosso entorno. Estamos passando por um momento tão desafiador com a pandemia que ficamos nessa gangorra de sentimentos e sensações: ora estamos bem, animados, dispostos, ora ficamos tristes, inseguros, sem saber o que fazer.

A ideia é dar uma desanuviada na cabeça. Nas últimas semanas eu estava bem no modo “full pistola” com muitas coisas, mas entendo que faz parte e que na atual conjuntura, na situação em que nosso país se encontra é impossível ficar plena e em paz, por que é só acordar e ver as notícias do dia que a gente sente um desânimo tremendo.

Registrar o que nos chama a atenção ou o que nos dá um alento nesse momento é uma forma de manter viva a esperança de quem nem tudo está perdido. De que mesmo nesse caos a gente não só pode como deve buscar enxergar um pouco de beleza na nossa rotina.

Acompanhe e participe lá no @umavidamaissimples.

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Lembro que uma vez fiz um desafio de fazer uma foto por dia durante um mês. Eu trabalhava fora e levava minha câmera cybershot na bolsa pra clicar as coisas que via pelo caminho. Foi uma experiência muito legal. Vi coisas que nunca tinha prestado atenção como uma casa que tinha detalhes na janela que pareciam cílios. Que tal se a gente fizesse um desafio assim durante a próxima semana? Acho que pode ser uma oportunidade de observarmos nosso entorno e vermos nossa casa com outros olhos. Pode ser fotos de casa ou caso você tenha que sair, de algo que tenha te chamado a atenção. Começa segunda e vou compartilhando meus registros aqui com vocês. Vocês podem usar a tag #desafiouvms pra podermos acompanhar os registros. Vamos? Ps. Fiz esse registro ontem quando precisei sair de casa e deixei ele salvo nos destaques pra quem quiser a imagem de wallpaper #vidasimples #umavidamaissimples #desafiofotografico #simplicidade

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O momento perfeito

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Será que existe um momento perfeito pra fazer algo, quando tudo está perfeitamente alinhado e sob controle?

Acho que em alguns momentos sim, os ventos sopram a nosso favor, mas na maior parte do tempo é muito mais sobre a gente ajustar as velas e assumir o leme das nossas próprias vidas, aprendendo a lidar com o que temos e com as circunstâncias que vão se apresentando ao longo do caminho.

Eu idealizei muitas coisas nesses 31 anos de vida e passei muito mais tempo no mundo da imaginação do que colocando, de fato, minhas ideias em prática. E sinto que isso tinha a ver com diversas questões: medo de não ser boa o suficiente, medo de não dar conta do recado, medo da reprovação dos outros, de não dar certo… E nisso muita ideia legal morreu ali na cabeça mesmo.

Hoje, um pouco mais madura, percebo que a realização pessoal em fazer algo, alinhada, claro, com planejamento, é muito mais importante do que receber aplausos e reconhecimento das pessoas. Claro que é ótimo quando um projeto nosso ganha visibilidade, quando ele pode ser útil pras pessoas e ajudá-las de alguma forma… Mas nem sempre isso vai acontecer. E tudo bem.

Enquanto passarmos a vida esperando pelo momento ideal, muitas oportunidades passarão. Sei que as vezes o medo é grande, mas é melhor correr o risco e errar do que passar a vida cogitando como seria se tivéssemos feito algo. Nós nunca vamos ter 100% de certeza sobre nada, mas se o nosso desejo de fazer algo é genuíno, se está no nosso coração, valerá a pena, independente do resultado.

Falei mais disso no último episódio do podcast, disponível abaixo.

 

Às vezes é bom não insistir

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Adoro perceber os ensinamentos que a vida nos traz nas coisas mais simples: hoje resolvi fazer um bolo de cenoura, bolo esse que já fiz milhares de vezes e sempre deu tudo certo. Mas eis que hoje o bendito bolo não só não cresceu como ficou cru. Formou uma casca por fora, mas por dentro não assou.

Ontem estava toda feliz porque consegui fazer uma receita de pão de beijo (versão vegana do pão de queijo) tomando uma base de receita mas não seguindo as quantidades exatas, que ficou incrível no formato, textura e sabor. Aí hoje, nessa receita que segui como sempre, deu errado.

Mas olha se não é a vida mostrando que um dia as coisas vão dar muito certo e em outros não. E que faz parte. E eu na minha inocência, acreditando que dava pra salvar o bolo ainda fiz uma calda de chocolate e quando fui comer definitivamente não deu. Precisei descartar com dor no coração, porque né, é comida.

E aí fiquei aqui refletindo com meus botões sobre o aprendizado do dia: às vezes é bom não insistir. Em quantas coisas continuamos colocando nossa energia mesmo quando estamos vendo que não vão dar certo? Tudo bem abrir mão, abandonar, não insistir porque percebemos que não tem conserto. Aqui foi o bolo (um exemplo simplista, claro), mas vale pra tudo na vida: projetos, relações, trabalhos. Não é sinal de fracasso abrir mão de algo. Pelo contrário: é sinal de que você se conhece a ponto de saber o que não vale mais a pena e como direcionar sua energia e seus esforços pra algo que tenha significado.

E assim fechamos o domingo.

 

Amizades

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Pedalar me trouxe muitas coisas boas e uma delas foi perceber a receptividade das pessoas por onde a gente passa. Lembro que uma vez que pedalei de uma cidade até outra e no meio do caminho paramos (uns amigos e eu) pra conversar com um senhor que acabou nos oferecendo biscoitos quentinhos, que ele tinha acabado de assar.

Foi numa dessas pedaladas que conheci o seu Homero. Na verdade eu fiz amizade com os cães dele primeiro, Quico e Caco. Sempre que passava pelo bairro que ele mora, na zona rural, parava pra brincar com os doguinhos até que um dia ele estava por lá, parei pra conversar e de lá pra cá ficamos amigos.

De vez em quando a gente se tromba aqui na cidade, porque ele tem uma casa aqui e se divide entre ficar um pouco lá e outro pra cá. Quando nos encontramos ele pergunta como estão as coisas, se tá tudo bem com a família e também com a Natália, por que a gente costuma pedalar juntas nesse trajeto. E eu pergunto como estão as coisas e sobre o doguinho, que agora é só o Caco. Quando é tempo de fruta ele manda avisar que se eu passar lá perto da casa dele mas ele não estiver, posso pular a porteira e comer jabuticaba à vontade.

Na gentileza e na simplicidade, uma amizade.

 

Bolinho de saudade

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Bolo tem esse negócio de trazer um certo conforto pra nossa alma. É como sentir um abraço fofinho que traz boas lembranças. Eu não tenho muitas lembranças de bolo na infância, porque minha mãe não era muito de fazer coisas diferentes. Confesso que morria de inveja das minhas amigas cujas mães faziam coisas diferentes em casa, tipo bolos, tortas e afins. Lembro de um dia que a gente foi fazer trabalho na casa de uma amiga e tinha um bolo que a mãe dela molhou com refrigerante e estava maravilhoso. Aqui em casa era sempre o básico… Talvez seja por isso que eu goste tanto de cozinhar.

O bolo de fubá é um clássico aqui do interior, recheado com goiabada e tudo o que se tem direito, mas hoje eu quis fazer esse bolo porque ele me lembrou aquela “broa mimosa” que nunca mais comi depois que me tornei vegana porque leva um monte de ovo e nunca achei nenhuma versão vegana dela. Geralmente eu faço o bolo de fubá com côco ou goiabada, mas hoje, pra lembrar do gostinho da broa, fiz o bolo com erva doce na massa, um pouquinho só pra ela não se sobressair e ofuscar o fubá.

Hoje o dia amanheceu todo nublado, ventou forte, até uma árvore de um terreno aqui perto de casa caiu. Deu uma chuviscada e o dia se manteve assim. Dias assim me deixam melancólica, então, nada como um bolo com café quentinho no final do dia pra gente se sentir abraçacinha e acalentada.

A receita:

2 xícaras de fubá mimoso (farinha de milho fina)

1 xícara de farinha de trigo

trigo 3/4 de açúcar demerara

1 pitadinha de sal

1 colher (sopa) de fermento

1/2 de óleo vegetal (uso de girassol)

1 + 1/2 xícara de água

1 colher (sopa) de vinagre de maçã

Goiabada picadinha, ou côco ralado ou erva doce pra colocar na massa.

Assar em fogo baixo ( 180º) por cerca de 40 minutos.

Tudo está

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Nada é. Tudo está.

Semana passada um assunto ficou bem evidente pra mim: que a gente não tem controle e que tudo é impermanente. Assino uma newsletter de budismo que só vi ontem a noite e que falava disso também. Não sei se acontece por aí, mas de vez em quando alguns assuntos “aparecem” por todo canto pra mim, meio que reforçando a ideia, mostrando outras perspectivas, me ajudando a compreender melhor o conceito.

O texto de ontem falava que entender  a impermanência é mais fácil do que vivenciá-la, na prática, por que temos a falsa sensação de controle (falei disso no último episódio do podcast) e que é por isso que a gente sofre tanto. Queremos tanto segurar o momento que não o aproveitamos com tudo o que ele tem. Nos preocupamos em como será quando esse momento passar e quando percebemos, ele passou.

Uma vez li também que nós somos instantes. Nossa existência é pequena se comparada com a eternidade. Então mesmo que vivamos 100 anos, teremos vivido apenas instantes através dessa perspectiva. E o que a gente faz dos nossos instantes? O que faz com que nosso tempo passe tão rápido que nem percebemos?

Se a vida é sobre o que e onde a gente coloca nossa atenção, já pensou onde anda a sua?

 

Afeto

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Comida é afeto. Não é só sobre nutrientes, calorias e ingredientes, mas sobre alimentar a nossa alma também. Gosto muito de cozinhar e embora tenha aprendido o básico com minha mãe sempre gostei de testar receitas diferentes. Eu adoro arroz com feijão, mas eu sinto que preciso testar novas receitas ou até mesmo explorar novas possibilidades dentro de um prato que já costumo fazer. É quase que uma necessidade básica, como se na cozinha eu pudesse desbravar o mundo quando não posso sair por aí. As vezes experimento usar outra base ou um tempero diferente e vou vendo como fica.

Lembro que quando me tornei vegana a primeira pergunta que me fiz foi: “nossa, mas e agora, eu vou comer o quê?” e 4 anos depois percebi que aprendi e aprendo tanta coisa maravilhosa na culinária vegetal que só posso pensar no quanto a gente é restrito e usa sempre os mesmos ingredientes na culinária tradicional. Mas não é disso que quero falar. Não hoje.

Essa semana vi duas pessoas fazendo uma receita bem parecida de “chantilly de café” que é uma espécie de creme pra se misturar com leite. Ontem eu fiz e foi quase como voltar no tempo. Não lembro exatamente quando mas aprendi essa receita e me recordo de ter tomado com minha amiga Natália num dos nossos cafezinhos da tarde (que na verdade aconteciam sempre a noite). A gente não se vê desde o início das orientações de isolamento, então tá ai pra uns 20 dias. E logo a gente que se via toda semana. Então quando tomei ontem a tarde no meu leite vegetal, com um bolinho de cenoura pra acompanhar, lembrei por que as pessoas gostam tanto de café: por que ele simboliza afeto.

Um café remete a encontro, partilha. A gente sempre oferece um cafezinho como forma de “aconchego” porque o café traz essa sensação pra gente. Embora eu não seja entendida de café e não seja uma grande consumidora, é sobre o gesto, não só sobre a bebida em si. Então, nesse isolamento, ter feito esse chantilly de café me fez voltar no tempo, um tempo bem menos duro. Já prometi pra Natália que nosso primeiro encontro pós isolamento vai ter esse cafezinho pra gente recordar.

A receita:

200 ml de água gelada.

1 xícara de açúcar

50g de café solúvel (4 colheres de sopa)

Bate tudo na batedeira até dar a textura do chantily

Armazenar no congelador (rende bastante)

Ps. se na sua casa não tiver muita gente pra consumir, recomendo fazer meia receita.

 

Fases

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Eu não sabia que era pico de abundância de borboletas nessa época. Nunca tinha reparado nisso até que no mês passado encontrei muitas lagartas e muitas crisálidas na minha casa. Só no espaço da escada e da cozinha contei mais de 10 casulos. Aí que ontem consegui registrar essa que depois de pesquisar, descobri que tinha saído da “casinha” há pouco tempo. Li que uma vez fora do casulo as borboletas levam de 2 a 4 horas pra poder voar e que durante esse período, bombeiam fluidos para todas as partes do corpo, que ainda estão comprimidas pela posição da pupa e que é só quando esse processo está concluído que “nascem”, de fato, as borboletas.

Costumamos usar as borboletas pra falar sobre nossos processos de mudança. Com elas entendemos que precisamos “morrer” para algumas coisas pra poder nascer para outras. Só que não é fácil, né? Abrir mão de tudo o que nos é conhecido e mergulhar em algo que não sabemos no que vai dar é um baita desafio. Achamos que temos controle sobre tudo, mas a verdade é que a gente não controla nada. Imagina se a lagarta resistisse a querer viver algo que lhe é natural e necessário? Se ela se recusasse a virar pupa para se transformar em uma borboleta? Mas é o que a gente faz.

Por desejar manter o controle e ficar onde é “conhecido”,  gente evita mergulhar fundo e fica só na superfície, nos privando de tudo o que poderíamos ser. Só que eu falo sobre isso sabendo que eu também tenho medo e que mudar, pra mim, não é fácil. Mas juro que tô tentando, todos os dias dias, me despir de conceitos, condicionamentos, ideias, e fórmulas e entendendo que de vez em quando vou precisar entrar no meu casulinho e me desligar de tudo pra poder me conhecer melhor, entender o que e quem eu sou, pra depois poder sair e voar por aí.