Sobre certezas

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Eu jurava que chegando à vida adulta teria todas as respostas: saberia exatamente o que fazer, pra onde ir e com quem me relacionar. Na minha cabeça tudo seguiria um plano previamente estabelecido e me caberia viver o resto dos meus dias gozando de uma felicidade tranquila que, apesar dos percalços, não se abalaria; e que a sensação de estar exatamente onde eu deveria estar seria minha companheira diária. Eu teria tudo sobre controle.

A realidade é que cheguei aos trinta sem ter certeza de absolutamente nada. As dúvidas que sempre me acompanharam parecem ter dobrado de quantidade na medida em que meus anos também foram aumentando. São tantas possibilidades à minha frete, tantos caminhos, tantas opções… E com isso mais indecisão: qual deles seguir? Qual vai me exigir menos esforço e me trazer mais felicidade? Seria tão mais fácil se eu tivesse as respostas pra tudo isso ou se alguém pudesse me direcionar… Mas o fato é que escolher (e lidar com suas consequências) não cabe a ninguém além de mim. Essa é a vida adulta. Nem meus pais, nem meus amigos, nem meu companheiro poderão fazê-las por mim. Eu posso ter suporte deles em qualquer decisão que tomar, mas decidir mesmo, é algo que só eu posso fazer. E em meio a tantas  alternativas a maneira mais correta de escolher talvez seja parar de buscar as respostas do lado de fora: nas pessoas, em lugares, no trabalho e voltar pra dentro. Relembrar os caminhos que me trouxeram aqui e as coisas que me tocaram coração, pois elas são uma espécie de bússola para indicar a direção ideal pra se tomar.

E quando falo em direção ou escolha ideal, não digo sobre “certa” ou “errada”, pois entendi que elas não existem. O que existe é a escolha que está mais alinhada com quem somos nesse exato momento. Escolhemos tendo como base as experiências que vivenciamos e tudo depende de como elas aconteceram. E em qualquer caminho que decidamos tomar, não estaremos completamente certos de que tudo sairá como planejado. E tudo bem. A gente pode ajustar, voltar, recomeçar, tentar outra coisa.

No meu aniversário recebi uma carta de uma amiga que me dizia pra não esperar ter nenhuma certeza. Que a vida é uma eterna dúvida e que é a caminhada que compensa o destino. E é assim que pretendo seguir: apreciando a paisagem, fazendo paradas, mudando as rotas, mas nunca deixando de caminhar.

2 comentários sobre “Sobre certezas

  1. Como comentamos, é gritante a diferença entre a geração passada, ou seja, nossos pais e a nossa! Na minha idade minha mãe já tinha eu e meu irmão, trabalhava muito, casa pra manter, filho, boletos…enfim! Nós, ou pelo menos, uma parte significativa da nossa geração, por algum motivo quebramos essa corrente, essa “tradição” do estudar, trabalhar, casar, filho, casa, carro… Por algum motivo não nos parece tão convidativa assim! Apesar de não sabermos muito bem também o que há além disso, na verdade a gente supõe e há muita coisa além, mas é sempre mais difícil remar contra a maré, as incertezas da vida “tradicional” já são muitas, mães e pais de família por aí, tiram uma tarefa hercúlea por dia pra se manterem, mas quando pessoas tendem a seguir por caminhos diferentes, parece que as dificuldades e as incertezas se multiplicam! Talvez porque há poucos exemplos que de uma forma real e palpável (aqui não entra a mulher que viaja o mundo com um notebook debaixo do braço, o casal da van, o casal que mora numa ilha paradisíaca…) seja possível trilhar outros caminhos e se sentir realizada dessa forma! Nada é certo, isso é uma certeza! rs Mas cabe a gente mesmo decidir todos os dias se vamos tentar fazer dar certo de alguma maneira da forma como queremos, enfrentando o desconhecido muitas vezes ou se é preferível nos moldarmos e seguir por um caminho já com as conhecidas incertezas que permeiam a vida cotidiana!

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    • Sim e agente tende sempre a comparar, buscar referencias… no final das contas não teremos certezas de nada, assim como nossos pais tambem não tinham. A gente tem que seguir tentando se encontrar e fazer o que de alguma forma traz sentido pra nossa existencia.

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