Pedir, receber, agradecer

“Lembre-se de quando você desejou o que você tem hoje”

Se você me acompanha há mais tempo, já deve ter lido (ou ouvido no podcast) sobre meu processo de mudança de vida que começou quando descobri que tinha síndrome do pânico, lá em 2013. Na época eu era só uma jovem comum, preocupada com as coisas da juventude, um pouco alheia ao que não me envolvessem diretamente. 

Quando as primeiras crises começaram eu achei que estivesse com um problema de saúde (algum problema cardíaco mais precisamente, porque um dos sintomas das crises é a taquicardia). Vivenciar tudo aquilo me fez começar a pensar que minha morte se aproximava e foi isso que me fez refletir sobre o que eu estava fazendo da minha vida.

Naquela época eu tinha começado uma pós graduação em marketing, trabalhava na parte de comunicação de uma rede de lojas e trabalhar com aquilo passou a não fazer muito sentido pra mim. Eu tinha feito a experiência de passar um ano sem fazer compras e estava bem impactada com a questão do consumo. Sei que na época fui meio radical, mas me sentia desconfortável trabalhando com comércio de itens que não eram de primeira necessidade, criando propagandas que estimulassem as pessoas a consumir. A empresa que eu trabalhava era familiar e muito centralizada, com uma enorme dificuldade de inserir novos pontos de vistas que não reproduzissem o padrão. Eu queria sair daquele trabalho e fazer outra coisa, só não sabia o que. Estava completamente perdida.

Mais ou menos nessa mesma época eu comecei a pedalar. Lembro de como chegava no trabalho por volta das 18, comia e saia pra andar de bike com meu amigo Elder. Um outro ponto que começou a me incomodar foi ter que ficar o dia todo fora. Meu trabalho era em outra cidade, então eu saia cedinho e voltava no final do dia. No horário de verão era mais tranquilo porque conseguia chegar e aproveitar o final do dia, mas no inverno, tinha dias que quando eu ia pegar o ônibus de volta e já estava tudo escuro.

Um pouco depois, por questões financeiras da empresa, muitas pessoas tiveram que reduzir a jornada de trabalho e eu fui uma delas. Trabalhava só meio período, recebia bem menos, mas me sentia muito bem. Lembro de ter dias em que ia pra cachoeira de manhã ou que andava de bike e fazia outras coisas antes de ir para o trabalho. Conseguia ter mais tempo pra mim sem perder a minha fonte de renda. Não tinha muitos gastos, então era tranquilo administrar os recursos.

Mas o lance com a empresa foi ficando mais complicado em relação ao dinheiro e decidi pedir as contas. Eu precisava do dinheiro, claro, mas tinha outras pessoas ali que tinham filhos e talvez precisassem dessa renda fixa mais do que eu. Eu era nova e pra mim era mais fácil conseguir arrumar outro trabalho. E foi assim que comecei a fazer alguns trabalhos como freelancer e cá estou. 

Contei toda essa história pra vocês porque ontem a tarde fui dar uma volta de bicicleta e fiquei pensando sobre como muitas das coisas que eu queria naquela época, de fato, aconteceram. Queria me conhecer melhor, ter mais tempo pra mim, trabalhar com algo que tivesse mais alinhado com minha forma de ver o mundo… e cá estou. A questão do trabalho que ainda tá um pouco emaranhada, mas pensei em tudo com muito carinho e agradeci a vida, ao universo, a Deus, por tudo o que me aconteceu e me permitiu vivenciar tudo o que tanto desejei.

Ao mesmo tempo lembrei que quando comecei a trabalhar nessa empresa em 2010, fiquei muito feliz, porque tinha acabado de sair da faculdade e teria a oportunidade de trabalhar em uma área que eu gostava muito, que é a área de comunicação. Lembro perfeitamente de ter tuitado no meu falecido @bdebruna que nunca tinha me sentido tão feliz como naquele momento.

E aí é interessante pensar sobre como desejamos coisas diferentes em diferentes momentos da vida. Foi ótimo ter a oportunidade de trabalhar naquele lugar, mas a vida foi me direcionado pra outros rumos. Hoje sinto que estou em um lugar que deixa feliz e sou grata por fazer no dia a dia coisas que acredito serem boas pra mim e pro mundo.

Sei que com o passar do tempo a gente vai mudando, se transformando, vivenciando algumas coisas que pensávamos que seriam boas pra nós, mas na realidade não são. Mas antes de dar os passos rumo à uma nova direção, agradeço pela oportunidade de viver tudo o que um dia eu sonhei pra mim.

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