Andanças

Nas últimas semanas chamei meu irmão e meu namorado, coloquei uns lanchinhos e água na mochila, acordamos de madrugada e saímos pra andar. Caminhamos 16 e 17km com uma semana de descanso entre cada uma das caminhadas pra poder descansar. Lazer sem gastos e sem aglomeração.

Já havia feito esses dois trajetos de bicicleta, mas caminhando a percepção é muito diferente. Por mais que eu observe e curta o passeio de bike e que eu pare pra fotografar e apreciar a paisagem, ele “rende” muito mais do que quando feito a pé. Não que tenha que render, mas quando somos nós, nossos passos e o peso da mochila é tudo diferente. Muda a percepção do tempo, vemos, ouvimos e sentimos as coisas de outra maneira (e eu gosto das duas).

Eu tenho uma “coisa” com caminhos assim, como os da foto que escolhi pra esse post. Eu gosto demais desse jogo da luz passando por entre as folhas das árvores, da tonalidade desse caminho que é de um verde mais fechado, da mistura de cheiros de folhas novas com as que estão se decompondo… Mas eu gosto mesmo de como eu me sinto quanto estou ali.

Uma caminhada dessas me traz uma noção de presença muito grande. Presto atenção nos sons dos pássaros e do vento nas árvores. Observo onde piso, olho pro céu, sinto o calor do sol na pele, me deixo ser abraçada pelo vento que refresca e esqueço dos problemas. Nem que eu queira pensar em qualquer coisa que possa estar me aborrecendo no momento, eu consigo. Me sinto completamente imersa no que estou fazendo. É a meditação na ação.

Minha mente é inquieta e está sempre pensando no que preciso fazer e no que falta… Não tem descanso. E cada dia mais eu sinto essa necessidade de sair por aí, a pé ou de bicicleta, pra poder me silenciar, pra conseguir ouvir o que todo o ruído externo do trabalho, das preocupações e do mundo me impede tanto de ouvir quanto de enxergar. E quando retorno de uma andança dessas, embora o corpo se canse, sinto que minha mente está aliviada. Consigo ver as coisas com mais clareza, ouvir minha intuição e renovar minhas energias para retomar as atividades do dia a dia.

Tenho encontrado muita satisfação nessas caminhadas. Me sinto viva, presente e consciente, sentindo que vale a pena cada gotinha de suor, o cansaço e a dor nos pés e nas pernas.

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