Mudanças & lembranças

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Estamos em um processo de reforma na casa em que moro e pra isso precisamos deixá-la vazia e nos hospedar em outro lugar. Por sorte nós viemos pra casa da minha avó que fica do lado da minha, mas isso não significa que a mudança tenha sido tão fácil, afinal, se mudar é sempre um trem que mexe com a gente em todos os sentido possíveis. Três semanas depois, cá estamos entre caixas e itens pra doação, colocando as coisas no lugar, acompanhando a obra e aguardando a nova carinha que nossa casa vai ter.

Todo esse processo tem trazido à tona um misto grande de sentimentos, especialmente das lembranças vividas aqui, na casa onde estamos. Casa de vó é um lugar mágico né? Não importa se é uma casa simples ou uma mansão, sempre tem espaço pra todo mundo e aqui a gente sempre se sentia acolhido, como se estivesse na própria casa. E olha que somos uma família enorme. Só filhos são 12, fora os esposos e esposas, netos bisnetos e agregados. Mesmo que precisássemos nos espalhar entre cadeiras, bancos e sofás pra que todo mundo coubesse sentado ou ainda que precisássemos comer com os pratos nas mãos e transformar qualquer beiradinha em uma mesa, sempre cabia todo mundo. Depois de entrar aqui, mesmo que tivéssemos nossas questões, tudo era momentaneamente deixado do lado de lá da porta e convivíamos em harmonia. Porque família sempre tem treta, né?

Aqui tenho sentido as lembranças virem à tona mais nítidas do que nunca e junto disso a sensação de estar desfazendo as malas que carreguei por todos esses anos da minha vida e me colocando cara a cara com meus pertences físicos e emocionais, em uma oportunidade de deixar ir o que precisa partir e manter o que desejo que fique. E ainda sentindo que muitas coisas dentro de mim também estão mudando, amadurecendo, como se as pecinhas que faltavam pra completar um quebra cabeça estivessem perdidas e aqui estão sendo finalmente encontradas e colocadas em seus devidos lugares.

Eu só mudei uma vez na vida. Demolimos a casa em que morávamos, que era muito pequena, pra poder construir outra um pouco maior e mais confortável. Mas quando isso aconteceu eu não tinha idade suficiente pra participar ativamente do processo como tem sido agora. Dessa vez eu desmontei coisas, encaixotei, separei itens pra doação, montei coisas de novo, tirei das caixas e ainda tenho visitado a obra diariamente e acompanhado de muito perto todas as mudanças. É como se, ao demolir algumas paredes, estivéssemos deixando parte de nós ruir com elas, não em um sentido ruim, mas em um sentido necessário, em uma oportunidade de reconstruir e escrever novos capítulos da nossa história. E assim seguimos, exercitando a paciência, reconhecendo que é preciso tempo pra mudar, pra deixar ir, pra colocar a casa em ordem e pra recomeçar.

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