Minha jornada por uma vida mais simples

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Seis anos se passaram desde que iniciei minha jornada por uma vida mais simples. Tudo teve início com a síndrome do pânico que me fez rever a maneira como me relacionava com tudo: pessoas, trabalho, consumo e especialmente comigo mesma. Nessa busca por respostas tive o primeiro contato com o minimalismo e vivenciei a experiência de ficar um ano sem compras, o que me fez repensar a forma como lidava com meu dinheiro, as coisas que eu já tinha e o que eu valorizava. Percebia que muitas vezes comprava coisas para satisfazer questões emocionais, não por necessidade. Se estava triste, comprava algo. Ansiosa? Bastava entrar numa loja virtual e comprar algo que sabia que não precisava só pelo prazer de comprar e quando o produto chegava pelo correio já não tinha mais graça.

Sei que nem tudo é “preto no branco”. A gente não compra só porque precisa e também é necessário que compreendamos que estamos inseridos em um sistema que constantemente nos instiga a consumir. De vez em quando eu também caio nas ciladas do capitalismo e acabo comprando algo que não precisa, mas nesse hiato de compras pude perceber que poderia viver muito bem com tudo o que já tinha, mas que não se tratava de nunca mais comprar coisas, e sim de compreender o que me levava a comprar ou então como eu poderia fazer melhores escolhas na hora das compras.

Comecei a pensar também no impacto ambiental daquilo que consumimos: o que vestimos, o que comemos, que empresas apoiamos quando compramos algo. Entendi que não bastava pensar apenas no produto ou serviço em si: era preciso olhar também para os valores dessa organização, suas ações em relação aos trabalhadores, ao meio ambiente e a sociedade. Quando compramos algo de uma empresa é como se disséssemos: “ei, eu concordo com o que você faz e por isso te dou meu dinheiro”. (Reconheço que falo do lugar de quem muitas vezes pode escolher de quem comprar enquanto muitas outras pessoas não o podem fazer). A partir disso busquei conhecer mais a respeito das empresas das quais comprava e a fazer escolhas que estivessem mais alinhadas com meus valores, o que significou deixar de comprar de várias grandes corporações e priorizar o pequeno produtor sempre que possível.

No meio dessas mudanças conheci o vegetarianismo e, posteriormente o veganismo e compreendi que ser vegana tinha muito a ver com os valores que norteavam minha vida: sempre gostei de animais, sempre me preocupei com o meio ambiente, com minha saúde e com as pessoas e o veganismo me mostrou que todas essas questões estão conectadas. Foi bom encontrar em um movimento social uma maneira de viver que me permitisse praticar o que eu tanto acreditava e valorizava.

A partir dessa busca por uma vida mais simples conheci também os conceitos de “essencialismo” e de “simplicidade voluntária“. O primeiro nos convida a  “fazer menos, porém melhor” e nos estimula a dizer mais “nãos” para coisas que vamos percebendo que não tem tanta importância, a fim de que nos sobre tempo e energia para dedicar ao que realmente tem valor seja no nosso trabalho ou na nossa vida pessoal. Sobre o assunto recomendo a leitura do livro Essencialismo, de Greg McKeon.

O segundo conceito, de simplicidade voluntária, ou seja, de escolher viver de uma forma mais simples, possui os seguintes 5 pilares:

  1. Simplificação da vida material: menos coisas demandam menos tempo e menos sacrifício financeiro para mantê-las;
  2. Priorização de ambientes e instituições menores estimulando o contato interpessoal e o sentido coletivo;
  3. Autodeterminação: menor dependência de instituições econômicas e políticas e maior controle sobre o próprio destino, ou seja, mais autonomia no viver;
  4. Preocupação ambiental: perceber a conexão e a interdependência entre os seres humanos e o meio ambiente compreendendo a finitude dos recursos naturais e a necessidade de preservá-los;
  5. Crescimento pessoal: todos os 4 aspectos anteriores culminando na evolução pessoal;

Depois de muito estudar sobre, tive a sensação de ter encontrado no conceito de simplicidade voluntária um certo alinhamento com o que vinha experimentando na prática nos últimos anos. Compreendi que através de seus fundamentos somos (e seremos) capazes de viver uma vida que tenha mais valor, onde priorizamos coisas que realmente são importantes não apenas pra nós, mas também para os outros (pessoas, meio ambiente, sociedade). Para quem deseja conhecer mais a respeito dele, tenho duas indicações de leitura: “Simplicidade Voluntária”, de Duane Elgin e “Por uma vida mais simples“, de André Cauduro D’Angelo.

Estando em contato com diversos conceitos e aplicando muitos deles na minha vida, entendi que viver uma vida mais simples é uma experiência muito pessoal e que precisamos levar em consideração a realidade em que estamos inseridos para implementar essas práticas em nossas vidas. Por exemplo: dentro do conceito de minimalismo, existem pessoas que implementam o uso do armário cápsula. Ele pode funcionar bem pra uma pessoa e não funcionar pra outras. Acredito ser mais importante compreender o conceito e aplicá-lo em nossas vidas nas áreas que julgarmos necessárias.

Li recentemente um livro que contava que um advogado conversava com Mahatma Gandhi sobre sua dificuldade em abrir mão de seus livros, que eram algo muito importante pra ele. Então Gandhi lhe respondeu que: “enquanto você obtiver conforto e ajuda interior de alguma coisa, deve mantê-la. Se abrir mão dela como sacrifício ou como senso de dever, você continuará a desejá-la e essa vontade insatisfeita lhe trará problemas. Só renuncie algo quando isso não exercer mais atração em você”Ao mesmo tempo que entendo que não podemos nos forçar a abrir mão de coisas e sair destralhando tudo pra “cumprir as regras do minimalismo” também é preciso ser muito honesto consigo mesmo para reconhecer o que, de fato ainda tem ou não importância na sua vida.

Sinto que ao longos dos anos venho aprimorando e amadurecendo as ideias de simplicidade, conectando-as com outras questões sociais importantes (como ideias de decrescimento e bem viver) e me atendo cada vez menos a supostas regras do quanto de coisa eu devo ter ou como devo me aparentar para ser considerada uma pessoa simples, trazendo as ideias para uma forma que permita que cada vez mais pessoas possam compreender os impactos do consumo excessivo e que podemos e devemos pensar em alternativas a esse estilo de vida que tem se mostrado prejudicial não só a nós humanos, mas especialmente ao meio ambiente.

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