Você não precisa ser produtivo o tempo todo…

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Lendo um texto da Isa fiquei refletindo sobre uma questão que vira e mexe dá as caras e me traz um certo incômodo: a necessidade de ser produtivo o tempo todo. Existe uma supervalorização da vida corrida, de trabalhar até tarde, de não ter tempo pra encontrar os amigos, de bater no peito e se vangloriar por estar na correria e sobre isso vejo duas questões:

A primeira tem a ver justamente com o sistema no qual estamos inseridos que nos vende a ideia de trabalhar bastante enquanto temos juventude e saúde, para depois nos aposentarmos e descansarmos (se bem que na atual conjuntura essa ideia está mais do que ultrapassada, já que com as reformas trabalhistas a aposentadoria vai ficando cada vez mais distante). Se somando a isso tem o “chegar lá”, que é ser bem sucedido na área de trabalho que você escolheu trabalhando horrores pra ganhar dinheiro e poder comprar todas as coisas que vão te dar prazer e que você mal vai ter tempo de usufruir porque vai estar trabalhando demais pra bancar todo esse estilo de vida.

A segunda é sobre como o trabalho acaba se tornando uma válvula de escape para fugir de questões que nos incomodam, geralmente nossos problemas pessoais/familiares. Mergulhamos de cabeça nas nossas tarefas como uma forma de esquecer um determinado problema e colocá-lo debaixo do tapete (ou dos papeis e das planilhas) pra evitar o enfrentamento. Só que aí chega uma hora em que nos sobrecarregamos tanto com o trabalho quanto com o problema em si e são duas coisas pra resolver ao mesmo tempo. Trabalho duplo que geralmente não conseguimos dar conta e que muitas vezes acaba se transformando em problemas emocionais como ansiedade e depressão.

Normalizamos tanto a produtividade que nos sentimos culpados naqueles dias em que as coisas não rendem no trabalho, nos estudos (ou em outros projetos). A ideia de otimizar tudo se enveredou até para o nosso lazer e até os nossos momentos de descanso precisam ser planejados, organizados e muito bem aproveitados. O que estamos percebendo é que ser “produtivo demais” na verdade acaba tendo um preço alto, que é nossa saúde emocional e até mesmo física.

Quando comecei a ler mais sobre minimalismo e simplicidade voluntária, percebi o ócio (não o ócio criativo, mas o ócio de descanso mesmo) e a produtividade de formas muito diferentes e vi que essa corrida pra “chegar lá” talvez não fosse tudo e que no meio do caminho eu poderia estar perdendo coisas muito importantes. É claro que é muito bom ver nossos planos e projetos tomando forma e com nosso trabalho poder realizar coisas que queremos muito,  mas pra que isso aconteça, pra que nossa criatividade flua e tenhamos energia pra colocar em prática tudo o que desejamos, também precisamos reconhecer a necessidade de pausar (porque se a gente não para, a vida encontra um jeito de parar gente).

Nesse sentido é muito importante desconstruir a visão negativa do ócio. Fazer nada é muito bom e não tem porquê se sentir culpado por isso. Tirar um tempo pra si é parte do cuidado que devemos ter com nós mesmas, ainda mais em um mundo que exige de nós 1001% o tempo todo. Estamos cada vez mais conectados, consumindo uma quantidade de informação que não somos capazes de processar e que acaba deixando nossa mente sobrecarregada. Qualquer atividade que nos ajude a relaxar e descansar a cabeça é bem vinda.

Tem dias em que mesmo com com muita vontade as coisas simplesmente não funcionam, os planos não saem como o esperado… Existem coisas sobre as quais não temos controle, que nos afetam e nos impedem de fazer o que queríamos ali, naquele dia e naquela hora. Sabe quando você fica tão focado em uma coisa que não consegue enxergar outros pontos de vista? Por isso pausar e descansar é importante pra nossa mente, pras nossas emoções, pro nosso corpo.

O que precisamos aprender a fazer é a tirar esse tempo pra nós mesmos, espairecer, relaxar, preparar algo gostoso pra comer ou fazer algo que gostamos pelo puro prazer de apreciar esse momento. Estipular as horas de trabalho e as horas de descanso, reconhecer as nossas limitações e observar o quanto nos colocar pressão constantemente em nada ajuda… E por fim, ir trabalhando internamente essa questão pra encontrar o nosso ritmo pessoal, aquele que nos permite ao mesmo tempo realizar o que desejamos e curtir e apreciar o caminho.

2 comentários sobre “Você não precisa ser produtivo o tempo todo…

  1. eita!!!! parece que esse texto foi escrito pra mim,me sinto um verdadeiro “robozinho” com pilha duracell, não consigo ficar parada, a ansiedade me deixa agitada e me consome diariamente , vou tentar ficar ,pelo menos meia hora por dia, fazendo algo com calma e serenidade…….

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    • Oi Socorro. Às vezes é bom a gente tentar observar o que nos deixa tão aceleradas. Será que usamos toda essa ação como uma forma de fugir da nossa própria companhia, de enfrentar coisas não muito fáceis ou mesmo de seguir repetindo o que nosso sistema nos exige: produção constante? Quem sabe ir implementando em alguns momentos do dia períodos de relaxamento possa ajudar a observar e entender os motivos pelos quais agimos de determinada maneira.

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