Reduzindo a velocidade

Às vezes eu cito a mim mesma, sem pretensões, porque vejo que algo que eu disse continua fazendo muito sentido. Já escrevi uma vez em um texto aqui o blog que em tempos de avanço, recuar é um ato de coragem. Esse recuo pode ser uma parada ou pode ser simplesmente reduzir a velocidade e andar mais devagar.

Há quem pense que viver “no corre” é bom porque nos faz chegar logo “lá”, naquele lugar que a gente imagina ser maravilhoso. Esse “lá”, na nossa mente, é de fato incrível. É “lá” que a felicidade está. É “lá” que as coisas vão ser boas. Mas é engraçado que esse “lá” parece não chegar nunca. Por mais que a gente dê um passo na sua direção, ele está sempre um passo na nossa frente.

Mas de vez em quando a gente chega “lá” e é uma sensação muito gostosa. Temporariamente. A gente se sente viva, capaz, forte, incrível. Mas esse sentimento costuma passar e logo aparece outro “lá” pra gente chegar. É como se nunca pudéssemos estar satisfeitos com as coisas como elas já são ou já estão. E isso é o que nos mantém dependentes desse sistema. Nossa insatisfação é muito lucrativa porque é através dela que nos “mimamos” comprando coisas que muitas vezes nem precisamos.

Lembro que no meu aniversário do ano passado eu recebi uma carta linda de uma amiga muito especial e uma frase que ela escreveu me marcou muito: “é a caminhada que compensa o destino”. Se ficamos preocupadas demais com o destino não curtimos a caminhada, que é onde passamos a maior parte do tempo.

Mesmo que a gente reduza a velocidade, a gente vai chegar “lá”, só que de um jeito diferente. Talvez demore um pouco mais, mas em compensação vamos apreciar o caminho, vamos nos divertir, vamos curtir os processos sem pressa porque sabemos que uma hora ou outra a gente chega lá. E pra mim isso tem feito todo sentido. Percebi que estava me cobrando muito por coisas que não dependem de mim e por coisas que embora estejam nos meus planos, não sei quando poderão acontecer por inúmeros fatores externos. Nem tudo dá certo só porque a gente quer e ter isso em mente tem me feito me divertir mais no rolê da vida.

Por aqui sigo no meu ritmo, observando como as coisas mudam no decorrer dos dias, percebendo os períodos em que tenho mais disposição e fazendo o que precisa ser feito, mas também reduzindo a velocidade e parando pra descansar quando percebo que isso também é preciso, sem culpa. Uma hora eu chego lá.

Ps. esse foi o tema do episódio da semana passada do poscast. Para ouvir clique aqui.

2 comentários sobre “Reduzindo a velocidade

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