A gente muda

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Uma amiga levou 10 anos pra construir sua casa. Me recordo da época da faculdade quando ela deu início à obra e dos planos que tinha pra construção. Nesse meio tempo, muitas coisas dentro do projeto mudaram e, conversando com ela depois da mudança pra casa nova, ela me disse que hoje faria uma construção completamente diferente da que fez. Não que ela não esteja feliz com essa conquista, mas sua percepção das coisas e seus gostos se transformaram muito nesses anos.

Quanto mais resistimos a mudança, mais a vida parece ficar amarrada. Sabe quando você tem um desejo e depois de um tempo trabalhando na sua realização percebe que talvez ele não faça mais sentido pra pessoa que você é hoje, mas pensa “poxa, eu tô quase lá, não posso desistir agora”? Será que não pode mesmo? E se não, por quê? Claro que existem algumas questões a serem levadas em conta, se não é a exaustão do processo, mas precisamos entender que está tudo bem abandonar projetos que não estão afinados com quem somos hoje.

Não é sinal de fracasso abandonar algo que não tem mais sentido na nossa caminhada. Aliás, eu diria que é muito corajoso encarar os fatos e fazer mudanças que estejam alinhadas com a pessoa que nos tornamos porque não estamos “finalizados”. A vida está acontecendo a todo instante e a gente segue passando por ela, mudando todo dia. O tempo todo estamos nesse processo de revisão e adaptação e resistir a isso é resistir à fluidez da vida.

Acontece que viemos de uma geração que tinha essa vida muito bem esquematizada: estudar, conseguir um bom emprego, formar família, aposentar… Só que tudo mudou e tudo está mudando o tempo todo. Existem outras possibilidades. Talvez casar e ter filhos não faça parte dos seus planos e tudo bem. Você não precisa ter uma carreira só a vida toda, dá pra mudar a qualquer hora ou trabalhar em mais de uma coisa ao mesmo tempo. Você também pode continuar se dedicando a projetos que são importantes pra você, independente da sua idade.

Podemos reescrever o roteiro da nossa vida a qualquer instante. Nada é definitivo. Desapegar de quem fomos e abraçar quem estamos nos tornando nos deixa mais leves pra seguir o fluxo da vida. Enquanto houver ar em nossos pulmões, existe a chance de nos renovarmos e de encontrarmos o caminho que nos fará feliz.

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